Em edição de 3 de dezembro de 2022
(https://cadikimdicadacoisa.blogspot.com/2022/12/na-copa-de-14-cadikim-chamou-atencao.html), cadikim lembrou que, na Copa de 2014, chamara a atenção dos "otimistas" que davam a entender que aquela Copa já estava ganha (https://cadikimdicadacoisa.blogspot.com/2022/12/na-copa-de-14-cadikim-chamou-atencao.html). Assinalou, que comentaristas diziam "no mata-mata, vamos enfrentar...", antes que a fase de grupos já estivesse definida; e que já tinha gente dizendo que a brasileira iria cruzar com a francesa na final. Então, arrematou: "A seleção brasileira só irá cruzar com qualquer seleção na final, se chegar à final... sem premonições, previsões, estimativas, mas jogando futebol".
Na edição de 13 de julho de 2024 (https://cadikimdicadacoisa.blogspot.com/2024/07/futebol-brasileiro-nao-e-o-melhor-do.html), cadikim atreveu-se a enunciar aquilo que era óbvio para si, mas que poderia ensejar até reprimendas: "FUTEBOL BRASILEIRO NÃO É O MELHOR DO MUNDO HÁ MUITO TEMPO. NEM MAIS O MELHOR DA AMÉRICA. NEM DA AMÉRICA DO SUL". Do mundo, desde 2002. Nas Américas ficou abaixo do quarto lugar na Copa América de 2024, desclassificado, atrás de uma seleção norte americana e três sul americanas. Em 18 de abril deste ano, editou a publicação acima porque, tendo ouvido alguém falando em "melhor futebol do mundo", sugeriu: Melhor calçar as tais sandálias.
Realça que não se ganha competição antes de disputá-la. E não são previsões otimistas que irão melhorar nosso futebol. Cumpre entender que não foi a Noruega que nos eliminou. Marrocos também ficou com "culpa no cartório", deu sua módica contribuição.
Por que chegamos a este ponto?
Penso que é preciso ponderar muita coisa. Acima de tudo, estilo de jogo. Acho que as táticas, que estão ficando monótonas (todo mundo tem igual ou quase), mataram o talento. O trabalho tático é muito importante. Mas o preparo técnico individual é indispensável. É o bom preparo técnico individual que permite a execução de manobras táticas produtivas. Tenho insistido em que há muito jogador de Série "A" matando bola para o adversário e errando passe. São fundamentos elementares. É assunto pra "mirréis".
Técnico também é um assunto importante. Se a seleção brasileira tivesse chegado pelo menos à final, teria ficado claro que nosso problema é o técnico. Não ficou. O técnico famoso não conseguiu fazer a seleção ser finalista na Copa. Malhando o Ancelote? Jeito nenhum! Considero um fator altamente desfavorável a ele: atuando em clubes europeus, podia indicar jogadores para cada posição e o clube contratava. Em qualquer seleção, a situação é desfavorável: só pode contar com os jogadores nacionais. O universo de escolha é infinitamente menor. Dinheiro nenhum resolve isto. Ora direis: ah! mas o Jorge Jesus e o Abel Ferreira deram certo. É só olhar para os elencos do Flamengo e do Palmeiras.
Um fator que considero desfavorável ao técnico é o comportamento da imprensa, querendo plantar jogadores na seleção. É tarefa do técnico. A seleção perdeu, a imprensa ataca o Ancelote. Ninguém ataca a imprensa que insistiu na convocação de Neymar que fez quase nada além de um gol de penalte e um cartão amarelo, mais aquele lenga lenga com o goleiro norueguês, como se aquilo pudesse mudar o resultado do jogo.
Da insistência por Neymar reporto-me à publicação no cadikim de 18 de julho de 2012 (https://cadikimdicadacoisa.blogspot.com/2012/07/e-se-neymar-tiver-um-piriri.html), sob o título "E SE NEYMAR TIVER UM PIRIRI?".
Impliquei com o texto de capa da revista Veja, estampando foto de Neymar na capa, com o uniforme da Guarda da Rainha:
"Neymar é a esperança de medalha de ouro inédita no futebol".
Era a Olimpíada de 2012, na Inglaterra. A implicância era pensando em como se sentiriam os outros jogadores, a comissão técnica... enfim, demais participantes da seleção. Só o Neymar resolveria? Afinal, lembrei Millôr Fernandes ensinando que, com trabalho de equipe, podemos dispensar os herois.
Aquela seleção olímpica não foi campeã; só aconteceu em 2016. Em 2014 sobreveio aquele "piriri", em forma daquela entrada desleal e violentíssima que o impediu de seguir, por causa de lesão muito grave na coluna.
Uma ideia que tenho exposto no cadikim, várias publicações, é de se adotar uma administração eficiente e eficaz no futebol em geral, que se incorpore à seleção brasileira. Pelo menos, os resultados indicam que desde 2002 as coisas vão de mal a pior.
Tenho feito comparações com o voleibol brasileiro. Nos últimos 25 anos, a seleção brasileira masculina conquistou medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas, 2004; campeonatos mundiais em 2002, 2006 e 2010; ouro na Liga Mundial em 2001, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 e 2009; ouro em Copa do Mundo em 2003 e 2007; ouro na Copa dos Campeões em 2005, 2009 e 2013; ouro nos Jogos Panamericanos em 2007 e 2023; ouro em Campeonatos Sulamericanos em 2001, 2003, 2005, 2007 e 2009; medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2016; a Liga das Nações em 2021; a Copa do Mundo em 2019.
A seleção feminina tem desempenho e prestígio internacionais semelhantes. Não é preciso alongar.
O número de times de voleibol de alto nível existente no Brasil não é maior do que o número dos times de futebol que disputam a série "A". Mas poucos do futebol têm o nível técnico no patamar do voleibol em cada categoria. Nos últimos anos, temos balançado entre Flamengo e Palmeiras. Alguns "brigam" por vaga na Libertadores, na Sulamericana, na Copa do Brasil. E não pequeno o número dos que se esforçam para não cair. O universo para seleção no voleibol é de muito melhor qualidade. A capaciade técnica individual é muito mais eficiente do que no futebol. Enquanto aqui jogadores de série "A" matam bola para o adversário e erram passes, no volei o líbero recebe um saque a mais de 90 Km/h e põe em condições de jogo na quadra.
Por que será, hein? Será que não vale a pena estudar isso?
Imagem: aqui vale.
https://portalaquivale.com.br/eliminacao-do-brasil-da-copa-do-mundo-rende-chuva-de-memes