31 de mar de 2013

MINEIROS FORA! POR QUE, UAI?

A TV Globo mostrou, hoje, no Esporte Espetacular, matéria especulando sobre a possibilidade de a seleção brasileira adotar estratégia, já utilizada no passado, de tomar uma equipe como base e recheá-la com jogadores que estejam em destaque. Tudo por causa da falação do Pelé, de que o Corinthians deveria ser tomado como base da seleção. Não concordo nem discordo. Não tenho leitura para isto.
Vários entendidos (alguns escolhidos entre o povo, já que temos milhões de técnicos) manifestaram-se, uns a favor, outros contra. Houve manifestações em que predominava o clubismo. Corinthiano quer, é claro!
Júnior, comentarista e craque de seleção, disse, se tivesse time como Barcelona, Real e Chelsea, que podem formar base de seleção em seus países, o mesmo poderia ocorrer no Brasil. Acrescentou que, no momento, não vê time brasileiro que tenha cabedal para ser base da seleção, atualmente. Posso concordar ou discordar, não importa. Importa é que citou três: Fluminense, Grêmio e Corinthians. Bacana! Esquecer da existência do Clube Atlético Mineiro pode não ter sido um lapsus memoriae, como gostam os latinistas. Pode estar já arraigado na mente de comentaristas paulistas e cariocas. Não estou dizendo que o time do Galo pode ser a base. Já disse que não tenho leitura. Os cruzeirenses não iriam tolerar, uai! Não me conformo é com que um comentarista de ponta, em emissora de ponta, vivido nas quatro linhas, possa deixar de citar o Galo mineiro. Afinal, é vice-campeão brasileiro e está fazendo a melhor campanha na Libertadores. Não é amostra de um ou outro jogo, não! É uma campanha, inclusive com invencibilidade no Independência. Respeito quem diga que daí a ser base da seleção vai uma distância muito grande. Como posso achar a mesma coisa do campeão mundial Corinthians.
Mineiro existe, uai!

Imagem: Blog do Tachinha
http://enfrades.blogspot.com.br/2010/04/salmo-mineiro-salmo-23.html

29 de mar de 2013

NEYMAR CONCORDA COMIGO. TAMBÉM, PUDERA!

Assisti, hoje, a uma entrevista dada por Neymar a repórter do SporTV. Acho que era repetição. Entre outras coisas, falou que futebol não é esporte de contato, que esporte de contato é "rugby". Já comentei isto, aqui no cadikim, em 10 de fevereiro deste ano, em http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2013/02/violencia-no-futebol.html, "VIOLÊNCIA NO FUTEBOL". Está ali:

"Penso que há muitos outros fatores que têm feito do futebol um esporte um esporte violento. Um deles é essa estória que os comentaristas inventaram de que "futebol é esporte de contato", para justificar várias 'entradas' violentas e proibidas pelas regras.

Um pouco antes, falara sobre Neymar e sobre como sofre com faltas dos adversários. Está em "COMO NEYMAR APANHA, MEU DEUS!", http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2013/01/como-neymar-apanha-meu-deus.html, 27 de janeiro. Ali, lembrara a estatística do jogo Santos x Bragantino: mais da metade das faltas praticadas por jogadores do Braga foram sobre Neymar.
É claro que Neymar tem de concordar comigo. Sofre muito. Tem fama de cai-cai. Mas do jeito que os juízes deixam de dar faltas, só esgoelando, fingindo, rolando pra-lá-e-pra-cá. Muitos levam um choque leve na canela e caem, contorcendo-se, pegando no tornozelo. Jogadores caem dentro ou fora da área, quando o adversário dá um "leve empurrãozinho" que desequilibra. Há casos de o juiz dar amarelo, "por simulação". Como há casos de comentaristas se perguntarem se aquele "leve empurrãozinho" dava para desequilibrar. Não tem de perguntar, uai! Se há o "leve empurrãozinho", há falta. Dentro da área é pênalte.
Penso que Neymar está com a razão. Pior é que tem a certeza de que se não cair, se não esgoelar, não rolar no chão, os responsáveis e os comentaristas preferem justificar: futebol é jogo de contato.
É não!

Foto: Sérgio Barbalho.
http://www.sergiobarbalho.com/2012/03/neymar-gols-shows-e-dribles-contra.html


28 de mar de 2013

COLOCAR O ENGENHÃO ENGENHANDO

Apesar de laudos contraditórios, o engenheiro
responsável declarou que essas cabeças aí estão
devidamente protegidas.
A gente sabe que não fica só no engenhão. Muitas obras públicas - não só as destinadas à Copa de 2014 - têm seus custos reavaliados, depois da licitação, com aumento dos preços. Sabe, também, que muitas delas apresentam defeitos, com pouco tempo de uso. E sabe, também, quem vai pagar.
Que beleza! - como diz o Milton Leite - a declaração do prefeito do Rio de Janeiro: a prioridade é colocar o Engenhão engenhando em segurança. Depois, verificar responsabilidades e decidir quem vai pagar.
Melhor ficar só na primeira parte: colocar o Engenhão engenhando em segurança.
Quanto a quem vai pagar, estamos carecas de saber.

Foto: WIKIMEDIA COMMONS.
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Engenh%C3%A3o_arquibancadas.jpg

"INACREDITÁVEL FUTEBOL CLUBE": NEYMAR REVELAÇÃO: UMA ARMADILHA?

"Inacreditável Futebol Clube" é um quadro criado na TV Globo, na Copa de 2010, para "homenagear" circunstâncias bizarras (por exemplo, um jogador da Costa do Marfim "piruando" as instruções do técnico da Coréia do Norte a um jogador do seu time), jogadas engraçadas, erros aparentemente impossíveis, gols feitos ou tomados de modo muito complicado... 
O assunto do título aí em cima não repercutiu muito. Apesar de ter achado estranho e pensado em postar alguma coisa, acabei passando em branco. Agora, uma revista - Caras - vem lembrar-me: Oscar do esporte - tal Laureus Word Spors Award. Muita gente importante do esporte comparecendo e Neymar concorrendo na categoria Revelações, em que foi laureado o tenista escocês Andy Murray.
Revelação? Neymar revelação? Penso que o assunto tem assento garantido no "Inacreditável Futebol Clube". A condição coloca em cheque tudo o que se tem falado e escrito sobre o craque. Está na seleção brasileira desde a fritura do Dunga, e da furiosa renovação. Tem títulos pelo Santos., concorreu à Bola de Ouro da Fifa... 
untitledAchei estranho que a inserção na categoria Revelações tivesse sido aceita pela assessoria do craque, por ele mesmo e por dirigentes, pela mídia... Penso que foi uma armadilha a mais: ficava feio recusar. Menos mal não ter sido laureado. Tivesse sido e teria ficado estigmatizado como revelação. Parece que tem gente querendo complicar o rapaz. Ou estou vendo fantasmas ao meio dia.

Foto: Best Swimming.
http://www.bestswimming.com.br/2013/2013/03/12/o-que-e-esse-laureus/



26 de mar de 2013

AH! ESSE MUNDO DE FANTASIAS...

Hoje, à noite, estava no Conservatório Municipal, participando de um ensaio. O mundo da música é, por natureza, um mundo de sonhos, de devaneios, de alegria, de fantasias, enfim. Muita gente envolvida, rapazes, moças, adolescentes de ambos os sexos, crianças entre dez e doze anos (com a minha idade, só eu), todo mundo viajando em melodias e batidas de tambores.
Terminado o ensaio, dirigi-me ao carro, estacionado no limite entre área pavimentada e mato - o Conservatório Municipal está situado no parque do Mocambo, Patos de Minas. O mato estava molhado, ainda chovia fininho, depois de uma chuva mais densa e demorada, durante o fim de tarde. Entrei no carro e comecei a manobrá-lo, para sair. Olhando rapidamente para trás, tive a impressão de que o vulto de uma pessoa surgiu e desapareceu, tudo em um átimo. Embicado para o portão, iniciei a saída. Foi quando senti um toque no ombro esquerdo, como se alguém estivesse pousando a mão ali. Olhei e vi que havia algo em meu ombro. Parei o carro. Verifiquei que se tratava de um animal com cerca de cinco centímetros de comprimento. Mais detidamente, vi que era uma rã. Estranhei como teria embarcado. Abri a porta e dei-lhe um leve golpe de mão. Ela saltou e agarrou-se à porta, como que se recusando a sair. Como não estava disposto a levá-la comigo, empurrei-a novamente e ela saltou para o chão. Fechei a porta e segui para casa.
No caminho, fiquei pensando, como a pequena rã conseguira entrar no carro. Pensei naquela sensação de que um vulto passara rapidamente por trás de mim. Estranhei que a rãzinha se tivesse agarrado à porta, parecendo recusar-se a sair.
Foi quando me bateu um grande arrependimento de não tê-la beijado.


Imagem: Solidão a dois.
http://marilegionaria.blogspot.com.br/2010/12/era-uma-vez-numa-terra-muito.html

SERÁ QUE O GALVÃO FALA BOBAGENS MESMO?

O interior do Mineirão após a reformaNão sei! Vejo e ouço muita gente dizer que sim. Diz-se por aí que o povo comenta e aumenta mas não inventa. Já vi e comentei algumas, do Galvão, que acho bobagens (opinião pessoal é do dono, uai!). Mas não sei a relação estatística entre bobagens e não-bobagens ditas por ele. Sei menos ainda por que muita gente aconselha, insinua, acha que, propõe que Neymar vá jogar na Europa. Parece que mais precisamente no Barcelona. Ontem, vi nas tirinhas do SporTV, durante o jogo, que Neymar já tem contrato assinado com o Barça. Não sei como irá ficar depois do comentário de Cruiff, publicado na Veja, edição 2314, dizendo que "O Barcelona não precisa de Neymar. ...". Até o presidente da FIFA disse que Neymar só será o melhor do mundo se for jogar na Europa. Já me manifestei contra. Está em http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2012/12/entao-magica-de-neymar-tera-de-ser.html.
Ontem foi o Galvão. Insinuou (perguntando, como quem não quer nada) se não será melhor para Neymar ir jogar na Europa, pois ali terá mais condição para se desenvolver, que lá se pratica um futebol mais denso... Mais ou menos isto.
Gente! Então por que não procuramos tornar o futebol brasileiro "mais denso" (o que será o tal de "mais denso"?). Os dirigentes, empresários, técnicos, jogadores e companhia não serão capazes de promover um futebol "mais denso", se isto é tão importante para o desenvolvimento de Neymar, como jogador?
Penso que o Galvão não está sozinho. Acho que tem muita gente falando bobagem...

Foto: Blog NoÂngulo.
http://noangulo.wordpress.com/category/jornalismo-esportivo/page/9/

25 de mar de 2013

RITUAIS

ESSE AÍ DEVE TER PAGO
MUITO CANGURU
Penso que quartel é um dos lugares onde funciona maior quantidade de rituais: continência, posição de sentido, meia volta volver, pronomes de tratamento... Montão! Obviamente, mesmo sendo levados a sério os rituais (e se não forem...), dão origem a muita pilhérias.
Ontem, falei do Tenente Domingos, comentando superação de limites (http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2013/03/eu-posso-gostar.html). Aproveito e tomo carona para lembrar outro comentário do mesmo oficial. Falava sobre aperto de mão entre militares. Disse que o subordinado não podia tomar a iniciativa de estender a mão para o superior (não sei como é atualmente). No entanto, se o superior lhe estendesse a mão, o subordinado não podia recusar o aperto. Tenente Domingos arrematava:
- Mesmo que esteja pensando: é o primeiro pé de porco que pego hoje!

Foto: http://4h20.wordpress.com/2011/03/23/sou-seu-soldado-senhor/

24 de mar de 2013

EU POSSO GOSTAR...



Minha mulher tem características que só vi nela. Observo algumas que acho interessantes, ela não concorda, leva mais como se fosse crítica.
Primeiro: minha mulher é gulosa. Como a maioria das pessoas. Mas os cuidados alimentares que tem para comigo (bastante elásticos) são muito mais rigorosos para consigo mesma. Lembro-me de que, há muitos anos, eu estava saindo para comprar alguma coisa e ela pediu: "traz uma coca cola". Assustei-me, porque não era hábito: "coca colca"?!!! Resposta: "Sim. Eu também sou humana!". Raramente come doces; raramente come gorduras. Quando come, cai matando. Repito: muito raro! Mantém uma forma invejável.
Segundo: minha mulher é preguiçosa. Mas trabalha como uma condenada. Sempre chega ao local de trabalho antes das sete da manhã. Muitas vezes, entre seis e seis e meia. No entanto, sempre que pode, curte uma preguiça. Preguiça, mesmo.
Terceiro: minha mulher tem características consumistas. Com duas vertentes: é capaz de comprar em uma loja chique como em um varejão. Sempre encontra uma coisa interessante em varejão. Além disto, não admite pagar caro por um produto que possa encontrar por preço menor, e que lhe possa ser tão útil quanto outro caro, mesmo que não tenha o mesmo chiquê. Disse muitas vezes, diante de um vestido que achou caro: "por esse preço, compro três muito bons". Compra, sim.
Não é crítica negativa, claro. São observações, com experiência de vida (muita, penso).
Quando jovem, no quartel, o tenente Domingos relatava para jovens recrutas a saga de um general que tremeu em campo de batalha. Medo de verdade. Imediatamente empertigou-se e bradou:
- Treme, caracaça! Você tremeria muito mais se soubesse para onde vou levá-la agora. E encaminhou-se para o ponto mais violento da batalha.
Hoje, chamamos a isto superar limites. Penso que também é superar limites desejar coisas mas controlar-se segundo interesses diversos ou princípios de vida saudável.
Ontem, entramos em uma loja de calçados - sempre os calçados e as bolsas - e minha mulher examinou um sapato que estava na vitrine e de que gostara. A atendente perguntou se queria experimentar - sempre as tentativas de venda, senão não acontece. Minha mulher disse que só estava olhando - como as pessoas só olham! Andamos pelo shopping e acabamos voltando à loja de calçados. Minha mulher resolvera experimentar. Procurou pela mesma moça que iniciara o atendimento, e que estava empenhada em buscar mercadoria para mostar a outra pessoa. Ficamos esperando e minha mulher ficou um pouco inquieta. Disse-lhe, então, que ficasse olhando outros sapatos, até que a moça pudesse atendê-la. Respondeu de bate-pronto:
- Não! Eu posso gostar.

Foto: OLX.
http://suzano.olx.com.br/vendo-ponto-comercial-loja-de-calcados-feminino-iid-390506569

22 de mar de 2013

AVALIAÇÕES DE DESEMPENHO NO JOGO BRASIL X ITÁLIA

O MELHOR DO JOGO
A primeira avaliação a que assisti, pela TV, dava Balotelli como o melhor em campo e Neymar seguindo-o de perto.
"Ouso discordar, amado mestre", como dizia o aluno do Professor Raimundo (Chico Anysio em Escolinha). Balotelli jogou muito bem, de fato. Neymar, para mim, teve dois méritos: o de participar, em nível igual, com Oscar e Fred, da jogada do segundo gol. Não a construiu sozinho; o outro foi - ouvi do Felipão - ter feito com perfeição o que lhe tinha sido pedido. Neymar correu muito. Esforçou-se. Disputou bolas, nem sempre com sucesso. Também não deu seqüência melhor às jogadas que passaram por ele. Comentei, ontem ainda, que, se Felipão o "amarrou", existe mérito dos dois, se for preparação para um estilo de jogo que possa contemplar individualismo eventual em coletivo constante.
Voltemos à discordância, a primeira: já disse, repeti e repito: o goleiro é um infeliz esquecido. Não lhe dão valor, porque não ganha jogo. No máximo, empata, exceto Rogério Ceni e um ou outro seguidor dele. Isto poderá ser visto em"ONDE ELE JOGA NÃO NASCE GRAMA" (http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2012/11/onde-ele-joga-nao-nasce-grama.html) e em "CORÍNTHIANS CAMPEÃO - VOU FALAR DE GOLEIROS" (http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2012/12/corinthians-campeao-vou-falar-de.html).
Pois bem. Nem Balotelli nem Neymar. Para mim, Júlio César foi o nome do jogo. Não o ganhou. Mas, certamente, impediu que tivéssemos tomado de 4 ou 5 a 2, se não tivesse sido de mais.
Segunda discordância: Felipão disse que o Brasil esteve muito bem taticamente, durante todo o jogo. Pode até ser que eu tenha visto outro jogo, porque o sistema defensivo ou estava fraco ou o ataque da Itália estava muito forte, ou as duas coisas, com variações. Mas meu argumento é singelo: se Júlio César teve de fazer cinco ou mais defesas difíceis, durante todo o jogo e ainda levou dois gols, só poderia ser porque algo de mau estava acontecendo à sua frente.
É! Acho que sou um mau analista.

Foto: PES Maximum Editing.
http://pesmaxedition.blogspot.com.br/2011/06/habilidades-julio-cesar.html


ACHEI QUE NEYMAR FICOU DEVENDO. FELIPÃO DESMENTIU.

Achei que Neymar ficou devendo. Apesar de ter corrido muito. Achei que não brilhou, salvo no gol de Oscar (este acho que jogou muito, como de outras vezes). No primeiro gol, a jogada não foi direta dele, Neymar: não lançou para finalização, mas para seqüência de jogada. Mandou a bola para Hulk, que cruzou mal, Luiz Felipe pegou o rebote. Dele saiu o cruzamento eficaz. Penso que não adianta querer insensar Neymar, por exagero. Vi isto acontecer até com Pelé - entusiasmo de narradores e comentaristas - quando, na opinião deste um dos milhões de técnicos brasileiros, o mérito devesse ter sido creditado a outro jogador. No gol de Oscar, mesmo, o brilho da jogada começou com o próprio Oscar tomando uma bola na defesa, aceitando a preponderância de Neymar quando a bola ficou dividida entre ambos e, reagindo rápido, preferiu deixar a bola para o companheiro e abrir pela meia direita, acompanhando a jogada. Fred também colaborou, puxando marcador para a esquerda. Foi obra de conjunto. Da qual Neymar participou com brilho, também, desde o deslocamento para a esquerda até o passe derradeiro.
Felipão veio desmentir-me, hoje: disse que Neymar cumpriu exatamente o que lhe fora pedido, que trabalhou para a equipe.
Pode ser. Mas penso que não se pode matar o jogador habilidoso que Neymar é, com incrível capacidade de domínio de tempo e de espaço.
Tomara que Felipão esteja enquadrando Neymar (no bom sentido, se é que há), para que se dedique mais à equipe e, quando estiver em melhor sintonia com os companheiros, possa praticar, algumas vezes, sua capacidade individual, que tem rendido gols ao Santos. Se conseguir isto, Felipão estará colocando Neymar em uma nova dimensão.
Tomara!

Imagem: Matou de Canela.
http://matoudecanela.blogspot.com.br/2011/02/cbf-reconhece-ricardo-teixeira-como.html

21 de mar de 2013

SELEÇÃO BRASILEIRA E ADJACÊNCIAS

Seleção de 1962
Daqui a pouco, estaremos vendo Brasil x Itália, na Suíssa. Antes, a gente pôde assistir a informações e discussões pelo SporTV. Ouvi (vendo, claro) Felipão falando que precisamos angariar a confiança do torcedor e que isto só se consegue com vitórias. Perder a confiança - penso - foi desde que terminou a Copa de 2010. Primeiro, porque, segundo entendi, havia necessidade de maltratar o Dunga - e como maltrataram! Os jogadores daquela seleção foram na onda e surgiu uma seleção nova. Que já não é tanto, o que me leva a pensar que muito tempo foi perdido, para fazer o povo acreditar que tudo tinha de ser renovado. Parece que não deu certo, se pensarmos que a seleção não enfrentou adversários de grande porte e não conseguiu resultados consagradores.
De Mauro Silva, tetra campeão em 1994, ouvi que será bom para Neymar ir para a Europa, após a copa de 2014. Argumentou que se deu bem, indo para lá dois anos antes da copa de 1994, porque ali conheceu outros times, técnicos, árbitros, etc. e que isto foi importantíssimo como experiência para a copa. Disse, também, que em treze anos na Europa teve apenas quatro técnicos. Pode ser que seu desenvolvimento tenha sido resultado disto, em grande parte, pelo menos.
O ítalo brasileiro Claudio Carsughi, comentarista habitual no Arena SporTV, pensa um pouco diferente. Acha que se Neymar for para o Barcelona, será Bola de Ouro. Mas pensa que sofrerá muitas pressões, porque todos estarão querendo que faça chover em todos os jogos. Diz que Neymar está bem no Brasil e que, se jogar mal uma ou duas (ou mais, até) partidas, manterá seu prestígio.
Já postei no cadikim que Neymar só será o melhor jogador do mundo quando for o melhor jogador do mundo. Está em http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2012/12/entao-magica-de-neymar-tera-de-ser.html - "Então, a mágica de Neymar terá de ser jogar na Europa?".
Lamentavelmente, não penso como Mauro Silva - embora respeite. É claro que conta experiência conhecer muitos jogadores bons e muitas equipes boas. Mas lembro - como lembrei no texto citado - que Pelé nunca jogou na Europa e não foi Bola de Ouro. Foi o atleta do século. Quanto a Garrincha, não conheceu bons jogadores europeus. Melhor: nem tomou conhecimento deles.
Penso que devemos nos colocar em devido lugar. O brasileiro não deve ser abutre de si mesmo (http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2013/02/nelson-rodrigus-titulos-e-excertos.html), por falta de auto estima, como o dramaturgo afirmava. Mas não podemos pensar, eternamente, que somos os maiores. Neymar não tem a entourage que Pelé teve. O Santos de 1962 tinha sete jogadores na seleção, quatro titulares (Gilmar, Mauro, Zito e Pelé) e três reservas (Mengalvio, Coutinho e Pepe). Pelé jogava entre craques, na Seleção e no Santos. Neymar não tem este privilégio. A queda de prestígio do futebol brasileiro não se deve a carência de craques. Deve-se, principalmente, a uma administração deficiente (a degola de Dunga - não sou "viúva" dele - acompanhada da proscrição dos jogadores de 2010, e agora, o reconhecimento de que os jovens precisam de alguem experiente a seu lado, e por isto reconduzem alguns proscritos, são imagens disto). Zagallo falou, há poucos dias, uma coisa que falo há muito tempo: quando Pelé chegou à seleção, encontrou Gilmar, Bellini, Mauro, Nilton Santos, Zito, e o próprio Zagallo. Neymar não encontrou esse peso e esses modelos em quem se espelhar. No Santos, Neymar surgiu sendo a referência. Na seleção, iniciou assim. Não conseguiu manter a mesma imagem. Neymar não joga no Santos de Pelé. Nem na seleção.
Penso que até poderemos ganhar a copa de 2014. Mas isto não será um retrato fidelíssimo do futebol brasileiro. A administração mudará nada, principalmente se ganharmos.

Foto: Futebol & Cia Ltda
http://www.futebolecialtda.com.br/2012/06/tunel-do-tempo-meio-seculo-de.html

20 de mar de 2013

EMERGÊNCIA EM CONSULTÓRIO





Uma cuidadora de idosos acompanhou a senhora com 83 anos (já reivindicando 84) a um consultório médico. Consulta marcada por telefone, com hora certa. Chegando, viram que se tratava de um consultório de bacano, desses bem transados. Havia uma platéia considerável aguardando, clientes também com aspectos de bacanos. Ao primeiro atendimento - apenas apresentação das carteirinhas - a consulente perguntou se estava dentro do horário estabelecido. A atendente respondeu que sim, que seria atendida logo. Sentaram-se e ficaram aguardando, como os demais. Dali a pouco, a atendente chamou a velha senhora, tendo comparecido ao balcão a cuidadora. A atendente informou que era apenas para fazer cadastro. Perguntou endereço (citou um que nao era, o endereço), telefone celular (citou o correto, telefone fixo). A cuidadora corrigiu um, confirmou outro e disse que teria de perguntar o número do celular.  A atendente dispensou o celular e falou que podia aguardar chamada. Recebida a informação, a consulente observou para a cuidadora que aquele procedimento destinava-se apenas a "engordar tempo", só para parecer que estava sendo atendida. O tempo corria e a tal chamada não vinha. Passou muito da hora marcada. A velha senhora, experiência às pampas, recomendou à cuidadora:
- Vá ao balcão e pergunte se demora muito. Diga à atendente que faltam só quinze minutos para eu vomitar.
A cuidadora não entendeu a jogada, mas fez o que a consulente recomendou (ai dela, se não tivesse feito).
Chegou-se ao balcão e disse à atendente direitinho o que lhe fora recomendado:
- Por favor! Demora muito o atendimento da senhora "fulana"? Faltam apenas quinze minutos para ela vomitar.
Ocorreu uma dança de ratos e em cinco minutos a chamada foi feita.

Foto: Blog do Menalton em "Uma dor atravessada no peito".
http://blogdomenalton.blogspot.com.br/2013/02/um-conto-para-seu-fim-de-semana_14.html#more


19 de mar de 2013

OLHA AQUI, NEGUINHO: OS DIREITOS SÃO IGUAIS!

Texto de um velho samba, contando a estória de um cara que foi com um broto para a Barra da Tijuca, a mulher ficou sabendo e ele ficou com medo de que ela lhe dissesse isso aí de cima:

"Não quero que a patroa, que é pra lá de boa, me diga: olha aqui, neguinho, os direitos são iguais. Dê a louca na cabeça e também me passe pra trás."

Pois não é que, com a mania que tenho de ficar ouvindo papo dos outros, acabei ouvindo coisa dos tempos antigos, em termos modernos?
Num ônibus, a mulher dizia à amiga:
- Sabe que meu marido está me traindo com uma lambisgóia aí?
A outra:
- Absurdo! Como pode fazer uma coisa dessas? E você vai suportar calada?
A do marido:
- Eu?!!!!! Suportar calada? Tá doida? Comigo, agora, é control "c" control "v"!








Imagem: Quiosque Camisetas.
http://quiosquecamisetas.com.br/camisetas/feminina/ctrl-c-ctrl-v.html

18 de mar de 2013

A SANTA IGNORÂNCIA: TERRENO FÉRTIL PARA PEQUENAS MALVADEZAS

Nem toda sacanagem usa a ignorância alheia. Ou só isto. Os contos - do vigário, do paco, etc., por exemplo - têm como pressuposto necessário a ignorância, a ganância e o maucaratismo, tudo junto. A vítima sempre tem a intenção de levar vantagem. Em geral, para que alguém seja passado para trás, a ignorância virá junto com mais um outro componente. No caso adiante, com a preguiça.
Meu irmão era estudante e um de seus colegas iria ser submetido a uma argüição, para substituir prova a que faltara. O colega - que estudara nada - pediu-lhe que o ajudasse, que soprasse as repostas para ele. A festa começou:
Professor: Quais os tipos de erosão que você conhece?
Meu irmão (baixinho): erosão eólia.
Colega (tímido): erosão eólia.
Professor: muito bem!
Meu irmão (baixinho): erosão pluvial.
Colega (já um pouco desinibido): erosão pluvial.
Professor: bom!
Meu irmão (baixinho): erosão fluvial.
Colega (já um pouco entusiasmado): erosão fluvial.
Professor: ótimo!
Meu irmão (baixinho): erosão douradinha.
Colega (muito entusiasmado): erosão douradinha!
Fechou o tempo.

Foto de erosão fluvial: CULTURAMIX.COM
http://meioambiente.culturamix.com/natureza/como-ocorre-a-erosao-do-solo
NOTA: Não achei nem uma foto de erosão douradinha. 

17 de mar de 2013

NEYMAR - O QUE IRÁ ACONTECER?



Nenhuma intenção de profetizar. Nem de tomar partido. Tenho comentado algumas coisas sobre o moço: "O QUE ESTARÁ ACONTECENDO COM NEYMAR?" (http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2013/02/o-que-estara-acontecendo-com-neymar.html), publicação anterior à das crítidas dirigidas a ele por Pelé; "COMO NEYMAR APANHA, MEU DEUS" (http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2013/01/como-neymar-apanha-meu-deus.html); "ENTÃO, A MÁGICA DE NEYMAR TERÁ DE SER JOGAR NA EUROPA?" (http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2012/12/entao-magica-de-neymar-tera-de-ser.html); "E SE NEYMAR TIVER UM PIRIRI?" (http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2012/07/e-se-neymar-tiver-um-piriri.html).
Vai ter muito o que comentar, ainda.
Penso que é preciso analisar o que aconteceu com Neymar, desde a não convocação para a copa de 2010, até agora. Analisar, também, o que a mídia tem dito sobre isto. Penso que é uma tarefa de fôlego, que pretendo enfrentar, assentado em minha santa ignorância e, portanto, apenas reportando fatos, comentando o mínimo.
Vai ficar para mais tarde. Por ora, apenas o comentário de René Simões, técnico de futebol com belo currículo.
Quando Neymar "encrencou" com Dorival Júnior, por causa de um pênalte que este não o deixou cobrar, René Simões, visivelmente emocionado, fez comentários sobre a necessidade de educar o rapaz: "Está na hora de alguém educar esse rapaz, ou vamos criar um monstro.", resistrado em globoesporte.com (http://globoesporte.globo.com/futebol/brasileirao-serie-a/noticia/2010/09/rene-simoes-suplica-que-eduquem-neymar-assim-virara-um-monstro.html).
Sinceramente, não penso que chegue a tanto. Mas passa perto. Penso, também, que não pode ficar só em Neymar. Precisamos educar comentaristas esportivos, que muito exageram tanto em jogar flores como em descer o pau.
Primeiro que tudo, aproveito para lembrar um versinho que postei, há bastante tempo: "O que sou eu, afinal? Um anjo endemoninhado? Ou um capeta anjelical?" (http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2012/07/experiencia-poetica-muito-preocupante.html).
Penso que algumas ações atuais de Neymar podem estar pegando mal. Não gostei de vê-lo em uma balada, no Rio de Janeiro, no mesmo dia em que deixava de jogar pelo Santos, porque estava suspenso, por ato de indisciplina. Podia estar na balada? Podia! Sendo jovem, tem o direito de se divertir, desde que não cause prejuízo a seu desempenho físico (não o vi andando em campo vez alguma). Mas, impedido de jogar, por suspenso, ficaria melhor na fita se tivesse comparecido ao campo, para "dar uma força" a seus companheiros.
Sucede que isso tudo transita pelo campo habitado por um anjo endemoninhado e um capeta anjelical.
Penso não haver dúvida de que o que acontecer com Neymar, daqui até a copa de 2014, irá refletir na seleção. Por isto, seria bom que todos os circunstantes - técnicos, colegas, comentaristas, publicitários, dirigentes - todos, enfim, passassem a pensar em Neymar, de "forma positiva e operante". Não acho que será transformado em um monstro. Mas, se algo não mudar, poderemos estar pondo fora um enorme talento.

Brasinha: De Rerum Natura



Anjo: treze





14 de mar de 2013

O IMPORTANTE NÃO É TER. NEM SER.

Billy Blanco foi um dos bons e fecundos compositores de Música Popular Brasileira, tendo transitado pela Bossa Nova, junto com Tom Jobim (parceria em Sinfonia Carioca) e outros cobras.
Em seu livro "Tirando de Letra e Música", conta as circunstâncias em que produziu algumas de suas letras. Sobre "Receita de Domingo", conta:

"No dia em que fiz esse samba, eu estava a bordo do Atrevida, iate do meu saudoso amigo Dirceu Fontoura. Eu já era teso nessa ocasião e andava nos iates mais importantes do Rio. É que na vida, gente, vale o usufruto e não a posse. Sacaram?"
 
 
Fonte: Livro "Tirando de Letra e Música", páginas 88/89 - Editora Record, 1966.
Imagem: Capa do livro.

13 de mar de 2013

SEGURANÇA NO TRÂNSITO: ATENÇÃO NO BEIJO!



Alerta que li, há mais de quarenta anos, na Seleções Rider's Digest:








"O homem que consegue dirigir com segurança absoluta enquanto beija uma linda garota não está dando ao beijo a atenção que ele merece!"
 
 
 
Foto: FOX SPORTS - BLOG DA REDAÇÃO

12 de mar de 2013

RESPEITO É BOM. E EU GOSTO!

Respeito é bom e eu gostoCerca de quarenta anos atrás. Um amigo comum entre um superior "hierótico" (como dizia o Renato Corte Real) e eu - cuja distância afetiva regulava com a existente entre o Arroio Chuí e Pontaporã, pelo menos - veio dizer-me:
- Ele disse que não gosta de você, mas que te respeita muito.
Do jeito que veio, rebati de sem-pulo:
- Se fosse a Bruna Lombardi, queria que gostasse muito de mim e adoraria que não me respeitase nem um pouquinho. Ele tem mesmo é mais que me respeitar!

Foto: Verbo da Vida.
http://verbodavida.org.br/jovens/jovens-mensagens/

MAIS CARRINHO EM FUTEBOL

No domingo, comentei o carrinho aplicado em Ferrugem, jogador da Ponte Preta, que sofreu fratura. Está em
http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2013/03/hoje-no-jogo-ponte-preta-x-sao-caetano.html.
Esqueci-me de comentar o lance semelhante acontecido com Lucas, do Paris Saint Germain e Seleção Brasileira. Também saiu de campo lesionado, por causa de um carrinho por trás de um adversário.
Já comentara que Neymar apanha muito (http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2013/01/como-neymar-apanha-meu-deus.html). Até hoje, tem conseguido não sair lesionado.
É impressionante como juízes, comentaristas, dirigentes - todo mundo, torcida até gostando, às vezes - é impressionante, repito, que todo mundo assiste a jogadas ríspidas, desleais, mal intencionadas ou não, resultando lesões em companheiros de profissão.
Ontem, assisti ao "Bem Amigos", pelo SporTV. Comentavam Ferrugem e Lucas.
A maioria achou que o jogador do Azulão que atingiu Ferrugem não quis machucá-lo, mas admitindo que o carrinho é uma jogada muito perigosa.
Vamos fazer analogia com a lei penal: crime doloso é aquele em que o agente quer produzir o resultado, ou assume o risco de produzi-lo; crime culposo é aquele em que o agente, sem intenção de produzir o resultado, labora em negligência, imperícia ou imprudência. Ao entrar por trás, o jogador no mínimo assume o risco de fazer a falta e, pior, lesionar o companheiro de profissão.
Em qualquer das hipóteses, as jogadas perigosas devem ser proscritas. Acho que comentaristas de arbitragem têm um tanto de responsabilidade na situação vigente: dizem que futebol é "esporte de contato", para mim eufemismo de "futebol é pra homem!", com exclamação e tudo.
Comentei, no caso Ferrugem, que o futebol de salão não admitia a entrada por trás. Não precisava ser carrinho (que era penalizado, também), não. Bastava a entrada por trás.
Não é preciso muito esforço de lógica. Valendo o princípio de que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo, dá para perceber que não é possível atingir a bola que está à frente do adversário, buscando-a por trás. Não há como não tocar no adversário.
Fica a discussão: só tocar o adversário é falta? Acho que é. Vi um lance que achei pênalte, no domingo, em que o juiz deu nada. O comentarista fez coro, disse que foi uma mão nas costas, de leve, sem potencialidade para derrubar. Mas desequilibra, isto é inegável. Levar a mão às costas do adversário que parte para o gol já é usar meio ilícito para intervir na jogada.
Lucas fez sua estreia na Liga dos CampeõesMas tem um porém: juiz só acha que é falta se houver violência explícita. Daí é que o futebol está incorporando um monte de atores, porque se não esgüelar o juiz não marca falta.


Foto: Veja.
http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/em-noite-de-lucas-ibra-e-expulso-e-psg-vence-valencia-na-espanha--2


11 de mar de 2013

NO FUTEBOL, A PAIXÃO NÃO FICA SÓ POR CONTA DO TORCEDOR.

Tenho questionado, neste blog, a pressão que comentaristas de futebol fazem sobre árbitros. Muitas vezes com argumentos alheios às regras, sem nexo e até contraditórios (http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2012/01/como-ficam-os-juizes-de-futebol.html).  Digo pressão porque acho que os árbitros, após os jogos, devem assistir aos comentários. Conseqüência: passam a apitar para a audiência. Quanto aos comentaristas, acho que há paixões clubísticas e regionalistas por trás.
Neste fim de semana ouvi algumas barbaridades, que não importa registrar, agora. Vim ao assunto porque me lembrei de um jogo entre Atlético Mineiro e Democrata, de Sete Lagoas, no antigo Estádio Independência, quando  Atlético sagrou-se tetra campeão mineiro.
Os tempos eram muito outros. A torcida do Atlético era a maior no Estado. Foi antes que tivesse aflorado aquele timaço do Cruzeiro, fase que deu início a um crescimento extraordinário da torcida azul.
A atleticana ocupava quase dois terços do estádio. Separada dela, ficava a "coligação", instituto popular que era composto pelas torcidas dos demais clubes, todas torcendo contra o Galo.
Sendo meu irmão cruzeirense e eu um atleticano moderado, fomos para a "coligação".
O Atlético vencia por dois a zero, quando Paulo Valentim investiu para a área do Democrata. Foi barrado, com falta, por Braúna, zagueiro que era "pau puro". Mário Vianna, o juiz, marcou a falta. De temperamento brigão, Paulo Valentim, ainda caído no chão, revidou. Mário Vianna nem pestanejou: apitou forte e apontou para o vestiário do Atlético. Paulo Valentim expulso. Foi quando um torcedor, na "coligação", próximo de mim, gritou:
- Muito bem, Mário Vianna! Expulsa esse cavalo!
Enquanto o torcedor dizia isto, Braúna, que não levava desaforo para casa, tacou o pé em Paulo Valentim. Mário Vianna não pestanejou, de novo: apito bem forte e dedo apontado para  vestiário do Democrata. O mesmo torcedor que o aplaudira, antes, em altos brados, reconsiderou, desta vez com menos convicção:
- O Mario Vianna não devia fazer isto não! Devia deixar os dois em campo.
Foi uma das grandes lições que recebi, em minha vida, do desequilíbrio que a paixão provoca. Hoje, gosto muito de futebol, mas não torço mais.

Foto: UOL Esporte.
https://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&site=imghp&tbm=isch&source=hp&biw=1920&bih=851&q=briga+entre+dois+jogadores+de+futebol&oq=briga+entre+dois+jogadores+de+futebol&gs_l=img.3...3556.8431.0.9717.37.6.0.31.0.1.236.837.2j2j2.6.0...0.0...1ac.1.5.img.P45kuLEM4f0#imgrc=0AoGQsxD6WnyYM%3A%3BivT1GV9d1zv2iM%3Bhttp%253A%252F%252Fimguol.com%252F2012%252F07%252F15%252Fbriga-entre-jogadores-do-hamburgo-teve-como-saldo-o-desmaio-do-atleta-toklgay-arslan-1342382509643_300x300.jpg%3Bhttp%253A%252F%252Fesporte.uol.com.br%252Ffutebol%252Fultimas-noticias%252F2012%252F10%252F16%252Fpor-racismo-jogo-sub-21-entre-servia-e-inglaterra-termina-em-pancadaria-uefa-pode-banir-servios.htm%3B300%3B300

10 de mar de 2013

EM FUTEBOL NÃO HÁ ANJOS







Como em quase tudo na vida, em que se envolva qualquer tipo de competição.
Hoje, Vasco x Botafogo, valendo a Taça Guanabara. O Vasco dependia do empate.
O time do Botafogo corria atrás do prejuízo. O do Vasco segurava o que podia. Chegou a ponto de ter havido um lateral a favor do Vasco e nenhum dos seus jogadores ter-se dirigido ao local onde estava a bola. Foi preciso que um do Botafogo fosse buscá-la e a entregasse ao adversário. O Vasco fazia toda cera possível, para segurar sua vantagem.
Até que aconteceu o gol do Botafogo, que invertia a vantagem. Se mantivesse o escore, o Botafogo seria o campeão.
Daí para a frente, inverteu-se a cera. Era o Botafogo que retardava o que podia.
O que me pareceu ilógico foi o fato de jogadores do Vasco - os mesmos que haviam feito cera - irritarem-se com a cera do Botafogo.
Não há anjos!

Imagem: Folha de Italva.
http://www.folhadeitalva.com.br/

CARRINHO EM FUTEBOL RESULTOU EM FRATURA DE PERNA




FotocomHoje, no jogo Ponte Preta x São Caetano, um defensor do Azulão aplicou um carrinho, por trás, em Ferrugem, da Ponte. Resultado: fratura da perna esquerda.
A responsabilidade de defensor não pode motivar contusões graves, frequentes, em vários jogos. Um dos fatores determinantes é o carrinho e, principalmente, carrinho por trás.
Quanto me envolvia com futebol de salão (dá para ver que foi há muito tempo, pois nem era futsal), qualquer carrinho era falta; qualquer entrada por trás, também.
É óbvio: quando um jogador ataca outro por trás, a bola estando na frente do atacado, não há como chegar a ela sem atingir o adversário, por mais leve que seja. Há jogadores que entram por trás e, quando o juiz marca falta, têm a cara de pau de indicar que foram na bola, em gesto com as mãos.
Não embeleza o futebol e representa risco para os atletas.
Gostaria de ver os juízes marcando faltas em carrinhos - principalmente por trás - e entradas por trás, por mais leve que seja o choque resultante da ação.
Costumamos reclamar da diminuição da qualidade do futebol (quem não viu diz que é saudosismo) mas, do jeito que está sendo tratado, não há necessidade de o jogador evoluir técnicamente, se pode ter sucesso fazendo faltas.
Para que aprender a jogar bola?

Imagem: UOL Esporte.
http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas/2006/10/04/ult59u105117.jhtm

8 de mar de 2013

RONALDINHO GAÚCHO: TIETAGEM DO ADVERSÁRIO

O bolão que jogou contra o Strongest não foi o principal. Mas merece comentário o grande controle do espaço, com sentido aguçado de tempo e movimento, que Ronaldinho esbanja. Não só nos gols do Atlético Mineiro, mas em várias jogadas, Ronaldinho Gaúcho lançava a bola, com precisão, no lugar aonde o companheiro iria estar. Um lançamento, de costas para Jô, encontrou-o à frente do goleiro. A cabeçada foi bem executada mas o goleiro conseguiu mandar a escanteio. No segundo gol, Ronaldinho deu um nó em dois adversários, em um só drible, para lançar Marcos Rocha de frente para o gol. Foi o lance do pênalte que ele converteu.
Muito legal, vitória boa, jogo bem jogado.
Mas o que me encantou foi o encantamento dos bolivianos com Ronaldinho Gaúcho. Primeiro, disputaram a camisa do craque. Depois, e sem o menor pudor, sem qualquer constrangimento, cercaram-no, para que posasse com eles para fotos. Jogadores e comissão técnica tietando o ídolo.
Foi, talvez, o maior e melhor espetáculo de desportividade a que assisti, em futebol.

Foto: SporTV News.
http://sportv.globo.com/site/programas/sportv-news/noticia/2013/03/ronaldinho-gaucho-e-tietado-por-adversarios-do-strongest-fico-feliz.html

7 de mar de 2013

COMUNICAÇÃO É BARRA!





Deu-se que um inglês veio passar carnaval no Rio de Janeiro (antigamente, muitos cronistas iniciavam seus causos por esse "deu-se que..."; acho bacaninha). Chegou ao Rio, curtiu o carnaval, achou tudo lindo mas não entendeu uma palavra do que falavam com ele. Decidiu que voltaria, mas só quando soubesse falar e entender o português. Estudou e estudou. Leu literatura em português - brasileira e de além-mar. Estudou letras de sambas, desde Noel Rosa até Michel Teló, Luan e companhia. Achou que estava craque, reservou hotel e comprou passagens. Tudo escrito no português mais castiço.
Sobrevoando a cidade, reviu, com encantamento, a Baía da Guanabara. Lembrou-se de Tom Jobim e emocionou-se.
Desceu no Galeão. Tomou um táxi e recomendou ao motorista, sempre usando aquele português dos privilegiados:
- Por favor, leve-me ao Copacabana Palace.
No trajeto, solicitou:
- Por favor, pare naquela cafeteria ali, para que eu possa tomar um café.
Desceu e adentrou a cafeteria (considerando o português que o inglês falava, não me sentiria bem se dissesse, simplesmente, que entrou).
Quando - ainda muito bem falante - solicitou um café, a atendente perguntou se poderia esperar só um pouquinho, porque havia dado defeito na máquina de café e dois especialistas estavam acabando de reparar, já em experiência.
Aquiesceu. Ficou por ali, perto dos consertadores da máquina, prestando atenção. Foi quando um deles disse ao outro:
- Pó pô pó?
Ao que o outro respondeu:
- Pó pô.
Imediatamente, o pó foi colocado.
O inglês voltou ao táxi e recomendou ao taxista:
- Leve-me de volta ao aeroporto, please.

Foto: CPT - Centro de Produções Técnicas.
http://www.cpt.com.br/artigos/como-montar-uma-cafeteria

6 de mar de 2013

O PIB?

Dizem que está pequenininho. Pergunto:

Será pequenino o pib
porque não computa 
o que vai pro Caribe?                      



Imagem: SINPRO/RS.
http://www.sinpro-rs.org.br/periodo/urcamp_junho10.asp

O VELHO JOGUINHO DO BICHO: CULTURA POLÍTIQUEIRA.

Já trouxe este assunto ao cadikim, quando rolava a CPMI do Cachoeira (sumiu, hein?!!! Ninguém mais fala...). Está em http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2012/05/jogo-do-bicho-tambem-e-cultura.html.


Relendo o livro "Subterrâneos do Futebol", de João Saldanha (para variar, comprado em sebo; acho que não se encontra mais), encontro o assunto folclórico colocado de forma muito legal. Antes, e para os que chegaram depois de 1970 (ou depois de 1990, porque, então, detalhes da Copa de 1970 já não estavam muito à mão), lembro que João Saldanha, jornalista, foi o técnico que classificou a seleção brasileira para a Copa daquele ano. Apelidado de "João sem Medo", repeliu insinuação do Presidente da República, Garrastazu Médici, que, em entrevista a Armando Nogueira, teria dito que gostaria de ver Dario (o Dadá Maravilha) na seleção, no lugar de Tostão, que se recuperava de uma cirurgia para corrigir descolamento na retina. Perguntado a respeito, João Saldinha disse: "Olha, o presidente escala o ministério dele; eu escalo o meu time". É claro que não escalou mais. Para o lugar dele, convocaram Zagallo, provavelmente o futebolista mais bem sucedido na história do futebol brasileiro.
Feito o devorteio, voltemos ao outro assunto folclórico - o jogo do bicho. João Saldanha conta que o Botafogo foi jogar no Nordeste, e de lá seguiria para Caracas. Um atraso no vôo de Belém do Pará para Caracas - marcado para as quatro da tarde, só sairia no dia seguinte à noite - obrigou a delegação a permanecer em Belém. Houve tempo para tertúlias. Aí, vamos ao texto original do João sem Medo:
"Aloísio recebeu os talões da bagagem e fomos para o ônibus. Nisto o Birruma exclamou:
- O senhor não está manjando nada?
Olhei em volta, não vi nada de mais e perguntei o que era. Birruma expôs:
- O número de nosso vôo termina em quarenta. O avião era Convair 240. Aqui é a terra do Quarenta. Vamos para o Hotel Coelho. O talão da bagagem termina em 39 e esse ônibus é 38. Tudo coelho. Tá na cara. Será que tem jogo aqui?
Tinha. Em cada esquina importante, lá estava o balcãozinho com o resultado anterior. A segunda extração corria às três horas e dava tempo de sobra. Terminado o almoço, todos foram pra lá. Até o Cavalcanti, alto funcionário do Ministério da Fazenda.
Como estávamos uniformizados, com paletó azul-marinho e calça cinza-escuro, o grupo chamava a atenção. Num instante começou a onda: 'Olha o Didi! Olha o Nílton. Vai ter jogo aqui?'.
- Vai sim - respondeu o Tomé. - Onde é o jogo do bicho?
Quando chegamos à esquina, vinha um bando enorme atrás e ao nos dirigirmos para a porta de entrada, o bicheiro evaporou e fechou rápido.
.........................................................................................................................................O bicho era franco e até o governador Barata poderia fazer sua fezinha. Talvez não pudesse. Segundo diziam, ele era o banqueiro.
.........................................................................................................................................
Íamos saindo quando parou um táxi e saltaram três homens. Um, de terno de linho branco engomado, camisa de seda, um bruto anelão no dedo e de chapéu-de-chile, foi perguntando:
- O que é que há por aqui? Que onda é essa?
- Chegou a Polícia - disse Carvalho Leite. - Vamos ficar. Pode dar galho.
Nisto, Aloísio Birruma gritou, fraternalmente:
- Alfredão, meu chapa! Você por aqui?!
- Como vai, Aloísio, o que que há? Que onda é essa? - respondeu o homem da camisa de seda.
O Aloísio explicou:
- O cara daí apavorou e fechou a porta. O pessoal quer jogar no coelho. É só isso.
.........................................................................................................................................
A turma ia entrando e fazendo o jogo. O primeiro foi o Aloísio que entrou compenetado e mandou brasa:
- Mil cruzeiros no grupo do coelho, quinhentos no milhar 1340 e quinhentos na centena. Dois mil, não é?
Os outros foram nas águas do Aloísio. Só que jogaram cinqüenta por cento da parada do Birruma. A torcida também entrou e acho que jogaram a mesma coisa.
O Alfredão, com atitudes de diplomata, só dizia:
- Façam o favor. Estejam à vontade.
Mas não podia esconder certa preocupação, e Tomé falou baixinho:
- Se dá coelho com 1340, este careta vai sumir na floresta amazônica.
Mas o Alfredão era todo gentilezas. Convidou todo mundo para um refresco e foi explicando:
- Estou aqui há seis meses. O homem me chamou para ser gerente do negócio. Vamos indo muito bem. Não tenham medo. Se dá coelho, às três e meia recebem. Se quiserem mando pagar no hotel. Para falir o bicho aqui, só falindo o Banco do Estado primeiro. Entenderam?
.........................................................................................................................................
Fizemos as apresentações formais:
- Aqui o senhor Cavalcanti, fiscal federal do Ministério da Fazenda - disse eu.
- Alfredo Alonso, mais conhecido como Alfredão. Sou o gerente do... quer dizer... da... loteria diária aqui de Belém.
E nos convidou para assistir á extração que era ali pertinho.
- Já está na hora - disse ele -, mas só corre quando eu chegar.
O Cavalcanti hesitou e não queria, mas Carvalho Leite insistiu:
- Vamos lá. Assim vai passando o tempo.
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Alfredão tomou a palavra e disse com um vozeirão:
- A extração de hoje será feita com a presença dos diretores do Botafogo, do Rio de Janeiro - e apontou para nós que estávamos com o uniforme do clube.
Carvalho Leite murmurou:
- Se o presidente Paulo Azeredo visse esta cena, abortava um filho.
Mas o Alfredão prosseguiu:
- Também estão presentes o senhor Garrincha, o senhor Tomé e o senhor Didi (Palmas estrondosas). Também está presente - continuou Alfredão, sempre de chapéu-de-chile na cabeça e fazendo suspense -, também está presente o senhor Cavalcanti, fiscal federal do Ministério da Fazenda.
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Desta vez houve uma exclamação geral de admiração e depois perguntava-se: 'Agora está legal?! Está legal?! Saiu o decreto?!' ".
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NOTA: Segundo o cronista, o jogo do bicho correu em Belém do Pará, com a presença anunciada, aplaudida e geradora de esperanças de um fiscal federal do Ministério da Fazenda. Parece que tudo faz sentido.

FONTE: Os Subterrâneos do Futebol - João Saldanha - Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro, 1982.
IMAGEM: Capa do livro.