11 de jul. de 2026

ACORDA BRASIL! JÁ NÃO SOMOS OS MELHORES DO MUNDO HÁ MUITO TEMPO!

Em edição de 3 de dezembro de 2022
(
https://cadikimdicadacoisa.blogspot.com/2022/12/na-copa-de-14-cadikim-chamou-atencao.html), cadikim lembrou que, na Copa de 2014, chamara a atenção dos "otimistas" que davam a entender que aquela Copa já estava ganha (https://cadikimdicadacoisa.blogspot.com/2022/12/na-copa-de-14-cadikim-chamou-atencao.html). Assinalou, que comentaristas diziam "no mata-mata, vamos enfrentar...", antes que a fase de grupos já estivesse definida; e que já tinha gente dizendo que a brasileira iria cruzar com a francesa na final. Então, arrematou: "A seleção brasileira só irá cruzar com qualquer seleção na final, se chegar à final... sem premonições, previsões, estimativas, mas jogando futebol".

Na edição de 13 de julho de 2024 (https://cadikimdicadacoisa.blogspot.com/2024/07/futebol-brasileiro-nao-e-o-melhor-do.html), cadikim atreveu-se a enunciar aquilo que era óbvio para si, mas que poderia ensejar até reprimendas: "FUTEBOL BRASILEIRO NÃO É O MELHOR DO MUNDO HÁ MUITO TEMPO. NEM MAIS O MELHOR DA AMÉRICA. NEM DA AMÉRICA DO SUL". Do mundo, desde 2002. Nas Américas ficou abaixo do quarto lugar na Copa América de 2024, desclassificado, atrás de uma seleção norte americana e três sul americanas. Em 18 de abril deste ano, editou a publicação acima porque, tendo ouvido alguém falando em "melhor futebol do mundo", sugeriu: Melhor calçar as tais sandálias.

Realça que não se ganha competição antes de disputá-la. E não são previsões otimistas que irão melhorar nosso futebol. Cumpre entender que não foi a Noruega que nos eliminou. Marrocos também ficou com "culpa no cartório", deu sua módica contribuição.

Por que chegamos a este ponto?

Penso que é preciso ponderar muita coisa. Acima de tudo, estilo de jogo. Acho que as táticas, que estão ficando monótonas (todo mundo tem igual ou quase), mataram o talento.  O trabalho tático é muito importante. Mas o preparo técnico individual é indispensável. É o bom preparo técnico individual que permite a execução de manobras táticas produtivas. Tenho insistido em que há muito jogador de Série "A" matando bola para o adversário e errando passe. São fundamentos elementares. É assunto pra "mirréis".

Técnico também é um assunto importante. Se a seleção brasileira tivesse chegado pelo menos à final, teria ficado claro que nosso problema é o técnico. Não ficou. O técnico famoso não conseguiu fazer a seleção ser finalista na Copa. Malhando o Ancelote? Jeito nenhum! Considero um fator altamente desfavorável a ele: atuando em clubes europeus, podia indicar jogadores para cada posição e o clube contratava. Em qualquer seleção, a situação é desfavorável: só pode contar com os jogadores nacionais. O universo de escolha é infinitamente menor. Dinheiro nenhum resolve isto. Ora direis: ah! mas o Jorge Jesus e o Abel Ferreira deram certo. É só olhar para os elencos do Flamengo e do Palmeiras.

Um fator que considero desfavorável ao técnico é o comportamento da imprensa, querendo plantar jogadores na seleção. É tarefa do técnico. A seleção perdeu, a imprensa ataca o Ancelote. Ninguém ataca a imprensa que insistiu na convocação de Neymar que fez quase nada além de um gol de penalte e um cartão amarelo, mais aquele lenga lenga com o goleiro norueguês, como se aquilo pudesse mudar o resultado do jogo.

Da insistência por Neymar reporto-me à publicação no cadikim de 18 de julho de 2012 (https://cadikimdicadacoisa.blogspot.com/2012/07/e-se-neymar-tiver-um-piriri.html), sob o título "E SE NEYMAR TIVER UM PIRIRI?".

Impliquei com o texto de capa da revista Veja, estampando foto de Neymar na capa, com o uniforme da Guarda da Rainha:

"Neymar é a esperança de medalha de ouro inédita no futebol".

Era a Olimpíada de 2012, na Inglaterra. A implicância era pensando em como se sentiriam os outros jogadores, a comissão técnica... enfim, demais participantes da seleção. Só o Neymar resolveria? Afinal, lembrei Millôr Fernandes ensinando que, com trabalho de equipe, podemos dispensar os herois.

Aquela seleção olímpica não foi campeã; só aconteceu em 2016. Em 2014 sobreveio aquele "piriri", em forma daquela entrada desleal e violentíssima que o impediu de seguir, por causa de lesão muito grave na coluna.

Uma ideia que tenho exposto no cadikim, várias publicações, é de se adotar uma administração eficiente e eficaz no futebol em geral, que se incorpore à seleção brasileira. Pelo menos, os resultados indicam que desde 2002 as coisas vão de mal a pior.

Tenho feito comparações com o voleibol brasileiro. Nos últimos 25 anos, a seleção brasileira masculina conquistou medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas, 2004; campeonatos mundiais em 2002, 2006 e 2010; ouro na Liga Mundial em 2001, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 e 2009; ouro em Copa do Mundo em 2003 e 2007; ouro na Copa dos Campeões em 2005, 2009 e 2013; ouro nos Jogos Panamericanos em 2007 e 2023; ouro em Campeonatos Sulamericanos em 2001, 2003, 2005, 2007 e 2009;  medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2016; a Liga das Nações em 2021; a Copa do Mundo em 2019.

A seleção feminina tem desempenho e prestígio internacionais semelhantes. Não é preciso alongar.

O número de times de voleibol de alto nível existente no Brasil não é  maior do que o número dos times de futebol que disputam a série "A". Mas poucos do futebol têm o nível  técnico no patamar do voleibol em cada categoria. Nos últimos anos, temos balançado entre Flamengo e Palmeiras. Alguns "brigam" por vaga na Libertadores, na Sulamericana, na Copa do Brasil. E não pequeno o número dos que se esforçam para não cair. O universo para seleção no voleibol é de muito melhor qualidade. A capaciade técnica individual é muito mais eficiente do que no futebol. Enquanto aqui jogadores de série "A" matam bola para o adversário e erram passes, no volei o líbero recebe um saque a mais de 90 Km/h e põe em condições de jogo na quadra. 

Por que será, hein? Será que não vale a pena estudar isso?


Imagem: aqui vale.

https://portalaquivale.com.br/eliminacao-do-brasil-da-copa-do-mundo-rende-chuva-de-memes

27 de jun. de 2026

O TAL "HAT TRICK" É UMA IMITAÇÃO DE INGLESES. NÃO TEREMOS COISA MELHOR PARA INDICAR O TRI ARTILHEIRO?

 Primeiro eram os franceses os imitados. Era chique parecer francês. Não sei se vem daí a ideia de Nelson Rodrigues de que o brasileiro tem "complexo de vira-latas" - sentimento de inferioriade do brasileiro relativamente a outras nacionalidades (facebook - https://www.facebook.com/watch/?v=984709310259403). Daí precisar imitar. Há informações suficientes na rede.

Agora é o tal hat trick. Fui buscar também. Três gols em um jogo.

Como sou avesso a imitações de coisas da estranja - acho que em nada nos valorizam - cogito se não teremos coisa melhor. Porque nós brasileiros também temos especificidades que, não raro, encantam pessoas de outra nacionaliade.

Nem é preciso inventar. Se um jogador brasileiro marcar três gols em um jogo, acho que fica melhor do que a expressão estranjeira dizer que pode pedir música no fantástico. Criação nossa, cuja autoria desconheço mas que volta e meia ouço em jogos de futebol.

Patriotada minha? Sei lá. Apenas valorizo muito o que é nosso, sendo bom.

RECORTE DE VÍDEO PORTAL TIMES - LINK ABAIXO
Só que o Ronaldo Fenômeno também cobrou a música do Fantástico. A regra referia-se a três gols no domingo. Ronaldo marcou três na quarta feira. Cobrou de Tadeu Shmidth.

Para quem quiser detalhes: Portal Times.

Imagem congelada. Vale a pena assistir ao vídeo e ler a reportagem esclarecedora.

https://portaltimes.com.br/quais-sao-as-regras-para-pedir-musica-no-fantastico/


17 de jun. de 2026

O FUTEBOL BRASILEIRO PRECISA É DE UM PLEBISCITO

Em 18 de julho de 2012 - ano de nascimento deste cadikim - foi publicada a matéria intitulada "E SE NEYMAR TIVER UM PIRIRI?" (https://cadikimdicadacoisa.blogspot.com/2012/07/e-se-neymar-tiver-um-piriri.html). O mote foi uma publicação na revista Veja, foto de Neymar na capa e a expressão: "Neymar é a esperança de medalha de ouro inédita no futebol".

No texto, alguns questionamentos:

"Isto será bom para os demais jogadores? E o técnico? Não conta? A comissão técnica? Os cartolas? Todos dispensáveis? Só o Neymar resolve? Ou só resolve o Neymar?"

A seleção olímpica de 2012 não foi campeã. Foi acontecer só em 2016, após a desastre de 2014, com a seleção principal, Neymar vítima de um "piriri" na forma de uma entrada desleal de adversário, atingindo a coluna e pondo-o fora de combate.

Penso que estamos revivendo 2012. O nome de Neymar está sendo mais falado do que o somatório de todos os jogadores da seleção 2026.

Cadikim repete a pergunta: isto é bom para o ambiente, para os demais jogadores? Sentir-se-ão bem, capazes, confiantes, presenciando toda essa lereia de achar que o Neymar tem de jogar? E não será tudo isso um jogo de cena, para, se a seleção fracassar, poder dizer: "tentamos de tudo!".

Não podemos nos esquecer de que a seleção de 1958 entrou em campo, no primeiro jogo, com Gilmar, De Sordi, Belini, Orlando e Nilton Santos; Dino Sani e Didi; Joel, Mazola, Dida e Zagalo. E fez a última partida para tornar-se campeã com Gilmar, Djalma Santos, Belini, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagalo.

Em 1962, Pelé machucado deu lugar a Amarildo, que se portou muito bem.

Nas outras seleções campeãs houve modificações também.

Por que diabos não conseguem um jogador capaz de substituir Neymar? Brasileiro Profissão Esperança? Quem sabe Neymar se recupere...

Não vejo como os companheiros de Neymar possam estar seguros de suas qualidades.

Não é preciso ser especialista para entender que o futebol brasileiro está enfraquecido. Dois clubes da série "A" disputam as primeiras colocações e as avaliações de terem os melhores jogadores.

No tempo das "vacas gordas", tínhamos um número maior de times.

No espaço da atual pobreza de times de série "A", temos um voleibol multicampeão, com um número muito grande de times atuando em nível técnico, físico, discipinar, etc., nesse esporte, sim, a camisa amarela é respeitada por adversários poderosos.

RECORTE DE MERCADO LIVRE
O que aconteceu com o nosso futebol? Quais os fatores de nossa fragilidade?

Partindo do princípio de que temos no Brasil mais de duzentos milhões de técnicos de futebol, não pode ser dada como desprezível a realização de um plebiscito, para avaliar o que o brasileiro comum pensa dos atletas, dos treinadores, dos
árbitros, dos dirigentes, enfim, dessa massa enorme de pessoas que dirigem um futebol que rende muito mais grana dos que renderam os três primeiros títulos juntos.

Quem sabe brasileiros desconhecidos e ignorados possam apontar uma solução...

11 de jun. de 2026

JÁ GANHAMOS!!!!

 Foi assim que entendi os comentários que ouvi pela TV: se ganharmos de Marrocos, classificaremos em primeiro lugar; se emparmos com Marrocos, atropelamos o Haiti e o Brasil fica em primeiro pelo saldo de gols.

Nenhuma referência a qualquer possibilidade de a seleção brasileira perder pela marroquina. Nem de empatar ou perder para a escocesa.

Rumo ao hexa, gente!



Imagem: Folha de São Paulo.



9 de mai. de 2026

ADONIRAN BARBOSA ETERNO

Pela CNN, vejo a notícia:

"À CNN, Flávio diz que chapa com Ciro Nogueira como vice foi 'cortesia'".

(https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/a-cnn-flavio-diz-que-chapa-com-ciro-nogueira-como-vice-foi-cortesia/).


Está, na mesma página, que o Senador candidato afirmou que


" ... a sua declaração de considerar o senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo de operação da PF na última quinta-feira (6), como seu 'vice dos sonhos' foi apenas uma 'cortesia'."


Há explicações do Senador sobre a indicação do "vice dos sonhos", "... porque isso vai acontecer mais pra frente, nas convenções".

Acostumado a esse tipo de reviravolta, frequente quando uma pessoa cai em desgraça, amigos e quejandos dizem que "foi um encontro fortuito...", que "foi uma foto aleatória...", etc, acabei lembrando de publicações esta "intimorata página" (salve Stanislaw Ponte Preta!) já foi plataforma para registro de uma frase do Adoniran Barbosa, a caráter para a circunstância. Curiosos poderão ver em https://cadikimdicadacoisa.blogspot.com/2017/09/pmdb-da-camara-cada-um-fala-o-que.html e https://cadikimdicadacoisa.blogspot.com/2021/06/nas-letras-de-nossas-cancoes-politica.html.

Pois bom: não pude deixar de voltar a Adoniran Barbosa com seu samba "No Morro do Piolho". Fala que, como "Charutinho", personagem que encarnava no rádio-teatro, "No Tempo das Malocas", foi eleito governador do tal Morro. Desconfianças e investigações indicaram que o eleito para vice - o Panela de Pressão - havia feito mutretas eleitorais. Só que conseguiu safar-se, o que levou Adoniran Barbosa a finalizar o samba:

"Esse negrão, quando vê a coisa preta, vai dizendo: tô inocente! Não conhece mais ninguém."


Vale a pena conhecer o samba, no qual Adoniran explica os métodos de investigação, de modo muito peculiar e sutil.




Imagem: Discos do Brasil.

https://discografia.discosdobrasil.com.br/discos/adoniran-barbosa-documento-inedito


Para ouvir com Adoniran Barbosa: YouTube.

18 de abr. de 2026

NAS LETRAS DE NOSSA CANÇÕES - ROMANCE DE UMA CAVEIRA

 

"O caveiro tomou uma bebedeira

e matou-se de um modo romanesco

por causa dessa ingrata caveira

que trocou ele por um defunto freco."


Dupla Alvarenga e Ranchinho com Chiquinho Sales em "Romance de Uma Caveira (Lançamento em 1940)


ALVARENGA E RANCHINHO

Para ouvir com Alvarenga e Ranchinho: Youtube


Foto: WikipédiA.


16 de mar. de 2026

ME CONTARAM...

 


"Quem vai administrar a Justiça

há de temê-la."

Setanti


Colhido em "Frases de Cabeceira", Editora Record, Seleção de Gerald Goodfrey, Tradução de Geir Campos.



26 de fev. de 2026

OS GOLS DE DEUS

Não pretendo discutir o comportamento religioso de quem quer que seja. Nem posso porque creio em Deus e na proteção que tenho dele mas não me dedico a qualquer religião de modo externo, ou seja, não cumpro preceitos protocolares adotados em várias organizações religiosas. Mas acho algo de incoerente artilheiros  - em qualquer posição em que atuem - proclamarem que o gol não foi deles, mas de Deus. A propósito, já tratei do assunto, quando Bruno Henrique, depois de expulso de campo por entrada muito violenta em adversário, disse, em entrevista, que Deus o havia abençoado com o gol da vitória (https://cadikimdicadacoisa.blogspot.com/2019/03/ponham-deus-fora-disso.html).
Ontem, no jogo Cruzeiro x Corinthians, João Pedro, o artilheiro do Corinthians no jogo com o gol de empate, gesticulou mais de uma vez e muito animadamente, indicando que o gol não fora dele, fora de Deus.
Parece que ouvi em algum catecismo que Deus não prometeu resolver os problemas de seus filhos - todos iguais para Ele. Disse, sim, "faze da tua parte que eu te ajudarei". No caso, se o jogador dedicou-se nos treinos, cuidou de sua saúde física, psíquica e espiritual, certamente fez jús a alguma ajuda do Criador, para que fizesse a jogada certa.
Um ponto interessante é que o gol foi marcado exatamente no momento imediato àquele em que o juiz havia expulsado do campo o jogador William.  Ou seja, com o time do Cruzeiro inferiorizado numericamente, Deus entrou em campo para aumentar a inferioridade do Cruzeiro e ainda marcou o gol de empate. Não faz parte do perfil de Deus nas religiões que conheço. Justo, magnânimo, misericordioso, ama igualmente todos os Seus filhos e, por isto, deve torcer para time nenhum. O gol do João Pedro foi muito bonito e não é pecado orgulhar-se dele e assumir a autoria.
O episódio lembrou-me uma outra narrativa que não posso afirmar seja verdadeira ou uma estória criada por escritor. Em Niterói, o Canto do Rio jogava contra um time, cujo nome não me lembro, o qual tinha como capitão um pastor religioso. O juiz marcou um lateral para o Canto do Rio, o capitão pastor aproximou-se dele disse, calmamente: juiz, o lateral foi nosso. Deus está vendo. Daí a pouco, o juiz marcou uma falta para o Canto do Rio, o capitão voltou, com a mesma calma e disse: juiz, não foi falta. Deus está vendo. E assim foi seguindo até que o juiz marcou um pênalte a favor do Canto do Rio. O capitão pastor chegou-se ao juiz e disse: juiz, não foi pênalte. Deus está vendo. Foi aí que o juiz não se aguentou e disse: neste exato momento Vasco e Flamengo estão jogando no Maracanã. Você acha que Deus veio assistir a este jogo aqui?

Nota: Não posso dar o crédito porque não me lembro onde li esta estória interessantíssima.

PARECE COM HOJE

Andando pela rede encontrei o que não procurava mas que me impressionou. "PROPAGANDA ELEITORAL";



 Está no "Correio da Manhã", edição de 23 de outubro de 1955, 5º caderno, pág. 8, assinado por Jorge (https://memoria.bn.gov.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx?bib=089842_06&pagfis=54291&url=http://memoria.bn.br/docreader#).

Acho que mudou muito pouco.


18 de jan. de 2026

TRANSPARÊNCIA

 O celular veio viabilizar o compartilhamento público daquilo que poderia ser uma comunicação privada. Andando pelas ruas a gente consegue ouvir pessoas falando muito alto de seus negócios e, sem mais explicações, a interpretação é de quem ouve.

Foi numa dessas que ouvi de uma pessoa desconhecida uma expressão que achei muito estranha, parecendo que a intenção do declarante era realçar a qualidade de seu produto ou serviço. Ouvi claramente:

"Com a maior transparência possível!"

Não pude deixar de pensar: transparência é ou não é. Não tem esse negócio de graduar em maior e menor. Por "a maior transparência possível" eu não faria negócio com aquele cara.


Imagem: SOTTILE CASA.

https://www.sottilecasa.com.br/taca-de-cristal-lapidado-p-vinho-tinto-108069?srsltid=AfmBOoozRIYNzjf5lSkrEZe5Txm91yxJiw8EMObfiFUHd4-q0FTtAfbv


13 de dez. de 2025

POLÍTICA ERRÁTICA

Não sou especialista. Acho que não precisa.

Desde a imposição de tarifaços ao Brasil, pelos Estados Unidos, e, a reboque, da submissão do Ministro Alexandre de Moraes aos gravames da lei magnitsky, venho engolindo cobras e lagartos que uma emissora de tv - em especial a Jovem Pan - lançou aos ares, na vigência dos rigores estadunidenses.

Principalmente no programa "OS PINGOS NOS IS", assisti, diariamente, a uma exaltação dos Estados Unidos, o país mais poderoso do mundo, mais forte militarmente, mais...mais...mais... Chegavam a falar abertamente em retaliações gravíssimas possíveis, dos Estados Unidos ao Brasil, um fracote em comparação com aquela potência, caso não houvesse modificações nas providências processuais que envolviam o ex-presidente da República e outros.

Imediatamente aos atos restritivos dos Estados Unidos, senti grande dificuldade em engoli-los. Afinal, o primeiro fundamento instituído na Constituição Federal, na estruração jurídica do Estado Brasileiro - Artigo 1º, inciso I - é a Soberania. Entendo como soberania: estou em minha casa e aqui ninguém tasca. Como a gente não tasca nada nas casas alheias. São valores de todos os povos. Também não me passava pela garganta o fato de um deputado federal ir a um país estrangeiro pedir que interviesse no seu próprio país, através de medidas prejudiciais ao povo e à economia desse mesmo país. Achava que era desconsiderar a soberania brasileira, negação da Carta Magna, para submetê-la a um Estado estrangeiro. Admitia que tivesse ido a uma organização internacional de que o Brasil fizesse parte, e que tivesse, em seus Estatutos, poder para intervir em qualquer Estado partícipe, para proteger Direitos Humanos. Não a outro país, independentemente de ser máxima potência ou não. Ainda mais nos Estados Unidos, membro fundador e permanente da ONU.

Pensei, também, que as ações estadunidenses não resistiriam à leitura dos mais elementares princípios da Carta das Nações Unidas. Não tenho profundidade de conhecimento. Por isto limito-me a transcrever o Segundo Propósito das Nações Unidas.

"2. Desenvolver relações amistosas entre as nações, baseadas no respeito ao  princípio de igualdade de direitos e de autodeterminação dos povos, e tomar outras medidas apropriadas ao fortalecimento da paz universal.".

Quis entender que o governo estadunidense poderia fazer as restrições que entendesse adequadas, da estátua da Liberdade para dentro. Nada que atingisse qualquer atividade fora de suas fronteiras. Que taxasse para ingresso em seu território, tudo bem; proibisse personas não gratas de ingressar em seu território, tudo bem; bloquear bens de quem achou vantagem em colocar coisas em seu território, tudo bem; mas não concordava com que as sanções estendessem seus tentáculos a outros países. Dentro do seu território, a Justiça resolveria eventuais demandas dos prejudicados. Também não me passou pelos gargumilos aquela manifestação do senador irmão do tal deputado federal, quando de ataques da armada estadunidense a pescadores venezuelanos, sugerindo - quase pedindo - que os EEUU mandassem a armada à Baía da Guanabara, para exterminar traficantes.

Tive, também, a veleidade de achar que as taxações poderiam ser um risco na água. Penso que não é preciso ser economista para pelo menos pensar em que produtos mais elevadamente taxados, para serem vendidos nos Estados Unidos, acabariam por ter seus preços muito aumentados, aumentos que incidem, como de costume lá e cá, sobre o povo.

Observei, também, que o presidente dos Estados Unidos estendia suas intenções e seus desejos muito além das singelas taxações e restrições da tal lei lá deles. Passaram por minha mente duas ideias - uma "de minha modesta lavra", outra colhida em exemplar da revista "As Aventuras de Asterix - o Gaulês", pelas quais tenho grande admiração. Deixo essas duas ideias para o final.

Veio-me à mente, também, o moleque que foi meu irmão caçula, o Cícero (aos 83 anos ainda é). Custoso, aventureiro, gostando de viver perigosamente. Nossa mãe, Dona Ephigenia, levava numa boa. Dizia que o Cícero não repetiria uma ação pela qual tivesse sido castigado ou sequer admoestado. Preocupava-se era com a próxima, que ele sempre faria uma próxima. Espero que o Cícero não se importe com a comparação que faço: assim é o presidente Trump.

Por que nada escrevi sobre tudo o que pensei? Tive receio de estar pensando errado, pensando que o direito da força irá sempre prevalecer sobre a força do direito. Incomodavam-me muito as colocações dos comentaristas do "Os Pingos nos IS", contrariando meus devaneios. Deles ouvia, diariamente, que o Brasil era um anão esquálido, desnutrido, depauperado, um povo que "continua cagando atrás da moita" (*), enquanto que os Estados Unidos são a máxima potência que pode esmagar o Brasil num estalar de dedos. Cheguei a pensar que o que o governo brasileiro deveria fazer, imediatamente, era entregar a chave para o Trump.

O governo brasileiro optou pela resistência. Telefonou e não foi atendido. Resolveu ficar na moita, agora não para cagar, mas para elaborar ideias e ações de diplomacia, afirmando que estava aberto a negociações, et cetera e tal.

Pois bom! Algumas das consequências previsíveis daquelas ações estadunidenses foram surgindo aqui e ali: insatisfação do povo, tanto com o aumento dos preços quanto com desabastecimento; queda da avaliação do presidente, por causa dessas mesmas ações; e até desaprovação do Judiciário.

Enquanto "Vanja vai, Vanja vem" (expressão cunhada por Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo de Sérgio Porto), o presidente dos Estados Unidos abre-se a um encontro com o presidente brasileiro.

As coisas mudaram, começando pela exclusão dos tarifaços. E as conversas foram-se ampliando. Penso que as conversas com o Lula pareceram a Trump mais interessantes para os EEUU e para ele do que as do deputado federal brasileiro que ainda se vangloriava de que qualquer discussão sobre tarifaço tinha de passar por ele.

Culminou com a exclusão dos nomes do Ministro Alexandre de Moraes e de sua esposa da "lista negra" de pessoas atingidas a pretexto da tal lei estadunidense.

Vejo, na mídia, que o motivo dessa exclusão terá sido a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do PL da Dosimetria.

Para mim, argumento para inglês (ou estaduniense) ver. Em comentário televisivo, encontrei pelo menos uma opinião parelha.

Afinal, por que o Ministro Alexandre de Moraes mereceria a clemência dos Estados Unidos, se o castigo aplicado não o fez eliminar o motivo da sanção. "Castigado" em 30 de julho, não se "emendou" e sancionou severamente o ex-presidente da República, seguindo severo em outros julgamento. Também não moveu um dedo sequer na decisão da dosimetria, ora arte e responsabilidade histórica da Câmara dos Deputados. Ação exclusiva do Legislativo, na Câmara, podendo vir a ser mudada no Senado, para mais favorável ou menos favorável aos condenados. Podendo, também, vir a ser vetada pelo Presidente, e podendo o veto vir a ser derrubado no Congresso. Sem excluir a hipótese de alguém levar o assunto ao STF, alegando inconstitucionalidade.

A consequência mais ampla que vejo na exclusão dos dois nomes da "lista negra", justo no momento em que foi votada a Dosimetria, que vai para decisão do Senado, sempre com a possibilidade de judicialização, é que, se o assunto subir ao STF, a posição do Ministro Moraes sobre as condenações estará tremendamente reforçada pelo ato dos Estados Unidos, posto que, tendo sido "castigado" pela "rudeza com tratou os réus", o castigo foi retirado sem que o Ministro tivesse mudado seu rumo.

Aguardemos os desdobramentos.

Para terminar, três explicações:

Primeira: a expressão marcada com (*) foi retirada do blog "PROSA & POLÍTICA", blog da Adriana Vandoni, em uma publicação do cadikim, de abril de 2012. Procurei esse blog na rede e encontrei uma tela de que a página não está mais encontradiça.

Segunda: Ilustro a referência à curiosidade de saber qual será a próxima do Trump com um desenho de Albert Uderzo na revista "Aventuras de Asterix - o Gaulês", texto de René Goscinny.

A INSACIÁVEL AMBIÇÃO DOS PODEROSOS 

Edição em 13/05/2025:

"Os poderosos gostam das coisas que não estão no cardápio."

(do filme "Mãe", Netflix).

 

Terceira: chamo uma publicação do cadikim, em 10/04/2012, para comentar a postura do Presidente Lula, preferindo enfrentar as dificuldades da taxação, quando Trump fez ouvidos moucos ao seu telefonema, e buscar solução diplomática.

5 de mar. de 2012

ANÃO X GIGANTE - BRIGA RUIM!

A briga do gigante com o anão só é boa para o anão.

Davi desafiou Golias, que encarou. Davi venceu. Saiu

na Bíblia. Se Golias tivesse vencido

não saí nem neste blog.


               

  

2 de dez. de 2025

FRASES DE CABECEIRA: A ARTE COMO OBJETIVO



"A arte não tem como objeto deixar obras que o tempo deteriora, mas sim fazer que surjam artistas em todas as pessoas e despertar na criatura comum o gênio adormecido."

FRIEDRICH NIETZSCHE

FONTE: FRASES DE CABECEIRA 3



19 de nov. de 2025

NAS LETRAS DE NOSAS CANÇÕES

 

"As tuas mãos estão tão frias,

estão vazias dos meus beijos.

As minhas mãos, talvez não sintas,

estão famintas de desejo!"


Luiz Antônio em Poema das Mãos.




Imagem de Luiz Antônio e Miltinho: Carlos Romero
AMBIENTE DE LEITURA.

Curiosos da Música Popular Brasileira irão encontrar uma enorme e linda história de vida: um Coronel do Exército Brasileiro escondido dentro de um grande compositor. O link abaixo leva a uma viagem cultural mágica!


Para ouvir com Miltinho: YouTube.

https://www.youtube.com/watch?v=BnfIkYBDPx8&list=RDBnfIkYBDPx8&start_radio=1


16 de nov. de 2025

PAREM DE FALAR NO NEIMAR!

Em 18/07/2012, às vésperas da participação do futebol nas Olimpíadas, cadikim publicou "E se Neymar tiver um piriri?". Foi a propósito de um texto publicado na revista Veja Olimpíada 2012:

"Neymar é a esperança de medalha de ouro inédita no futebol".

Naquele tempo, pensava simplesmente em que não se podia preocupar com um único jogador. E, principalmente, no que poderia resultar aquela ideia, no psicológico dos demais jogadores da seleção, sem falar no comando técnico e adjacências. A esperança não se realizou. A seleção brasileira não foi campeã. Foi à medalha de outro em 2016, com Neymar capitão do time e autor do gol do empate com a Argentina, na final, e do gol de pênalte da medalha.
Não me lembro de ter visto tanta discussão, tanto empenho em ver um cara na seleção, no caso do Ronaldo Fenômeno, do risco de não tê-lo para a Copa 2002, enfrentando cirurgia e tratamento no joelho. Acho que o Fenômeno foi ótimo paciente tanto no tratamento como na recuperação, operado por um ótimo cirurgião e tratado por ótimo fisioterapeuta. Acabou com a medalhe de ouro, participando de um time prá lá de bom.
Pois bom: agora, discute-se a todo momento, nos programas esportivos televisivos e até especiais, se Neymar terá ou não terá condições de participar da Copa 26.
Ah! Costumam dizer que depende dele o estado em que se encontrará quando da convocação para a realização da copa.
É claro que depende dele e - penso - só dele.
Ficar falando agora, poderá incutir nele a ideia de que é o indispensável, o imprescindível, que sem ele a seleção brasileira não será bem sucedida na Copa 26. Como estará psicologicamente? Previsível?
Volto a pensar nos atuais jogadores da seleção: sem o Neymar serão nada! E o técnico buscado na Europa? Seu sucesso só dependerá também do Neymar?
Penso que a imprensa poderia abrir mão, pelo menos até o final da copa, das polêmicas de que tanto gosta e que ocupam mais de 50% dos espaços destinados ao trato do futebol.
Esqueçam do Neymar. Se estiver bem, é claro que poderá ser convocado. E vir a estar bem não está no controle de mais ninguém, senão que dele mesmo.
Por favor, senhores comentaristas: parem de falar no Neymar! Acho que farão um bem a ele e que, pelo menos, farão nenhum mal aos jogadores que estão participando dos treinamentos e à comissão técnica.
Ninguém precisa adivinhar nada.
Melhor pensar apenas na Copa 26 e na seleção brasileira.



25 de out. de 2025

CADA UM FALA O QUE LHE VEM À CABEÇA. A CONCORRÊNCIA ESTÁ MUITO DIFÍCIL!

É claro que já está sendo explorada a fala estapafúrdia de Lula, de que o traficante é vítima do usuário. Entendi que poderia ter dado sentido diferente ao pensamento: por exemplo, uma campanha para reduzir ou erradicar o uso de drogas, como foi feito, com sucesso, com a droga cigarro. De fato, o uso da droga é que provoca a demanda pela droga, implicando a presença do traficante. Mas o modo de falar ficou e qualquer emenda corre o risco de ficar pior do que o soneto.

A concorrênca? Pois não é que o Flávio Bolsonaro achou de "convidar" os americanos para nos ajudar a combater as organizações terroristas? A CNN publicou:


"O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) escreveu ter 'inveja' dos ataques realizados pelos Estados Unidos e, em resposta a uma postagem do secretário de Defesa Pete Hegseth, questionou se os americanos 'não gostariam de passar alguns meses nos ajudando a combater essas organizações terroristas' no Rio de Janeiro." (https://www.cnnbrasil.com.br/politica/flavio-bolsonaro-diz-ter-inveja-de-ataque-dos-eua-e-cita-barcos-no-rio/).

Também o senador teve de recorrer à emenda do soneto. Para variar, falou que a imprensa deturpa. E mudou um detalhe da fala anterior:


"...olha, aqui na Baía de Guanabara, no Rio de janeiro, eu já ouvi falar que tem navios que entram com muitas drogas por aqui que abastecem o Brasil inteiro e que infelizmente é uma realidade e aí uma parte da imprensa, que já tem uma má vontade com a gente e adora defender um traficante de drogas inventa que eu tô defendendo que se ataque em bombas na Baía de Guanabara no Rio de Janeiro."

(Flávio Bolsonaro diz que fala sobre traficantes no Rio foi distorcida - https://www.youtube.com/watch?v=kNDD6jIrqWI)


Nós estamos espremidos entre esses dois mundos e, qual no embate das ondas com as pedras, viramos mariscos sofredores.

123RF - https://pt.123rf.com/photo_108106112_close-up-de-%C3%A1gua-do-mar-onda-azul-est%C3%A1-batendo-contra-pedras-spray.html








Os fatores permitem esses arroubos são - no meu entender - as decantadas imunidades parlamentares (que penso não serem absolutas; quem quiser que examine na Constituição Federal, o § 1º do art. 155, que acho restringir as imunidades). Permitem, também, no caso do presidente da República, um princípio que nunca vi enunciado: quem tem a última palavra não precisa de argumento.



7 de out. de 2025

NÃO HAVERÁ TERRORISMO ENVOLVIDO?

Tenho a mania de ver fantasmas ao meio dia. Vejo os comentários sobre as bebidas "batizadas" com metanol e os danos que estão causando. Ainda não vi ninguém falar em terrorismo, com reflexos na economia. Só sobre os riscos para a saúde.

Meus fantasmas alertam-me: tem gente ficando sem beber destilados, com medo ou por apenas sentir-se inseguro; tem gente migrando para bebidas sem álcool. Penso que a situação está afetando - e muito - o comércio de bebidas alcoólicas.

Se há incidência em muitas cidades, muitos estados, penso que esse medo está alastrando-se pelo Brasil

Penso que é uma espécie de terrorismo que vai além da simples cupidez, embora tenha visto ninguém tratar como tal.

PS.: Penso que a lei que andam desenvolvendo para considerar a adulteração de bebidas como terrorismo está limitada a adulteração de bebidas. Qualquer tipo de assassinato por envenamento deveria constituir terrorismo. A vítima é pega de surpresa, sem aviso
sinalizando, sem condição para defender-se. Penso que nenhum deputado nem senador quererá ampliar o previsto. Afinal, há várias pessoas sendo processadas sob a denúncia de terem participado de um plano de assassinatos, um deles por envenamento.


Imagem: IPLACAShttps://www.iplacas.com.br/cuidado/veneno ]