24 de mai. de 2020

SERÁ BIRRA MESMO OU INCAPACIDADE DE FAZER "MENOS PIOR"?

Assim que assisti à apresentação pública daquela singular "reunião de ministros", falei, alto e bom som, cheio de orgulho profissional: as reuniões de Estado-Maior do Batalhão PM que comandei há mais de trinta anos, davam de mil a zero nessa aí. Naquelas reuniões, quatro Seções, apenas, quando qualquer assunto estava na pauta, esse assunto era posto em mesa, cada titular de Seção relatava a situação do assunto, no que aquela deveria e poderia compartilhar e participar. Das reuniões de Estado-Maior de PMMG (seis seções, à época), de que tive oportunidade de participar, há quase quarenta anos, a metodologia era a mesma, o Chefe da Seção que detinha a responsabilidade principal sobre a matéria fazia um relato geral, cada um dos demais situava o tema nos limites de sua Seção e o primeiro capitaneava a elaboração de estudo para orientar e sugerir alternativas de decisão, incorporando as informações das outras três.
Após a tal reunião ministerial, pensei: pôxa, sô, (palavra que o presidente poderia usar para substituir uma outra que usa abundantemente), será que em quarenta anos a tecnologia de administração pública não evoluiu, ou até regrediu? O tema programado não foi desenvolvido. E o que foi, foi mal.
Hoje, vejo, pela Tv, o presidente dizendo que não irá mais fazer reuniões ministeriais; que vai ser uma reunião para assistir ao hasteamento da Bandeira, depois um cafezinho coletivo e todo mundo liberado. Isso é que é patriotismo! Disse que doravante só irá conversar com ministros individualmente.
Birra? Incapacidade para mudança de rumo?
Pode ser que dê melhor resultado do que aquela de 22 de abril (terá sido a descoberta, pelos brasileiros, de um "brasil" até então desconhecido?). Qualquer outra forma teria oportunidade de dar, também. Mas poderá ocorrer de um ministro ser interpelado sobre um assunto e dizer que precisa conhecer as posições de outros ministros, sobre matérias das respectivas competências, para raciocinar sobre a amplitude do trabalho a realizar.
Estamos, há muito tempo - e bota muito tempo nisto - em um Brasil que, quando uma coisa não está funcionando com vantagem (de qualquer natureza), a receita genérica é acabar com aquela coisa. Buscar reinventá-la, para colher melhores frutos é ideia rara. Principalmente em princípio de mandato, quando é absolutamente necessário desconstruir antecessores e colocar-se acima de tudo o que já terá sido feito antes (ex.: "nunca antes na história deste país").

Imagem: CP CANAL DO POVO.
https://www.canaldopovo.com/2018/11/opiniao-meninos-birrentos-podem.html


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