23 de nov. de 2019

"...É CULTURAL!" - A EXTENSÃO DA PALAVRA PROFERIDA


"Você não vai acabar com desmatamento nem com queimadas, é cultural..."

Ouvi, de corpo presente ante a TV, o Presidente da República proferir essas palavras, quando indagado sobre o crescimento do desmate na Amazônia, desde agosto/2018 até julho/2019. Estão transcritas na página do G1 POLÍTICA, com data de 20/11/2019 (https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/11/20/voce-nao-vai-acabar-com-desmatamento-nem-com-queimadas-e-cultural-diz-bolsonaro.ghtml). 
Dizem por aí que a palavra proferida ganha o mundo e todas as circunstâncias que o cercam. Suscitaram-me, então:

- Você não vai acabar com a violência nem com a criminalidade, em qualquer de suas manifestações, é cultural...

- Você não vai acabar com a corrupção, é cultural...

- Você não vai acabar com o abuso de poder político, é cultural...

- Você não vai acabar com as mutretas no futebol, é cultural...

- Você não vai acabar com as mutretas, é cultural...

- Você não vai acabar com os exorbitantes lucros dos bancos, é cultural...

- Você não vai acabar com o mau atendimento das concessionárias de telecomunicações, é cultural...
-
-
-
-......
- Corolário: Você não vai acabar com porcaria nenhuma, é cultural...




Imagem: Almocreve das Petas.

21 de nov. de 2019

ESCÂNDALO!


Mas vejam se não é mesmo um escândalo esse flamboyant, que vejo da minha janela!
(não era por causa de pandemia,
que não existia ainda).





19 de nov. de 2019

16 de nov. de 2019

VASCO X FLAMENGO PODERIA TER SIDO UM LINDO

Desmancha prazeres? Poder ser. Mas não consigo ver só o lado positivo das coisas. Foi um jogão, com alternância no placar, muitas jogadas espetaculares, muita emoção. Ótimo!
Mas estiveram presentes também alguns fatores, que acho terem vindo de vagar e crescido com o tempo, e que, penso, só servem para macular a beleza do futebol.
Primeiro, falo de uma puxão no braço, de Rafinha sobre um vascaíno (Rossi, se não me engano). Este encarou Rafinha que fingiu ter tomado uma cabeçada. O juiz deu cartão amarelo só para o vascaíno (pode ser que não tivesse visto o puxão do Rafinha, mas auxiliares serem para chamar a atenção do árbitro).
Vi no puxão de Rafinha a evidente intenção de interromper um contra ataque. Foi mais longe: começou a criar conflito. Só depois de muita insistência do Rafinha em reclamar não sei o que para o árbitro foi que lhe sobrou um cartão amarelo.
Esse tipo de comportamento é muito frequente. Tenho pensado que não é mais necessário saber jogar futebol (o Rafinha sabe e não precisa desses expedientes). Basta saber puxar uma camisa, um calção, chutar a bola para longe do local da falta, retardar a partida... Jogar bola é um detalhe.
Pode ter nada a ver com o desempenho recente da seleção brasileira.
O outro fato - este incomoda-me muito mais - é o da comemoração de gols. Há algum tempo atrás surgiu Henrique Dourado comemorando gols com o gesto de "degola", exatamente em um tempo em que a tv mostrava cenas reais de degola, no oriente médio, condenados enfileirados e carrascos com as adagas nos respectivos pescoços. Sempre achei que gestos violentos de jogadores transmitem sentimentos violentos para a torcida. Mas a própria crônica esportiva, narradores e comentaristas referiam-se a Henrique Dourado como "o ceifador".
Pois não é que o Bruno Henrique, ótimo jogador, com desempenho ótimo tanto em assistências quanto em finalizações, resolveu incorporar o tipo que acho pernicioso? Aperfeiçoou! Após os gols que marca, o atleta passa a palma da mão direita sobre o antebraço esquerdo (como se estivesse afiando a cimitarra). Em seguida, repete o gesto da degola. Já vi, também, Gerson e o mesmo Bruno Henrique cruzando as duas mãos no pescoço e simulando uma degola com duas lâminas.
Acho de péssimo gosto, podendo ser um catalizador de violência.
Tenho visto muito jogador comemorar gols com expressão de ódio. E dizem que é momento de alegria!
ReproduçãoMuita saudade das comemorações de Viola, com seus "trenzinho", "telefonema", "porco", "dancinhas" e outras demonstrações de alegria!

Imagem: UOL ESPORTE.
https://www.uol.com.br/esporte/top5/top-5---comemoracoes-com-aderecos-no-futebol.jhtm

15 de nov. de 2019

PENSANDO UM NOVO MÉTODO DE ELEIÇÃO (EDITANDO EM 05 NOV 2020, CONSIDERANDO AS ELEIÇÕES DO TIO SAM. NÃO SERIA MENOS COMPLICADO COMO NA CÓRSEGA, ANO 50 a.C?)


Parece que virou mania políticos se autodeclararem presidentes. Assim rola na América Latino Espanhola.
Sempre relendo minhas revistas de Asterix o Gaulês, encontrei uma experiência que poderá vir a fazer sucesso, conforme o andar da carruagem.
Colo os quadrinhos:





IMAGEM: Asterix na Córsega.
Texto: René Goscinny.
Desenhos: Albert Uderzo.


31 de out. de 2019

SARGENTO BRAZINHA VOLTA A ATACAR - EDIÇÃO EM 05 MAI 2020

Nota do cadikim: Por via das dúvidas, fomos conferir o link da fala do Deputado Delegado Waldir. Assiti, agora, ao vídeo referido no texto.

Quem achar que deve saber quem é e o que fez o Sargento Brazinha, pode reportar-se a este mesmo cadikim, em "SARGENTO BRAZINHA" (http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com/2012/05/sargento-brazinha.html), crônica publicada em 27 de maio de 2012, quando me lembrei do fato por causa de idas e vindas políticas (o Brasil também se repete, uai!).
Muito bêbado, o Sargento Brazinha "interditou" uma boate, na zona boêmia, em Passos-MG, "causdequê" a dona do estabelecimento, considerando o lastimável estado de embriaguês do sargento, recusou-se a servir-lhe uma pinga; em face da ordem de interdição, madame resolveu servir a bebida e o Sargento Brasinha apressou-se a "desinterditar" a boate.
Então o fato repetiu-se? Não exatamente. Para mim, no mesmo diapasão, mas muito pior e em tom mais exasperado.
O Presidente da República achou de intervir (em bastidores, conforme relatos jornalísticos, mas tudo escrachado durante a briga que se formou depois), para  colocar o Deputado Eduardo Bolsonaro na liderança do PSL na Câmara dos Deputados, (substituindo o Delegado Waldir, PSL-GO). Em represália, o Delegado Waldir contra-atacou e acabou se referindo ao Presidente da República como "vagabundo" e afirmando, alto e bom som, que vai "implodir" o Presidente, mostrar gravações que possui do mesmo (é só rodar na rede e ver muitos registros).
Olha que estou habituado a ver Deputados Federais e Senadores ofenderem-se mutuamente, via Embratel, em TV fechada (TV Câmara e TV Senado). Mas nunca vi nem ouvi tais referências ("vagabundo" e "vou implodir"), estando o outro ausente, dando ensejo às publicações na mídia. Também nunca vi uma autoridade mencionada como "vagabundo" quedar-se sem reação imediata. Aliás, aos oitenta anos de idade, nunca ouvira uma autoridade qualquer referir-se ao Presidente da República como "vagabundo", pela televisão.
Pois não é que, lista pra cá, lista pra lá, reuniões e xingamentos, parecia que voltara a ser tudo como antes no quartel de Abrantes? Eduardo Bolsonaro conduzido à liderança; Delegado Waldir, reconduzido em breve "dança de cadeiras", instado a falar sobre o que tem para implodir o Presidente, respondeu que "...nada é só questão de... é uma fala de emoção, né?... um momento de sentimento..." - declaração que, acontecida em Goiás, ficaria mais própria em canção com dupla sertaneja (http://g1.globo.com/globo-news/globo-news-em-pauta/videos/t/todos-os-videos/v/delegado-waldir-lider-do-psl-na-camara-volta-atras-apos-falar-em-implodir-bolsonaro/8012701/).
Idas e vindas, a briga continua na Justiça, bivaristas querendo suspender bolsonaristas. Não se sabe em que vai dar.
Relação com Antônio Carlos Magalhães? À época da intervenção no Banco Econômico, ACM ameaçou apenas dizer "quem era e o que faziam" diretores do Banco Central. Não passou disso.
Relação com o Sargento Brazinha?
A mim mais parece um bando de bêbados a quem se negou um gole de pinga.

Imagem: Recorte (edição) de imagem enviada ao YouTube por Hélio Reis, em 15/10/2019, em seu canal (https://www.youtube.com/channel/UCBmrC88BZ56Fq8qnWXDbFIQ)


10 de out. de 2019

MILLÔR EM PEDACINHOS



"Mas me inverto. Falo de fracassos quando queria falar de uma vitória. Há poucos meses, numa das primeiras reuniões do Conselho Superior de Censura, alguém teve o bom humor de me levar a sério quando declarei que um conselho de censura não pode ser superior. E propôs a mudança do nome do órgão censor. Ainda há, sem trocadilho, bom senso em Berlim."


Millôr Fernandes, em "Censura livre?", no livro "O MUNDO VISTO DAQUI", pág. 95.




A INTOLERÂNCIA NÃO ESTÁ SÓ DE UM LADO

Bandeiras dos países de língua oficial portuguesa.
Bandeiras dos países de
língua oficial portuguesa
Não me quero envolver em politicagem. Mas a políticagem me envolve, ainda que eu preferisse que a política fosse tratada como coisa séria. Não me esqueço de um ensinamento que me foi passado por René Goscinny, no episódio "O Caldeirão", da série "Asterix o Gaulês". A aldeia dos indomáveis gauleses recebia a visita de um chefe vizinho, com quem os irredutíveis não se relacionavam bem, porque esse chefe negociava com os romanos de Júlio César, que tinha como ideia fixa conquistar toda a Gália, mas esbarrava na bravura dos habitantes daquela aldeia e na poção mágica de Panoramix - druida mega campeão do Festival de Druidas que era realizado anualmente, na Floresta dos Carnutes. Pois bem: os súditos de Abracoursix - o colérico e bravo chefe - torceram os narizes (grandes, como narizes gauleses) à visita e não queriam receber o chefe visitante. Abracoursix foi taxativo: "quando um chefe gaulês recebe outro chefe gaulês, o protocolo deve ser observado" (mais ou menos isso, este sentido).
Ainda como introito, digo que, em minhas lides militares, observava que, se o comandante gostava de determinada atividade, a unidade que comandava ia bem naquele quesito; se não gostava, ia do jeito que Deus provia. Costumava eu dizer que "comandante não tem gostar", tem de "pegar geral as atividades submetidas a seu comando".
Mas por quê e pra quê essa lereia toda?
Acontece que acordei com a notícia de que o Presidente da República disse que não assina (agora, pareceu-me) o diploma relativo ao Prêmio Camões de Literatura, outorgado a Chico Buarque de Hollanda. Assustei-me com que o Sr. Presidente entenda de ignorar o "chefe gaulês" da terra de Camões e mesmo a comissão mixta encarregada da outorga do prêmio que consagra autores da língua portuguesa, composta por representantes do Brasil (2), de Portugal (2), de Moçambique (1) e de Angola (1). Susceptibilidades e idiossincrasias à parte, vejo que cada vez mais as simpatias e antipatias políticas estão atravessando fronteiras da convivência (o facebook está cheio!). Nem vou discutir isto!
Mas o cadikim tem um título, pô! "A intolerância não está só de um lado".
Pois não é que, fuçando a rede para tentar entender o assunto, encontro: "Morrissey expulsa manifestantes de esquerda de seu show" (https://www.diariodocentrodomundo.com.br/entretenimento/morrissey-expulsa-manifestantes-de-esquerda-de-seu-show/). Ora direis: mas esse tal Morrissey é de direita, uai! Não é a mesma coisa? Não está do mesmo lado do Presidente?
Penso na contramão: o Presidente, de direita, abominando os artistas de esquerda, recusa o aperto de mão a Portugal, Moçambique e Angola, contrariando a máxima de Abracoursix. O artista - que pertence a uma classe que ordinariamente se alinha à esquerda - pode também ser um radical de direita e não só abominar a esquerda, mas agir de modo a expulsá-la de um espetáculo artístico.
Por fim, penso que o mundo poderia ficar um pouquinho menos ruim se Chico Buarque abstraísse a pessoa de Jair Messias Bolsonaro e fizesse baixar neste o Presidente da República, que representa a Nação que adora Chico e que o estaria homenageando.
É! Acho que vão ser necessárias muitas encarnações para que eu consiga inserir-me no contexto. Sou um "sem turma"!


Imagem: Biblioteca Nacional.
https://www.bn.gov.br/acontece/eventos/2017/06/divulgacao-vencedor-premio-camoes

27 de set. de 2019

UM NÃO PERCEBER QUE NÃO CONSIGO ENTENDER



Um detalhe da fala do Presidente da República na ONU remeteu-me a Nelson Sargento, compositor de "Agoniza mas não morre". Vou transcrever a fala, colhida em 
https://www.youtube.com/watch?v=7OfUQd45ETw e https://www.youtube.com/watch?v=qrdbc5vdA4M, minutos 28.03 e 28.09, respectivamente:


"Durante as últimas décadas, nos deixamos seduzir, sem perceber, por sistemas ideológicos de pensamento que não buscavam a verdade, mas o poder absoluto.".



veja Rio
https://vejario.abril.com.br/beira-mar/nelson-sargento-disco-exposicao/

Nelson Sargento paramentado de Verde e Rosa










"...A fidalguia do salão
te abraçou, te envolveu.
Mudaram toda a sua estrutura,
te impuseram outra cultura
e você nem percebeu.".

Penso que é um muito não perceber, meu Deus! Estamos mesmo deitados eternamente em berço esplêndido?
Não me cai bem um político que militou como Deputado Federal durante 28 anos ter nada percebido e vê-lo admitindo isto publicamente, em face de políticos internacionais. Como não me conformo com outros não perceberes desse mesmo político. Mas não fico só nele. Aos 80 anos de idade, tenho visto muitos políticos profissionais cochilões de todas as "bandeiras" por aí, que não identificaram corrupção, roubalheira, decadência nas principais funções republicanas do Estado... Estou pagando geral!
Não é uma oposição partidária, doutrinária ou qualquer "ária". É uma oposição cidadã, inconformismo com a política em geral, que se arvora em reformadora (vide planos Collor, Sarney e outros cujas "vítimas" debatem-se na Justiça há mais de trinta anos, muitas delas já mortas).
É! Não dá para perceber mesmo.
Ou terá razão Teresa Cristina, que gravou com Nelson Sargento, quando observou, ironicamente: "será que não perceberam mesmo?" (https://www.youtube.com/watch?v=XwRrftn30bM min 3.34).