Um escândalo! Uma lua fingida de tímida escondendo-se atrás dos galhos e das folhas das árvores.
9 de ago. de 2017
CÂMARA E MÚSICA DE CÂMARA
Na última segunda feira, assisti a um recital
de música de câmara. Apesar de ter ouvido essa expressão muitas vezes, não sabia a origem e o significado da expressão "música de câmara". Apelei para a a rede. Encontrei em "MÚSICA EM TRANCOSO" (http://musicaemtrancoso.org.br/saiba-o-que-e-musica-de-camara/):
"Música de câmara é a música erudita composta para um pequeno grupo de instrumentos ou vozes que tradicionalmente podiam acomodar-se nas câmaras de um palácio. Atualmente, a expressão é usada para qualquer música executada por um pequeno número de músicos."
Não pude evitar pensamentos bestas: por que é, então, que a Câmara dos Deputados é enorme e o número deles atinge mais de meio milhar? Talvez se a câmara fosse mesmo câmara (dependência pequena de um palácio), poderíamos diminuir o número de deputados a um patamar de necessidade real. Tem deputado demais, sô! O número deles - 513 - já me incomoda bastante, porque, tendo a Constituição Federal previsto votações necessárias de dois terços, a ideia de terço remete-me ao desnecessário terço eleitoral: 171. Número que não remete a coisas boas e saudáveis.
Por outro lado, penso que no caso dos políticos, há fatores que impedem o enquadramento da câmara dos deputados na ideia de música de câmara: talvez não sejam eruditos; talvez não sejam compositores e nem músicos, portanto, não irão compor nem tocar para soberanos.
Ah! Deve ser isto. Os soberanos são eles. Então, alguém que toque para os soberanos.
Esse "alguém", sabemos quem somos.
4 de ago. de 2017
ATÉ AONDE VAI NOSSA FRAGILIDADE? ESTAMOS, MESMO, NO MATO SEM CACHORRO?
Assisti, estarrecido, a uma entrevista do Deputado Rodrigo Maia para a Globo News, na manhã seguinte à votação do pedido de autorização ao STF, para processar a denúncia da PGR contra Temer. Lembro-me da matéria mas preferi buscar informação dos termos. Encontro em "Redação Pragmatismo" (https://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/08/rodrigo-maia-chora-e-diz-que-tinha-poder-para-derrubar-michel-temer.html) relato que coincide com o que ouvi. Transcrevo:
Primeiro que tudo, quero entender que a lealdade de um deputado federal - principalmente o presidente da câmara - tem de ser com o povo, que lhe outorgou esse poder. Quero pensar, também, que o povo não pode ser tratado com grosserias, truculência e outras formas relatadas pelo representante desse povo.
Não consigo entender como é que uma autoridade de tal gabarito, Presidente da Câmara dos Deputados - instituição que representa, em seu todo, a Nação Brasileira - deixa-se constranger com "jogo baixo", "truculência", "desrespeito" que afirmou ter sido o tratamento de "alguns assessores do governo". Entendo que o resultado disso é a absoluta insignificância e fragilidde do Povo Brasileiro - Zé Povinho, para muitos - já que o chefe da instituição que o representa não se sente forte o suficiente para repelir tal tipo daquilo que disse ter sido agressão.
Já desconfiava, mas vejo na afirmação verbal dessa autoridade que estamos, de fato, "no mato sem cachorro".
Imagem: CÂMARA DOS DEPUTADOS.
http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/POLITICA/507325-CAMARA-AUTORIZA-INSTAURACAO-DE-PROCESSO-DE-IMPEACHMENT-DE-DILMA-COM-367-VOTOS-A-FAVOR-E-137-CONTRA.html
"Truculência § Em um outro desabafo após a Câmara rejeitar a denúncia contra Temer, Rodrigo Maia reclamou da ação 'truculenta' e 'desrespeitosa' de assessores do peemedebista quando o democrata era cotado como sucessor no Planalto. § 'De fato, em torno do presidente, houve uma relação muito ruim comigo, muito desrespeitosa, mas o tempo vai resolver isso', disse Rodrigo Maia em entrevista para a Globo News. § 'Um processo como esse, nunca tinha acontecido no Brasil, é um aprendizado. Mas não posso negar que atos de alguns assessores do presidente foram muito truculentos, muito duros contra a minha pessoa. Um deputado que sempre foi leal ao governo, que foi desconvidado para ser líder do governo e mesmo assim continuou votando com o governo, foi eleito presidente da Câmara na primeira eleição, apesar do governo, com a construção que fiz aqui na Câmara dos Deputados', desabafou. § 'Na segunda, com o apoio do governo. Eu nunca esperei que o entorno do presidente fosse jogar tão baixo comigo. Isso eu não posso deixar de falar. Mas eu tenho certeza que o tempo resolve todos esses problemas. O mais importante é que a Câmara dos Deputados tem um protagonismo enorme na agenda de reformas e esse é o desafio que eu assumi', completou."
Primeiro que tudo, quero entender que a lealdade de um deputado federal - principalmente o presidente da câmara - tem de ser com o povo, que lhe outorgou esse poder. Quero pensar, também, que o povo não pode ser tratado com grosserias, truculência e outras formas relatadas pelo representante desse povo.
Já desconfiava, mas vejo na afirmação verbal dessa autoridade que estamos, de fato, "no mato sem cachorro".
Imagem: CÂMARA DOS DEPUTADOS.
http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/POLITICA/507325-CAMARA-AUTORIZA-INSTAURACAO-DE-PROCESSO-DE-IMPEACHMENT-DE-DILMA-COM-367-VOTOS-A-FAVOR-E-137-CONTRA.html
NAS LETRAS DAS NOSSAS CANÇÕES. PROMESSA.
"Andou chuviscando, andou peneirando, chover não choveu."

Custódio Mesquita, em "Promessa".
NOTA: Na letra cantada por Ângela Maria, está escrito "Livre do sol então expulso deste céu para mim". Na letra que se encontra na página com a versão instrumental (orquestra de Custódio Mesquita), está escrito "Livre do sol então expulso deste céu de anil". Acho que essa versão é coerente, a ideia salientando a rima. Ambas as versões apresentadas na página de "VAGALUME".
Para ouvir com o autor (instrumental):
https://www.vagalume.com.br/custodio-mesquita/promessa.html
Para ouvir com Ângela Maria:
https://www.vagalume.com.br/angela-maria/promessa.html
1 de ago. de 2017
DIÁLOGO NADA IMPROVÁVEL NOS PANORAMAS DA CRIMINALIDADE
Policial: Qual a origem desse dinheiro todo?
Preso: Não sei. Mas com certeza o meu advogado poderá me explicar.
Imagem: globo.com g1
http://g1.globo.com/sao-paulo/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/noticia/2015/04/policia-encontra-r2-mi-em-dinheiro-em-fundo-falso-de-caminhonete.html
30 de jul. de 2017
O CAOS NÃO CHEGA DE REPENTE. NEM SE VAI RAPIDAMENTE.
Desenvolve-se, na cidade do Rio de Janeiro, ação governamental policial, para tratar da violência que assola aquela cidade. Enorme mobilização, presença de cerca de dez mil pessoas no efetivo da operação, Exército, Marinha, Aeronáutica, Polícia Militar, Polícia Civil. Pronunciamentos do Ministro da Defesa, exposição de estratégias. Disse que as operações em andamento estão garantidas até o final deste ano, mas que se estenderão até o final de 2018.
Foi aí que não tive como deixar de inquirir: e depois? E foi aí que acabei desovando um tema que me rondava a mente, há algum tempo: o caos não chega de repente; nem se vai rapidamente.
O caos que se instalou no Brasil - com maior realce na cidade do Rio de Janeiro - não veio em uma nuvem de poeira. Instalou-se através da sedimentação de poeirinhas que, em contato com água, foram se transformando até virarem avalanches lamacentas putrefatas. Avalanches lamacentas putrefatas que terão de ser secadas, "britadas", se considerarmos sua consistência enorme, e pulverizadas, para que possam ser removidas por um ventinho contrário àquele que determinou a sedimentação do mal.
Isto leva tempo. Muito tempo. E não é para terminar em 2018, não! Penso, há muito tempo, que se o governo conseguir elencar medidas para estabelecer segurança; se todas essas medidas estiverem corretas e se se conseguir 100% de aproveitamento na aplicação, é coisa para vinte anos ou mais.
Pensando sobre a questão, não tive como não pensar na "retomada do morro do alemão". Fui ler sobre o assunto.
Primeiro, encontrei um "passo-a-passo" da "Ocupação das Favelas do Alemão", em "G1 RIO DE JANEIRO - RIO CONTRA O CRIME" (http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/rio-contra-o-crime/noticia/2010/11/ocupacao-das-favelas-do-alemao.html). Encontrei:
"15h45 - O prefeito Eduardo Paes afirma que, assim que obtiver autorização, a comunidade do Alemão será 'invadida' por serviços de assistência social."
No "ÚLTIMO SEGUNDO - Rio de Janeiro" (http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/rj/operacao-do-exercito-no-complexo-do-alemao-ja-custou-r-237-milhoes/n1597213631643.html), em 16/09/2011: "Operação do Exército no Complexo do Alemão já custou R$237 milhões - Valor é equivalente à metade das verbas destinadas à modernização da força em 2011."
Cheguei a ficar encantado com as avaliações e declarações do então governador Sérgio Cabral, que encontrei na página do UOL notícias Cotidiano, São Paulo, 28/11/2010 (https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2010/11/28/estamos-virando-uma-pagina-na-historia-do-rio-diz-cabral.html):
"Após a retomada do complexo do Alemão por forças de segurança neste domingo (28), o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, afirmou que as parcerias com o governo federal continuarão para garantir a tranquilidade aos fluminenses e agradeceu aos fluminenses e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela cooperação. § Em entrevista à Globo News, Cabral afirmou que a política de segurança é de médio e longo prazo, e se manterá sob o comando do secretário José Mariano Beltrame. 'Estamos virando uma página na história do Rio', afirmou. 'Com essa reconquista territorial damos um passo decisivo para a nossa política de segurança pública'. § O governador afirmou que a ação contra os criminosos acaba com a confusão, com essa mixórdia de conceitos que levou o Rio de Janeiro a uma situação de crise econômica e crise social, e falência política'. Depois de citar o governo federal, ele afirmou que a participação da sociedade 'é o grande segredo deste momento'. § Cabral citou investimentos feitos no Complexo do Alemão nos últimos anos - entre os quais as obras de habitação e um sistema de teleférico que ajuda a transportar moradores. 'Enquanto não levássemos segurança pública e paz o trabalho não estaria completo', afirmou o governador.".
Emocionante, não?
Mas há outras pérolas de Cabral, no Estadão de 27/11/2010 (http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,em-meio-a-cerco-no-complexo-do-alemao-cabral-diz-que-governo-nao-recua,646240):
"Segundo o governador, as equipes de Segurança têm informado à população sobre os eventos no Rio. Para ele, 'o momento é de retomada de territórios, de afirmação da ordem e do Estado de Direito Democrático'. § Estamos todos unidos. Todos com o mesmo propósito: seguir em frente sem qualquer recuo na busca da libertação das pessoa do poder de bandidos nas comunidades', disse Cabral. § Cabral diz que seu compromisso é 'pacificar todas as comunidades onde houver o domínio do poder paralelo'.".
Sinceramente, não vejo contradição no que disse Cabral. Referiu-se, repetidamente, em "bandidos na comunidade". Mas achei super interessante um texto final:
"No topo do morro, os policiais encontraram uma casa luxuosa onde viveria um dos chefes do tráfico na região. Banheira de hidromassagem, televisão de 40 polegadas e ar condicionado estavam à disposição dos criminosos em uma residência de dois andares. Antes de deixaram o local, os bandidos balearam os aparelhos domésticos e reviraram os móveis.".
Primeiro: se outros chefes, em vários segmentos da administração pública, têm ostentado conforto e riqueza, por que imaginar que os bandidos não? E olha que estes estão sempre sob o risco dos rigores da lei e vigiados por tudo que é polícia. Enquanto que os outros vivem protegidos por essas mesmas forças, até que percam a condição de poder público.
Segundo: ainda fiel ao preceito de Millôr ("livre pensar é só pensar"), posso pensar o que quiser do fato de os bandidos balearam os aparelhos domésticos. Poderão ter pensado: "cê" acha, "mano", que eu vou deixar tv de 40 inteira "pros home"? Lá tem ladrão tanto como eu e alguém vai querer "apreender" minha tv.
Imagem: Folha de São Paulo.
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/07/1905483-rio-tem-segundo-dia-de-tropas-federais-nas-ruas.shtml
29 de jul. de 2017
NA TERRA DOS MÁGICOS DE OHS!
INTRODUÇÃO: O texto abaixo foi escrito em 1989, e publicado no jornal "Correio de Uberlândia", no dia 21/06/1989. Repito-o, pedindo aos céus que não estejamos, ainda, "Na Terra dos Mágicos de Ohs!".
Eu era menino e os políticos já prometiam. Inventavam as mais inventivas soluções para os (agora sabemos que eram poucos) problemas daquele tempo.
E, já então, falhavam no cumprimento de suas promessas. Uns perjuros!
Fui crescendo e assistindo, a cada eleição, a novas promessas, em palanques, de melhorar a vida do povo. E nada!
O eleitor, coitado, sempre crédulo, votando em alguém. Trocava UDN pelo PSD, o PSD pela UDN, UDN pelo PSD, de novo. Talvez para não ficar igual àquele português que viajava sozinho, em um bonde, em noite de tempestade. Enorme goteira despejava água a cântaros, sobre o pobre do português. Veio o condutor (li sua matéria, Quirino! Mas sou do tempo) e perguntou: por que o senhor não troca de lugar? E o portuga: mas trocar com quem?
Fechemos parênteses e voltemos às promessas de palanque. Sempre dando em nada.
Adulto (desculpem a pretensão), vi o povo tentando trocar ARENA por MDB, sem conseguir. Eleição indireta, não tinha jeito. Depois, PDS por PMDB. As propostas de mudanças cada vez mais criativas (os agravamentos de crise exigiam soluções mirabolantes, porque não cabiam, mais, as soluções simples de antanho). E nada! A crise se aprofundando mais e mais.
Veio a pré-nova República, com um novo mágico, cartola em punho, conseguindo a mágica de harmonizar "caminhando e cantando" com "quero falar de uma coisa" e outras bossas. Deu no que deu. Nem é bom falar! O povo cada vez na pior! Só levando ferro!
Agora, em plena campanha presidencial, quase uma dezena de candidatos estão buscando o voto direto do povo, numa corrida que já começa desenfreada, todos prometendo soluções mágicas para as crises do desemprego, da habitação, da Previdência, da saúde, da educação, da segurança pública, da dívida externa, da dívida interna... (mais crises do que candidatos; quem sabe um presidente para cada crise resolvesse... ou um ministério). Vários mágicos. Cada um com uma mágica diferente, tentando convencer o eleitorado. E o povo, pra variar, confiando! Para, no final... Oh!
Fim de século, plena era dos mágicos de... Ohs!
26 de jul. de 2017
NAS LETRAS DE NOSSAS CANÇÕES - CANÇÃO DO AMOR QUE LHE DOU
"Neste pobre coração
há um mundo de amor."
Lourival Faissal, em "Canção do amor que lhe dou".
Para ouvir com Nelson Gonçalves:
https://www.youtube.com/watch?v=xI3g6aXet3Y
Imagem: CIFRANTIGA MPB.
http://cifrantiga2.blogspot.com.br/2006/10/lourival-faissal.html
25 de jul. de 2017
MINISTRO JUNGMANN: APARTAR O PODER OFICIAL DO CRIME
Boquiaberto e olhiaberto, ouvi o ministro Jungmann - vendo-o pela TV - criticando a conivência do poder público com os setores da criminalidade, afirmando que "...o Rio de Janeiro está no estágio mais avançado nessa captura do poder público pelo crime...". Segundo o ministro, "...são 800 comunidades sob o controle do crime organizado". Emenda: "Quem controla tem voto; o crime tem capacidade de colocar seus representantes no próprio governo". Está em G1 - RIO DE JANEIRO (http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/em-entrevista-jungmann-diz-que-espera-decreto-de-temer-para-enviar-forcas-armadas-ao-rj.ghtml).
Ô sô do céu! O ministro descobriu a pólvora! Ou será resultado do alheamento dos políticos, em geral, relativamente à nossa história?
Primeiro que tudo, o Rio de Janeiro é apenas o bode expiatório, porque tem maior destaque. A criminalidade ampliou muito seu território. Segundo, estamos vendo detentores de cargos públicos, em várias esferas, praticando, no presente, atos capitulados como crimes, alguns sendo condenados, outros esperneando, outros apoiando os que esperneiam... um pandemônio!
Mas vamos à história: muitos de nós sabemos - e o Sr. Jungmann que, aos 65 anos, viu o suicídio do Getúlio, a renúncia do Jânio, as cassações e a ditadura, e de permeio, figuras ligadas ao crime "popular" (não oficial) e um montão de maracutaias - também poderá saber de Castor de Andrade e seus herdeiros, os quais encabeçam a lista de contraventores (envolvendo crimes, violência e corrupção) referidos em matéria específica na página eletrônica Terra (http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/jogo-do-bicho/), incluindo o agora emblemático Carlinhos Cachoeira que, segundo a página, criou uma teia de relações com empresários e políticos.
Pode ser que o Sr. Jungmann não ache que essa história de criminosos e contraventores, sempre na proximidade de empresários e políticos, nada tenha a ver com a situação atual no país. O que vivemos não é resultado de uma geração espontânea, que surgiu de repente para assustar-nos. Tudo isso foi tecido durante um longo tempo e não vai ser da noite para o dia que o ministro conseguirá acabar com a bagunça.
Nota Pessoal - ilustro o assunto com um fato ocorrido comigo: entre 1980 e 1984, fui comandante do 15º Batalhão de Polícia Militar da PMMG, em Patos de Minas. Na década de 1960, servindo em Passos-MG, tive como vizinhos e amigos um casal de idosos e três filhas, tendo ficado conhecendo alguns cunhados dessas últimas. Um belo dia, aparece-me um deles, em Patos de Minas. Abordou-me, dizendo que iria ser editada uma lei autorizando o jogo do bicho, apenas para quem já tivesse banca. Como não havia jogo do bicho em Patos de Minas, pretendia "montar uma banca" na cidade, de modo que, quando saísse a lei, só ele poderia explorar a atividade. Respondi-lhe que o jogo do bicho - em situação irregular - não seria instalado na cidade em que eu exercia o cargo. Caiu na área: "Você não vai fazer isso comigo!". Disse-lhe que não tinha motivo qualquer para concordar com ele, e tinha muitos para não concordar. Disse-lhe mais: se vier a ser editada uma lei como a que você está dizendo, a primeira coisa que irei fazer será abrir uma banca, bem pertinho do quartel. Não poderá imperar reserva de mercado. Pois não é que, algum tempo depois, foi veiculada pela imprensa a notícia de um projeto de lei federal, autorizando o jogo do bicho só para quem já tivesse banca? É óbvio a pessoa que me procurara tinha informação de andamento das " tenebrosas transações" (ave, Chico!), envolvendo políticos, obviamente, para legalizar o jogo do bicho, com reserva de mercado. Certamente, eventual ação política renderia uma nota preta "por fora" (uma estratégia para que rendesse seria o político que tivesse concorrido fosse autorizado pelo bicheiro a apostar, todos os dias, no "bicho que desse").
MELHOR ILUSTRAÇÃO (encontrada em http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1469761):
"3. PL nº 1.212/1991: de autoria do ex-Deputado Paulo de Almeida, dispõe sobre a concessão para a exploração da loteria denominada Jogo do Bicho e dá outras providências. Legaliza a loteria do jogo do bicho e concede anistia para os que tenham sido punidos pela prática. No âmbito desse projeto, a concessão para exploração do jogo do bicho será exclusiva a pessoa física ou jurídica que já explore, comprovadamente, antes da vigência da Lei nova, a loteria denominada Jogo do Bicho. No tocante à distribuição de recursos auferidos, o PL determina que as bancas paguem ao Estado 5% (cinco por cento) sobre a renda bruta do mês; sendo 2% (dois por cento) para o Estado e 3% (três por cento) rateado entre os seus Municípios; e aos corretores zoológicos, 10% (dez por cento) do valor da renda bruta mensal das apostas vendidas;".
Curiosidades:
1. O interessado tinha de provar que havia sido contraventor efetivo.
2. Se não me falha a memória, foi de Sérgio Porto - o Stanislaw Ponte Preta - que li, pela primeira vez, a expressão "corretor zoológico", referindo-se a "cambista de jogo de bicho". Pelo jeito, o autor do projeto pretendeu oficializar a expressão (ou a profissão).
FIM DE PAPO: Paro por aqui. Se enveredarmos pelo "perigoso caminho da galhofa" (ainda Stanislaw) e da malandragem, não haverá papel ou espaço eletrônico que baste.
Imagem: EDELSON FREITAS - O seu portal de notícias.
http://edelsonfreitas.com/portal/tag/jogo-do-bicho/
Ô sô do céu! O ministro descobriu a pólvora! Ou será resultado do alheamento dos políticos, em geral, relativamente à nossa história?
Primeiro que tudo, o Rio de Janeiro é apenas o bode expiatório, porque tem maior destaque. A criminalidade ampliou muito seu território. Segundo, estamos vendo detentores de cargos públicos, em várias esferas, praticando, no presente, atos capitulados como crimes, alguns sendo condenados, outros esperneando, outros apoiando os que esperneiam... um pandemônio!
Mas vamos à história: muitos de nós sabemos - e o Sr. Jungmann que, aos 65 anos, viu o suicídio do Getúlio, a renúncia do Jânio, as cassações e a ditadura, e de permeio, figuras ligadas ao crime "popular" (não oficial) e um montão de maracutaias - também poderá saber de Castor de Andrade e seus herdeiros, os quais encabeçam a lista de contraventores (envolvendo crimes, violência e corrupção) referidos em matéria específica na página eletrônica Terra (http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/jogo-do-bicho/), incluindo o agora emblemático Carlinhos Cachoeira que, segundo a página, criou uma teia de relações com empresários e políticos.
Nota Pessoal - ilustro o assunto com um fato ocorrido comigo: entre 1980 e 1984, fui comandante do 15º Batalhão de Polícia Militar da PMMG, em Patos de Minas. Na década de 1960, servindo em Passos-MG, tive como vizinhos e amigos um casal de idosos e três filhas, tendo ficado conhecendo alguns cunhados dessas últimas. Um belo dia, aparece-me um deles, em Patos de Minas. Abordou-me, dizendo que iria ser editada uma lei autorizando o jogo do bicho, apenas para quem já tivesse banca. Como não havia jogo do bicho em Patos de Minas, pretendia "montar uma banca" na cidade, de modo que, quando saísse a lei, só ele poderia explorar a atividade. Respondi-lhe que o jogo do bicho - em situação irregular - não seria instalado na cidade em que eu exercia o cargo. Caiu na área: "Você não vai fazer isso comigo!". Disse-lhe que não tinha motivo qualquer para concordar com ele, e tinha muitos para não concordar. Disse-lhe mais: se vier a ser editada uma lei como a que você está dizendo, a primeira coisa que irei fazer será abrir uma banca, bem pertinho do quartel. Não poderá imperar reserva de mercado. Pois não é que, algum tempo depois, foi veiculada pela imprensa a notícia de um projeto de lei federal, autorizando o jogo do bicho só para quem já tivesse banca? É óbvio a pessoa que me procurara tinha informação de andamento das " tenebrosas transações" (ave, Chico!), envolvendo políticos, obviamente, para legalizar o jogo do bicho, com reserva de mercado. Certamente, eventual ação política renderia uma nota preta "por fora" (uma estratégia para que rendesse seria o político que tivesse concorrido fosse autorizado pelo bicheiro a apostar, todos os dias, no "bicho que desse").
MELHOR ILUSTRAÇÃO (encontrada em http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1469761):
"3. PL nº 1.212/1991: de autoria do ex-Deputado Paulo de Almeida, dispõe sobre a concessão para a exploração da loteria denominada Jogo do Bicho e dá outras providências. Legaliza a loteria do jogo do bicho e concede anistia para os que tenham sido punidos pela prática. No âmbito desse projeto, a concessão para exploração do jogo do bicho será exclusiva a pessoa física ou jurídica que já explore, comprovadamente, antes da vigência da Lei nova, a loteria denominada Jogo do Bicho. No tocante à distribuição de recursos auferidos, o PL determina que as bancas paguem ao Estado 5% (cinco por cento) sobre a renda bruta do mês; sendo 2% (dois por cento) para o Estado e 3% (três por cento) rateado entre os seus Municípios; e aos corretores zoológicos, 10% (dez por cento) do valor da renda bruta mensal das apostas vendidas;".
Curiosidades:
1. O interessado tinha de provar que havia sido contraventor efetivo.
2. Se não me falha a memória, foi de Sérgio Porto - o Stanislaw Ponte Preta - que li, pela primeira vez, a expressão "corretor zoológico", referindo-se a "cambista de jogo de bicho". Pelo jeito, o autor do projeto pretendeu oficializar a expressão (ou a profissão).
FIM DE PAPO: Paro por aqui. Se enveredarmos pelo "perigoso caminho da galhofa" (ainda Stanislaw) e da malandragem, não haverá papel ou espaço eletrônico que baste.
Imagem: EDELSON FREITAS - O seu portal de notícias.
http://edelsonfreitas.com/portal/tag/jogo-do-bicho/
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