11 de fev de 2013

MOZART HAMILTON BUENO CRONISTA

Mozart Hamilton Bueno“EU ASSISTI DE CAMAROTE...”

Ano de 1956.
Eu já era titular como ponta direita do Independente, equipe do 9º Batalhão que disputava campeonato em Barbacena.
Para comemorar o aniversário de fundação do clube foi convidado para um amistoso o “Sete de Setembro” de Belo Horizonte.
Treinamos bastante, o Estádio “Comandante Marques Filho” foi todo pintado e novo jogo de camisas foi adquirido em São Paulo.
Na sexta feira, antevéspera da partida, chega a Barbacena, vindo do Rio de Janeiro o Prof. Celmo Maria acompanhado de dois cunhados, cariocas.
Encontrando-se na praça com o Capitão técnico/presidente e ponta esquerda do Independente, a este apresentou os dois cunhados dizendo que um deles, o mais novo, era ponta direita do juvenil do Flamengo.
Conversa vai, conversa vem, o Capitão/técnico/presidente decidiu que o tal ponta direita seria escaldo para o jogo contra o Sete de Setembro.
Dito e feito.
No domingo, todos no vestiário, chegou o tal carioca e recebeu a camisa n. 7. Logo a minha.
Fiquei como reserva.
Frustrado e revoltado – pois aquela era a única oportunidade de jogar contra um time da Capital - assisti à derrota do nosso pelo escore de 2x0.
O tal carioca revelou-se verdadeiro “perna de pau” e nem viu a cor da bola.
Foi um fracasso e pelo jeitão, nunca calçara chuteiras.
Á noite, grito de carnaval na sede social do Independente e eu lá, agora como pistonista da orquestra do Batalhão.
Ainda magoado “puxava” seguidamente o samba “Palhaço” gravado por Chico Alves e muito cantado naquele tempo, cuja letra dizia:
“Eu assisti de camarote”
“O teu fracasso, palhaço, palhaço...”
Lá pela quinta ou sexta vez que tocava o meu desabafo, o Capitão/técnico/presidente veio a mim e disse:
“Veja bem Mozart! Se você tocar essa música mais uma vez eu 'te sento no xadrez'."
Enquanto esse Capitão serviu em Barbacena eu não toquei mais esse samba.
Rebeldia da juventude.