26 de set de 2014

MENS SANA IN CORPORE SANO. O FUTEBOL BRASILEIRO PRECISA CUIDAR DISTO. EDITADO EM 16 DE OUTUBRO 2014

Bellini, capitão da seleção
brasileira, jogando pelo
Vasco da Gama.

O trem é tão sério que está expresso em latim. O significado - mente sã em corpo são - parece ter-se perdido no tempo, no que diz respeito a esportes, com destaque para o futebol.
Estamos na era do alto rendimento. Atletas usam vários recursos para redução de dores que o excessivo esforço provoca, ou para outras compensações. Cadikim já comentou que até foi "inventado" o uso de toucas para natação em jogadores de futebol, com sangramento resultante de choques com cabeças, para impedir que o sangue apareça.
Encontrei na revista Veja, do dia 24 deste mês, matéria intitulada "Enigma decifrado" (pág. 86), a qual trata do capitão da seleção brasileira de 1958 - Hideraldo Luiz Bellini - que, "...por dezesseis anos, até sua morte, em 20 de março último, ... foi tratado como se tivesse Alzheimer. ... Na semana passada, o neurologista Ricardo Nitrini, da Universidade de São Paulo (USP) e médico de Bellini desde 2008, confirmou uma antiga suspeita - que seu paciente foi acometido por uma doença de sintomas muito semelhantes aos do Alzheimer, a encefalopatia traumática crônica.". Síntese: o cérebro de Bellini foi doado para estudos; a conclusão dos estudos foi de que a doença fora causada por pancadas frequentes na cabeça.
Na última terça-feira, o assunto foi tratado em programa Tá Na Área, do Sportv, com mais amplitude e explicações de um neurocirurgião. Falou-se muito das providências que devem ser tomadas quando um jogador cai em campo, depois de um choque na cabeça. Nas imagens mostradas, um jogador atinge o queixo de outro com o pé. Apareceram outras imagens de choques de cabeça.
O futebol não está só muito mais rápido e muito mais forte. Está muito mais violento também. Aquela agressão por trás, em Neymar, na Copa do Mundo, mostra uma cena frequente: um jogador, no ímpeto de impedir um contra ataque (que nem era iminente, porque Neymar estava de costas para o campo adversário), salta de longe sobre ele. Tem acontecido muito. Os jogadores não saltam mais para cima. Saltam para o alto, pelo lado, em uma diagonal ascendente. O choque de cabeças fica muito favorecido.
Não gosto da ideia que considero falsa, de que futebol é jogo de contato. Soa-me como "futebol é pra homem!".
Há tempos, cadikim comentou entrevista de Neymar, dizendo que futebol não é esporte de contato, que esporte de contato é "rugby" (http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2013/03/neymar-concorda-comigo-tambem-pudera.html). No texto, há outras referências. Só quem leva pancada é quem sabe!
Infelizmente, não vi, no Arena Sportv, qualquer sugestão para evitar os choques de cabeça. Para coibir, de verdade o jogo violento, com tolerância zero. Para garantir a segurança dos jogadores, no máximo que puder, incluindo orientações a atletas, sobre os efeitos deletérios de seguirem jogando, logo em seguida a choque de cabeça que resulte em "apagão". O neurocirurgião que deu explicações referiu-se a medo do atleta de "perder posição", de "perder convocação", etc. Esses medos podem indicar (não sou da área) que a cabeça já não está muito boa. É necessário que o atleta seja convenientemente esclarecido.
Para que futebol seja futebol.
Até agora, o futebol, principalmente, está muito distante daquele princípio da atividade física: "mens sana in corpore sano".

TEXTO EDITADO: Um novo caso de cabeceio mal sucedido. Alecsandro, do Flamengo, acabou com fratura na testa, em choque com zagueiro adversário, quando tentava cabecear a bola.

Foto: Revista Veja, edição referida.