10 de mar. de 2012

FIM DE BRIGA. DIPLOMACIA AJUDA.



Aconteceu em Poços de Caldas, há muitos anos. Um amigo, que trabalhava lá, foi quem contou. Dois sujeitos começavam uma briga. Discutiram. Perderam a paciência e dispuseram-se a ir para as tais vias de fato. Foi quando um deles, mais raivoso, provavelmente, vociferou: Você é um filho da puta!
Imediatamente, o outro desarmou as poses de briga, e começou a sair de fininho, dizendo:
- Pronto! Você já ganhou a briga! Nós estamos só começando agora e você já vem com nome de fim de briga! Passe bem! E foi-se.

Foto: euquerotrabalho
http://euquerotrabalho.com/a-carreira-de-diplomata-no-brasil.html

COMENTÁRIOS DE VERSOS



Falei, hoje, sobre uma prática que colhi de um professor de história. Experimentei resgatá-la. Tenho pensado nisto, como uma forma que possa ser considerada agradável, por alguns, e ótima para obrigar esta mente preguiçosa a mexer-se. Em meus pensamentos, lembrei-me de uma criação, de pessoa de quem não me lembro, e que ficou muito interessante. Comentava um episódio havido em uma firma, na qual trabalhava a Norma. Houve um desfalque e Norma foi responsabilizada, ou coisa que tal. Óbvio: foi despedida. Vejam o comentário de versos:

A notícia se confirma
e a firma não se conforma.
A Norma lesou a firma
e a firma saiu da norma.
Logo, a Norma sai da firma.

PS: Tive contato, também, com quadrinhas, uma forma poética bem sintética. Minha mãe adorava! Brinquei com algumas. E conheci outras que achei muito bacanas. Vou escarafunchar a memória e ver se trago alguma coisa.

Imagem: Porteiro de Rua
http://www.blogger.com/blogger.g?blogID=3909210118884130113#editor/target=post;postID=3320479533233333238

9 de mar. de 2012

PENA DE MORTE. E O CARRASCO?


Durante a minha vida, ouvi muito falar que a pena de morte é a que resolve. Assustei-me muito quando, assistindo a uma reportagem sobre o assunto, a coisa foi encaminhada para entrevistas com presidiários. Vários mais velhos diziam que, se fosse adotada a pena de morte, deixariam de assaltar. "Pena de morte é barra!", diziam alguns. Entrevistaram um jovem e ele disse que não deixaria de assaltar, mesmo com a pena de morte. O repórter perguntou se não tinha medo da pena capital. Não, disse ele. Já existe pena de morte. Quando saio para assaltar, saio para matar ou para morrer. Impressionou-me muito. Morrer era um risco inerente à "profissão" dele. De lá para cá, tenho ouvido muita coisa, prós e contras. Sempre fui radicalmente contra. Só os erros judiciários verificados são o bastante para não admitirmos uma pena sem volta.
Há alguns dias, vi uma imagem em uma página de relacionamento, contendo coisas que o brasileiro deveria querer que acontecessem (a maioria delas referindo-se a políticos que entortam o caminho). Um quadro falava em adoção da pena de morte, no Brasil. Um cunhado comentou que concordava com todas as outras maldades, mas que discordava da pena de morte. Postei que também discordo. A maior dificuldade que encontro refere-se ao carrasco. Sendo certo que só a União pode legislar sobre direito penal, e que o Estado é o guardião do sistema respectivo, a função de carrasco há que ser exercida por um servidor público. Combinado que está que o acesso ao serviço público depende de concurso, passei a pensar sobre um edital para concurso ao cargo de carrasco. Que predicados cobrar de um candidato a carrasco? Escolaridade, precisa? Capacidade para matar? Absoluto alheiamento a qualquer forma de sentimento, remorso, constrangimento...? Teria de ter cara própria, semelhante àquelas que vemos nos quadrinhos, nos filmes, nas pinturas?
Penso que seria penoso para os governantes publicar um edital de concurso para carrasco.
Não pude deixar de deter-me sobre o assunto por mais algum tempo. Conjecturei que a função de carrasco merece cargo de nível mais elevado, com boa remuneração. Afinal, por hipótese, o carrasco livra a sociedade de malfeitores. Só pode ser cargo de relevância.
Daí, concluí que carrasco pode ser cargo de confiança, desses que permitem a admissão sem concurso. E, se for considerado, mesmo, de alta relevância social, e, por isto, merecedor de alta remuneração, acho que não faltarão candidatos. Nem pessoas que os indiquem.

Imagem: Contos da Kripta.
https://contosdakripta.blogspot.com/2016/07/a-ultima-execucao-do-carrasco-de-nantes.html

"MEXA ESSE TRASEIRO GORDO"! - BABEL REINA!






É muito fácil a diplomacia. Você pode falar a besteira que quiser e como quiser. Se der bronca, é só fazer um pedido oficial de desculpas: "sorry", "scusa", "désolé", "triste" (gostei muito desta tradução), "Կներեք" (eu tinha de achar pelo menos uma dessas aí, para vocês me tomarem por troglodita ... er... poliglota)... E tudo volta a ser como antes, na casa de Abrantes.
É só pôr a culpa na tradução (diz-se das traduções que são como as mulheres: as fiéis não são boas e as boas não são fiéis. Machismo, hein?). Coisa difícil! As relações internacionais deveriam estar todas enroladas.
Ser autoridade também é muito fácil. Qualquer explicação serve. Uma autoridade dessas aí (poderia ser um preposto; não conheço todas as autoridades; são tantas...) afirmou que a liberação de bebida alcoólica na copa é uma medida admissível, que não há risco de violência decorrente. Uai! Não é que me deixaram sem beber cerveja em estádios, por todo esse tempo, a troco de nada? Autoridades mais insensatas! Irá continuar "sem risco de violência", após a copa?
O que há de importante é que, segundo notícias veiculadas (não vi qualquer documento), o governo brasileiro aceitou as condições da FIFA para que o Brasil sediasse a copa (não a CBF, por favor, porque, não tem poderes para aceitar condições cujo controle esteja fora de sua alçada). Se foi assim, o governo não podia ignorar as implicações sociais da decisão, principalmente porque envolvia aspectos que estão fora de seu controle, em face da existência de uma Constituição (que muita gente insiste em não levar a sério).
Mas a ânsia de sediar um evento da FIFA é muito grande, como se fosse uma portentosa realização de governo (temos coisas muito mais importantes para resolver). Vai daí que não parece grave aceitar condições, incondicionalmente (parece esquisito, não é? também achei mas vai assim mesmo, porque acho mais forte). Não terá passado pela cabeça de nossos governantes que a FIFA nunca ouvira um não? Não teria valido a pena arriscar a sede do evento, pagar para ver a reação da FIFA, ante o menosprezo de um evento tido como da maior importância internacional, por respeito a uma coisiquinhadenada chamada soberania? Na minha ignorância da diplomacia, penso que o "seu" Blatter iria assustar-se. Ousadia! Dispensar a honra de se tornar sede de uma copa do mundo!
Bobagem. Vale mais o ensinamento da Dona Mariazinha, de que "quem muito se abaixa a bunda aparece". Por minha conta, vou acrescentando: os puxa-sacos são desprezíveis e desprezados pelos próprios sacos e por seus donos; mulheres muito dadivosas são sempre colocadas em "standby", ao contrário daquelas que querem casar virgens; e assim por diante... No caso da FIFA, eu preferiria correr o risco, mesmo sabendo que ela pode ter um plano "B", em Londres, sede das próximas olimpíadas.

8 de mar. de 2012

TEM SENADOR DEITANDO E ROLANDO

Pode ser que as mulheres aaammmeeeemmm ver e ouvir falar do Dia Internacional Delas. Ta legal! Eu aceito o argumento (salve, Paulinho da Viola! Mas salve também Ivone Lara, que não precisa de dia internacional). Mas que tem gente de montão aproveitando-se e tirando sua casquinha na homenagem, isto tem. Estou sintonizado na TV Senado. Veio um Senador, de mansinho, falar sobre a efeméride. Entusiasmou-se e acabou falando de todas as mulheres de sua própria família. Demais, pros meus sentimentos, tá sabendo? (é uma fala de Chico Anysio, em uma música com Arnaud Rodrigues). O lider do governo não poderia ter ficado de fora e nem deixado de mencionar e saudar Sua Excelência a Sra. Presidente da República. Depois de alguns, o Paulo Paim pegou carona e está enchendo meus ouvidos de coisas bonitas. Ressaltou que já falou sobre o dia da mulher, na última segunda feira, mas que segue hoje, pela importância, blá blá blá... Para mim, a única parlamentar que se salvou foi uma senadora - exatamente "uma membra" (como costumava dizer o Stanislaw) do corpo feminino do Senado. Falou que a mulher não pode estar sendo devidamente valorizada, em um país que precisa ter uma lei Maria da Penha. Eu pensava que era só eu quem não via vantagem na tal lei, principalmente porque acho que discrimina. Qualquer hora dessas, encho-me de antipatia e falo o que penso sobre o assunto.

Foto: Arte e Comunidade
http://artcomunidade.blogspot.com.br/2012/03/8-de-marco.html

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

CHIQUINHA GONZAGA: PARA MIM,
O PARADIGMA DE MULHER: ESNOBOU
A SUBMISSÃO A UM PAI CORONEL DO
EXÉRCITO BRASILEIRO E A UM MARIDO
RICO E FAMOSO, PARA EXERCER SUA ARTE.
VIROU MONSTRO
SAGRADO DA MPB.
Poderei ser considerado antipático. Faz parte do meu perfil. Acho que, se a Constituição Federal exclui da vida em sociedade qualquer tipo de discriminação, penso que fica mal o Estado estabelecer homenagens a gêneros diferentes, a profissionais diferentes, a atividades diferentes. Um montão de homenagens. Sérgio Porto - o Stanislaw Ponte Preta - criticou, há muitos anos (se bem me lembro, em "Festival de Besteiras que Assola o País") um projeto de lei, na Câmara dos Deputados, para criação do Dia da Avó, argumentando o deputado proponente - Stanislaw chamava-o de "cocoroca" - que, até então, ninguém se lembrara de homenagear aquela velhinha simpática, aquele popular símbolo de avó. Stanislaw objetava: ninguém se lembrou de que, antes de ser avó, nenhuma mulher passara sem ter sido mãe antes. Mas a minha bronca não é com a discriminação, não. Só afirmo que esta me incomoda, mas acho que tem coisa mais séria a discutir.
Os tais dias (nada a ver com ciclos femininos, TPM, etc.) só podem ser elevados à categoria de homenagens através de leis. Ou seja, a elevação só é possível se aprovada por parlamentares. Resulta, sem dúvida, que os homenageantes "faturam" mais do que os homenageados. Conseguem - ou pelo menos buscam - atrair para si a simpatia daqueles que gostam da homenagem, um número que precisam eles, políticos parlamentares, seja cada vez maior, porque representam votos. Político precisa distribuir simpatia, na tentativa de equilibrar a balança. Escolhem, sempre, uma categoria sofredora, discriminada, etc., ou uma atividade sumamente complicada, havendo muita gente esperando que a complicação seja excluída. Depois de elevado o dia à categoria "dos tais dias", nenhum compromisso objetivo para excluir a complicação, até, às vezes, por impossibilidade decorrente de malfeitos anteriores. Minha conclusão é no sentido de que "quem tem dia não está com nada" (assumo a responsabilidade). Vamos lá: tem Dia do Lula? Dia da Dilma? Dia do Sarney? Dia do Presidente da República? Dia do Senador? Dia do Deputado? Dia do Eike? Dei uma voltinha na Google e só encontrei "Dia do Vereador" (são mais de cinco mil em todo o país, multiplicadores entre seus seguidores, e mais fáceis de se emocionar com homenagens). Vejamos, agora, o que achei: Dia Mundial da Paz (Credo!); Dia da Gratidão (???); Dia do Enfermo (o INSS e o SUS pedem passagem); Dia do Carteiro; Dia da Previdência Social (os aposentados também pedem passagem); Dia do Zelador; Dia Mundial do Enfermo (olha o enfermo aí de novo; quando o dia é mundial, ou internacional, a coisa é mais séria); Dia do Fuzileiro Naval (se já tem Dia do Soldado, o Fuzileiro Naval já não estará devidamente homenageado? precisa de mais?); tem Dia da Eliminação da Discriminação Racial (avisa aí para alguns torcedores nos estádios de futebol e nos ginásios de voleibol); tem Dia do Circo e Dia do Teatro, no mesmo dia (bacaninha, não? será que a elevação ocorreu em uma lei só, ou foi preciso editar duas?); tem Dia Mundial da Saúde (cuidado, gente! é dia mundial!); tem Dia do Índio, cara! (a Baby Consuelo "do Brasil" tornou famosa a bronca de Jorge Ben Jor); tem Dia do Goleiro (dizia-se que no pedaço em que ele joga não nasce grama); Dia da Educação! (meu Deus!).
Acabei achando Dia do Parlamento e Dia do Legislador. Estão "com muito" mas é de dinheiro, prestígio, broncas e quejandos. E não vou enumerar o ano inteiro. Vou finalizar com as atenções de legisladores para com uma das atividades mais complicadas, mais complicadoras, mais caóticas que temos neste país: o trânsito. Antes, era só dia; depois, foi elevado à categoria de semana; agora, temos a Década de Ação Para Segurança no Trânsito. Maamããããããe! É década!!!!!
Afirmo, de coração, que tenho nada contra existir um Dia Internacional da Mulher. Mas eu, pessoalmente, não aceitaria que políticos, parlamentares e outros que tais viessem a criar um "Dia do Marco Antônio". Não gostaria de estar na companhia de dias homenageando pessoas e atividades que estão muito por baixo. Dia da Mulher - como, de resto, dia de todos e de tudo - é todo dia. Acrescento: a mulher não alavancou seu status social nem batendo panela, nem fazendo protestos. Foi mostrando serviço!

6 de mar. de 2012

OUTRA VEZ AS CRÍTICAS AOS JUÍZES

Não morro de amores pelos juízes de futebol. Mas acho a vida deles bem dificil. Domingo último, América e Atlético jogaram pelo campeonato mineiro. O juiz expulsou um jogador do América - que vencia o jogo -ainda no primeiro tempo. Esse jogador acertou a canela do atleticano, quando este partia para um contra ataque.Disseram que foi excesso de energia do americano, sem intenção. Claro que, com um jogador a menos, o América acabou não suportando o assédio do Atlético, que virou o jogo. Comentaristas, em geral, criticaram o juiz, taxando-o de precipitado, dizendo que bastava o cartão amarelo, que não houve intenção de agredir. Até gente do próprio Atlético achou exagero do juiz. Daí, foi só um passo para afirmar que juízes mineiros não podem apitar os clássicos do campeonato regional, e jurar que, se o América for às finais, a diretoria do clube irá vetar árbitros mineiros e importar de outros estados. Assisti ao jogo pela tv. O jogador americano chegou com força, a bola havia sido adiantada pelo atleticano, que acabou atingido com violência, na canela. Pode ter parecido um lance sem intenção. Como pode ter sido com intenção. A intenção é propriedade de quem a tem. Os outros só podem conjecturar. Mas há um fator relevante. Há uma intenção evidente - muito provavelmente instigada pelos treinadores - de evitar, a qualquer custo, que seja iniciado um contra ataque. Derrubam, calçam, agarram... E se penso que a intenção é instigada pelos treinadores é porque já houvi treinador dizendo que a falta para impedir o contra ataque é "falta tática". Tática, que eu saiba, é buscar marcação eficaz, movimentação estudada do ataque, para atingir o gol... essas coisas. Falta é falta. E para merecer o vermelho, não é essencial que seja violenta. Tanto que, quando um jogador "apenas" segura um adversário que está prestes a marcar, leva vermelho. E por que não, quando faz uma falta violenta para impedir que o adversário inicie um contra ataque? Muitas vezes, é na ânsia de impedir que se inicie um contra ataque, que o jogador chega "com tudo" e atinge o adversário. E que ninguém venha falar em intenção ou falta de, porque isto pertence apenas a quem faz a falta. A intenção que pesa é a de evitar um contra ataque, a qualquer custo. Aí, o jogador assume o risco, caso em que a intenção pode ser presumida. Mas então, por que é que o próprio adversário sugere que bastava o cartão amarelo? Penso que é porque isto interessa a ele, que também é afeito às faltas táticas. E, importando juízes para os clássicos, fingem que o problema está resolvido. Que o futebol fica mais feio, isto fica!

5 de mar. de 2012

A MÃO QUE TOCA UM VIOLÃO SE FOR PRECISO FAZ A GUERRA

A recíproca é verdadeira. Temos visto a Sra. Presidente da República vertendo lágrimas em algumas solenidades. Por último, foi na posse do Ministro da Pesca. A Presidente emocionou-se e deixou escapar uma ou outra lágrima. Com fama de "durona", com algumas insinuações até de rispidez, a Presidente emociona-se. É a réplica da idéia passada em "Viola Enluarada". Na verdade, está mais para Guevara: "Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura, jamás!"

Imagem: Zé do Rancho em Amantes da Viola.
http://blogamantesdaviola.wordpress.com/2009/08/24/ze-do-rancho/

ANÃO X GIGANTE - BRIGA RUIM!

A briga do gigante com o anão só é boa para o anão. Davi desafiou Golias, que encarou. Davi venceu. Saiu na Bíblia. Se Golias tivesse vencido, não saía nem neste blog.


Foto: Feudalismo Atual.
http://feudalismoatual.blogspot.com.br/2010/04/davi-x-golias-ou-jec-x-avai.html

2 de mar. de 2012

CAÇAROLA - O VALOR DE CADA UM


Caçarola era um soldado da PM, no 12º Batalhão de Polícia Militar, em Passos – MG, nos anos sessenta. Aparência de um tabaréu, fala idem - era o típico roceiro - fazia a faxina do quartel. Não largava sua caixinha de rapé (para quem não conhece outra denominação, penso que vale a pena procurar), do que se aproveitava o major Fleury, para meter o dedo na caixinha e filar uma cheirada. Eu era o capitão Comini. O Caçarola dizia que só admitia que o major Fleury e o capitão Comini o chamássemos de Caçarola. Qualquer outro que o fizesse ele iria dizer que Caçarola é a... bem, passou muito tempo, esqueci-me. Não sei o porquê do privilégio. No tempo em que os pagamentos de vencimentos à tropa eram tardios e o pessoal tinha dificuldades até para comprar meios necessários, o Caçarola comprava a crédito no mercado. Sem fiador. O Caçarola garantia-se. Pagava religiosamente! Certa feita, comprou uma cartucheira (a proteína que consumia vinha de codornas que caçava livremente, num tempo em que isto não comprometia a natureza, já que não havia agrotóxicos nem desmatamento exacerbado, para acabar com os bichinhos dos matos). Pois bem. O Caçarola prometeu pagar em quatro vezes. Comparecia à loja, efetuava o pagamento de uma prestação e solicitava ao vendedor que lhe deixasse ver a arma. O vendedor repetia o que já lhe havia dito quando da compra e primeiro pagamento: “Pode levá-la. A arma é sua. Você já até efetuou dois pagamentos. Metade”. Ao que o Caçarola respondia que só levaria a cartucheira após o pagamento final. Namorava a arma e devolvia-a, para que fosse guardada, até o próximo pagamento.
Faxineiro do quartel, o trabalho não era muito. Quartel muito pequeno, ainda um embrião daquilo que, em outro lugar, veio a tornar-se o quartel do 12º Batalhão. Dava para mantê-lo bem limpo, mesmo sendo um faxineiro solitário.
Um dia, pela manhã, o comandante chega ao quartel. Vai entrando e é abordado pelo Caçarola que, polegares das duas mãos para cima, sentenciou: “Ô, ‘seu’ comandante! O senhor lá em cima e eu cá em baixo, oh!

Imagem: Asterix - O Escudo Arverno (René Goscinny e Albert Uderzo - este o desenhista).