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Fonte: As Aventuras de Asterix - O Caldeirão.
Texto: René Goscinny
Ilustrações: Albert Uderzo
| Crianças pobres "higienizando"-se. |
Semana passada, passei um perrengue: sucessivas notificações de vírus, que se amontoavam impedindo-me de sequer ver o que precisava ser feito. Não consegui socorro técnico apto e acabei tendo de me virar. Resultado: pude seguir trabalhando mas perdi alguns aplicativos. Meus amigos do feicebuque desapareceram todos. Já consegui ver uma coletânea mas ainda não tive tempo para recuperar. Repassando o "pessoas que você talvez conheça", encontrei-me lá. Com a sugestão "Adicionar amigo" e a anotação "1 amigo em comum" (foi o primeiro que recuperei, o que levou a pensar um modo mais coletivo de recuperação).
Deus do céu! Então, estou entre as pessoas que eu "talvez conheça". Já disse por aqui que não quero conhecer-me. Tenho medo de me decepcionar. Quem sabe a IA saiba disto?Mas pensei: será que a IA achou um modo de tornar-me eu amigo de mim mesmo? Bacana demais! Poderei, pelo menos, aconselhado e seguido de perto por meu novo amigo, parar de fazer besteiras que me desgastam, uai! Amigo é pr'essas coisas!
Cliquei em "Adicionar amigo". Foi daí que me apareceu uma mensagem que, se não estivesse preparado, talvez me tivesse apavorado. Só que é verdadeira e já conhecida de mim: talvez não me conheça (para mim, não é talvez; é de verdade).Ah! Essa tal de IA!
Ouvi e li em rodapé hoje, pela CNN, um conceito que me incomodou muito. Estava lá com todas as letras (fui conferir na página eletrônica da emissora e lá encontrei):
"Silêncio de comandantes não significa apoio a golpe".
Andei revisitando meu próprio passado e percebi vários momentos de alguns silêncios que foram muito eloquentes. Dispenso-me de enumerar.
Prefiro abordar fatos ocorridos no governo passado (para apressadinhos: não significa que tenho qualquer ligação ideológica, afetiva, devocional ou qualquer outra com o atual).
Pois não é que, quando de visita ao Comando Militar do Sul, em Porto Alegre, em abril de 2020, o ex-presidente Bolsonaro cumprimentou estendendo a mão e recebeu o cumprimento pelo cotovelo de dois militares - o general Edson Pujol, comandante do Exército e o general Antônio Mitto. O vídeo divulgado pelo UOL, mostrando a cena, está em https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2020/04/30/bolsonaro-tenta-apertar-a-mao-de-militares-e-recebe-toque-de-cotovelo.htm.
E olha que eu aprendi, com o Tenente Domingos, em 1954, aos 14 anos de idade, no Batalhão de Guardas, Belo Horizonte, PMMG, que, quando um superior oferece aperto de mão a um subordinado, este não pode recusar o aperto de mão, mesmo que pense: "é o primeiro pé de porco que pego hoje".
Aprendi, também, com o Coronel PMMG Walter Rachid Bittar que qualquer que detenha algum grau de autoridade, deve ser capaz de usar essa autoridade de cima para baixo e, sem embargo, de baixo para cima.
Não terão sido grandiloquentes esses dois silêncios feitos pelos referidos militares do Exército, em face do Comandante em Chefe das Forças Armadas?
Explico-me: se o silêncio é grandiloquente, como foi aquele em Porto Alegre, significa repulsa a algo. No caso, ao menosprezo do ex-presidente pelas medidas preventivas contra covid. Se o silêncio é subserviente, no mínimo não significa repulsa. Miro o ensinamento de Deepak Chopra: o não revelado é o campo de todas as possibilidades. Posso pensar o que quiser.
Tenho pensado muito: estamos girando em um mundo que oferece muitas dificuldades para uma vida racional, psicológica, lógica, etc., razoavelmente saudável. Não sendo assim, estarei absolutamente desconectado de toda racionalidade do mundo. "Disonlaine", como ouvi de um desses gozadores que a rede nos apresenta.
Imagem: Silêncio ensurdecedor.
https://www.facebook.com/osilencioensurdecedor/
A CBF admitiu. Errou o var quando "decidiu" que não foi pênalti a mão de Yuri Alberto na bola, dentro da área, braço aberto... e mais...
O "juiz humano"? Nem aí!
É! A coisa tá russa!
Não dá mais pra confiar nem no var... Meu Deus!
Imagem: a crítica.
Não posso discutir o mérito. Não conheço o processo, não conheço os argumentos e não sei se, conhecendo, teria capacidade intelectual para entender. Mas não deixo de observar:
Sinto-me como se tivesse assistido a um filme de ficção científico-jurídica, pensando que assistia a um documentário. O Japonês da Federal é o elemento folclórico da trama.
Imagem: envato elements.
https://elements.envato.com/pt-br/wooden-judges-gavel-on-table-in-a-courtroom-or-enf-ZXR6VZJ
"Mas se quiserem estragar meu feriado,
é só me carregar para ver soldado."
De Haroldo Barbosa (D) e Luiz Reis (E), "Só vou de mulher".
Para ouvir com Miltinho: YouTube.
https://www.youtube.com/watch?v=zAgkoBJE27g
Imagem: História do Rádio.
https://aeradoradioteatro.blogspot.com/2015/03/cem-anos-de-haroldo-barbosa.html