30 de jun de 2012

INCIDENTE EM RAMPA DO PLANALTO. O FEMINISMO LEVANTA BANDEIRA.

Não sei quem era a mulher que descia uma rampa, no Palácio do Planalto (Achei! Era uma senadora). Houve uma quase queda, e a visitante foi amparada pela Presidente Dilma. Até aí, um simples incidente. Os comentários é que deram dimensão diferente. Logo alguém falou que o arquiteto que projetou o palácio não preparou o ambiente para que fosse freqüentado por mulheres. Outra passoa observou o tamanho do salto do sapato da visitante. É claro que o feminismo ficou em evidência: nunca ninguém, antes, neste país, imaginou que uma mulher pudesse freqüentar o Palácio do Planalto.
Penso que é oportunismo para levantar bandeira feminista. 
Penso que, se a Constituição Federal representa a índole e os anseios sociais de um povo, qualquer discriminação deve ser olhada com reservas.
No entanto, tenho comentado que, na luta contra a discriminação e as restrições, nem o negro, nem a mulher, mudaram de posição batendo panelas. Foi mostrando serviço.
Sabe-se que foi com a Constituição de 1934 que o voto feminino foi regulamentado, no Brasil. Mas antes disto, em 1927, uma gaúcha, Celina Guimarães Viana conseguiu inscrever-se como eleitora Não sei se foi sobre essa Celina que li, há tempos, que, sendo bacharel em Direito, leu na Constituição, mais ou menos o seguinte: "Podem votar e ser votados: 1. os brasileiros natos". Aí, disse: "Uai, eu sou isso aí!" Ou melhor, não sendo mineira, deve ter dito: "Barbaridade! Sou brasileira nata, tchê!".
E conseguiu ser a primeira eleitora no Brasil. Já a primeira mulher escolhida para ocupar um cargo eletivo era do Rio Grande do Norte. Alzira Soriano, eleita prefeita de Lajes, em 1928, pelo Partido Republicano. Não terminou seu mandato, porque a Comissão de Poderes do Senado anulou os votos de todas as mulheres.
Machismo? Não! Coisa "mais pior"! Arbítrio. Pensando em arbítrio, estamos repudiando qualquer tipo de arbítrio, que possa ser praticado contra homens ou contra mulheres. Pensando em feminismo, estamos comprando a briga errada, acho.
Tem mulher de atitude mais antiga. Chiquinha Gonzaga quebrou padrões muito mais rígidos. Comentei sobre ela, há mais de vinte anos, dizendo que, quando as donzelas que prezavam o título só tocavam ou cantavam em saraus, na casa do papai, Chiquinha Gonzaga foi para ribalta, ingressando no panteão das feras da música, da cultura e da política brasileiras. Em 11 de junho de 1912, estreava a mais famosa peça teatral musicada por ela, com mais de trinta peças musicais, sendo que Forrobodó é a mais lembrada.
Daí, penso que não há opressores. Há oprimidos.
Chiquinha Gonzaga era filha de um de um general do exército imperial. Casou-se com um oficial da marinha imperial. Para exercer sua arte e realizar-se como grande compositora e arranjadora, dentre outras coisas, "meteu o pé no balaio de ovo" e deixou tudo o que isto podia representar.
É claro que as mulheres ocupam, atualmente, espaço muito importante no mundo. Mas as restrições, para mim, não estavam em machismo, mas em arbítrio. Capacidade de ganhar a concorrência na marra.Quando alguém enfrentou, os homens não conseguiram segurar a onda.
Agora, querer que os arquitetos que projetaram Brasília pudessem imaginar os tamanhos dos saltos dos sapatos das mulheres, em 2012, aí também é demais pros meus sentimentos, tá sabendo?

Foto Senadora: Blog do Camarotti.
http://g1.globo.com/platb/blog-do-camarotti/
Foto Chiquinha Gonzaga: Wilipédia.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Chiquinha_Gonzaga


29 de jun de 2012

SUCESSO NO FUTEBOL: DRIBLANDO COMPORTAMENTOS E REALIZANDO SONHOS

Todos temos sonhos. Um dos mais acalentados parece-me ser o sonho do sucesso. Sonho e não vontade. Pela vontade, sabemos que temos de desenvolver esforços e suportar sacrifícios. Sonho é que é bom: algo que aconteça da noite para o dia e pronto! Está aí o sucesso.
Como todos temos sonhos, o terreno é fértil para admitir e até aplaudir a realização de sonhos alheios. Isto parece-me bom, porque revela um lado favorável de nossos julgamentos.
Há alguns dias, um rapaz muito jovem e quase desconhecido virou "o mais". Romarinho, nascido em Palestina, interior de São Paulo, fez o gol de empate do Corinthians contra o Boca. A cidade viu-se assediada por repórteres, que queriam informar sobre as origens do rapaz. O ex-técnico disse que levou Romarinho para o Bahia mas que o então adolescente chorava, querendo voltar para sua terra, para perto de sua família. Passou pelo São Paulo. Segundo a reportagem, não ficou porque não gostava de estudar. Foi para o Timão. Entrou no fim da partida, fez o gol e está na mídia e na admiração dos manos. 
Balotelli mostra os músculos, ato que valeu um cartão amarelo e comentários irônicos / Gabriel Bouys/AFPOntem, um negro, com 21 anos de idade, fez os dois gols da seleção italiana contra a alemã. Balotelli, filho de um casal de ganeses, que o abandonaram no hospital, onde foi cuidado pelos médicos, até cerca de dois anos de idade, quando foi adotado pela família Balotelli. Após o segundo gol - um golaço, desde a colocação para receber a bola, passando por uma "matada" no tronco, deixando a bola mal encostar para colocá-la na frente, terminando com um canhão que colocou-a no ângulo do gol alemão, a mais de 100 km/h. Também ocupou grande espaço na mídia, mais talvez pela comemoração de tronco nu, cara de mau, contração muscular, quase um Hulk, não fosse a enorme diferença de massa. Tem história, também: polêmico, encrenqueiro às vezes, folclórico (disse que não tem por que comemorar gol, porque faz sua obrigação; arremata: o carteiro comemora quando entrega uma carta? mais: disse, ironizando, que o juiz aplicou-lhe o amarelo porque teve inveja de seu porte físico).
Duas histórias com alguns pontos semelhantes. Romarinho não gosta (ou não gostava) de estudar, no que não difere muito da maioria dos jovens que buscam o futebol como alternativa (única) de futuro, foi o salvador da lavoura, contra o Boca e é o corintiano da hora. Balotelli, uma criança abandonada pelos pais, no hospital, ofendido pelas demonstrações de racismo, apronta algumas enquanto se destaca como goleador, agora meio-herói.
O sucesso é a panacéia. Deixa à mostra apenas os aspectos positivos da pessoa, ocultando outros que podem complicar-lhe o futuro, como tem acontecido com muita gente.

Foto Romarinho: GAZETA ESPORTIVA.net
http://www.gazetaesportiva.net/noticia/2012/06/corinthians/feliz-por-brilhar-romarinho-nao-cobra-vaga-vamos-buscar-o-titulo.html
Foto Balotelli: Band.com.br
http://www.band.com.br/esporte/futebol/eurocopa/italia/noticia/?id=100000513641

28 de jun de 2012

SE GRITAR PEGA LADRÃO...

O Poder esmagando a fé
Costumo assistir às sessões de CPI e de CPMI. Muita conversa de malandro pra delegado, já disse. Ontem, o "entrevistado" foi o jornalista Luiz Carlos Bordoni. Informou que recebeu pagamentos de caixa 2 de Marconi Perillo. Pelo que entendo, o PT quer mostrar que no PSDB também tem gente no desvio. Isto pode livrar a cara do pessoal do mensalão? Sei lá. Mas ninguém quer provar que os envolvidos no mensalão são honestos. Quer provar que há desonestos em outros partidos.
A testemunha falou, respondendo a um deputado, que não declarou para a Receita Federal todos os valores que recebeu, por serviços prestados a candidatos, em campanhas eleitorais. Acrescentou que todas as campanhas eleitorais apresentam contas sem considerar todos os valores que efetivamente receberam. Penso que não devia estar falando bobagem, porque já ouvi alguém, ex-importante, dizer, via embratel, que "todo mundo faz caixa dois". Foi quando um senador do PSOL perguntou ao jornalista de que campanhas eleitorarais havia participado e, após a enumeração, pela testemunha, perguntou se havia sonegado informações à receita em todas elas. A testemunha respondeu que não, que apenas algumas, e patati e patatá... Pela "seriedade", e até alguma rudeza, com que se porta, habitualmente esse senador, imaginei que iria "apertar", cobrando da testemunha que dissera de "todas as campanhas". Mas o senador conteve-se. Parou por aí, quanto a esse tema.
Fez bem. Dizem que quem conversa demais dá bom dia a cavalo. E que quem diz o que quer ouve o que não quer. Poderemos acrescentar: quem pergunta demais arrisca-se a ouvir respostas indesejadas.
Vai dar em nada, sim!
Mas, em alguns aspectos, chega a ser divertido ouvir uns e outros. O senador Álvaro Dias perguntou ao jornalista Bordoni se era verdade que este disse ter sido abduzido por ETs, como havia sido publicado em um blog, em Goiás. O jornalista respondeu que sim e que, inclusive, havia encontrado todas as pessoas que haviam passado aquela informação ao senador. Risadas entre membros da CPMI, tendo Álvaro Dias dito que devia acreditar tanto nisto quanto nas outras histórias que o jornalista contou.
Vê-se que o senador queria investigar nada, e sim desacreditar a testemunha. Mesmo porque penso e digo, há muitos anos, que ninguém suporta qualquer investigação pouquinho mais cuidadosa. Tanto é que a Sacra História não fala de alguém que tivesse atirado a primeira pedra em Maria Madalena.
Este o ambiente da CPMI. Não quer investigar, porque o ventilador giratório está ligado. Pode até ser que alguém tenha vontade. Mas será cruelmente frito, se tentar!

A ARTE POÉTICA DE CÍCERO CHRISTÓFARO


SAUDADES
 
Saudade de ti
Quando apanhavas frutas
No chão
Via tua calcinha azul
Eu nem sabia
Azul era cor                             

Saudades de ti
Comendo doce de leite
Sentada
No tamborete redondo
Eu lambia teus dedos
Mesmo lambuzados
Com tua língua
Eu nem sabia
O que era beijo

Saudade de ti
Quando viajavas pra longe
No carro verde de teu pai
Eu não te via
Por tempos e tempos
Eu nem sabia
Saudade era longe

FOTO: Coisas de Menina
http://www.coisasdemenina.com/sentir-saudade-e-muito-bom.html

27 de jun de 2012

CORINTCHAAAAAAA!

Não compartilho do entusiasmo que um time de futebol desencadeia, como se fosse "A Pátria em Chuteiras", como quis o grande Nelson Rodrigues. Adoro futebol! Mas só ver jogar. Verdade: a única coisa com que a velhice me incomoda é não poder jogar futebol. Mas daí a empenhar minha própria vida - como está no hino do Corinthians - para um time de futebol, vai uma distância muito grande. Tenho coisas interessantes a fazer e a pensar. Sou uma pessoa, não um pontinho no meio da torcida. Prepotência? Pode ser. Mas não desvio meus interesses - e, creio, interesses de milhões de pessoas - como se uma partida de futebol decidisse sobre eles. Saúde, Amor, Oportunidades, Liberdade, Respeito... Tanta coisa esquecida por causa de uma final de Libertadores. É demais pros meus sentimentos, tá sabendo?
Fui um atleticano moderado, de ir assistir a jogos daquele Cruzeiro fantástico. Estou no último quarto da vida. Feliz. Não sei como estaria se tivesse acumulado os muitos sofrimentos e as muitas frustrações que vi atleticanos e torcedores de outros clubes introjetando em seus interiores. Pessoas que arrastarão esses sofrimentos e essas frustrações até a sepultura. Realmente, tenho pena de ver, pela TV, pessoas pobres, mal vestidas, desdentadas, com expressões horrorosas de sofrimento, porque seu clube não consegue fazer um gol. Não consigo ver torcedores com expressões de enlevo, de carinho. São expressões de ira, de poder extremado (um poder que o torcedor comum não tem), de apreensão, de tristeza... Acho que a vida não pode passar por ali.

Foto: Vindo dos Pampas.
http://vindodospampas.blogspot.com.br/2011/05/torcedor-do-flamengo.html

26 de jun de 2012

NOSSA CAPACIDADE DE ACREDITAR

Não sei se é bom ou mau. Penso que um dos fatores da nossa insegurança é, exatamente, a nossa grande capacidade de ouvir mentiras e acreditar nelas. A publicidade fatura alto com isto. Vejamos os bancos. Todos estão anunciando que "baixaram os juros". Tem um, então, que diz, por boca de um belo garoto-propaganda, que foi "bom para todos". Outro diz que agora você pode comprar um montão de coisas, porque os juros baixaram. Mostra uma mocinha feliz, dizendo que tirou um empréstimo de 2.000 e que vai pagar pouco mais de 85 por mês, 36 meses. Diz que ia pagar 118,70. Economia de mais de 1.000 reais! Uai! Se podia, e se é bom para todos, por que não fizeram antes? Pagando 36 x 118,70, dá 4.372,20, mais do dobro do que foi emprestado.  Era demais, não? Mas foi preciso que o governo levasse os bancos a juros menos altos. Não foram os bancos, como estão espalhando pela mídia. Mas ainda não está lindo, não! Trinta e seis prestações de 85,00 vão dar em 3.060 reais, por um empréstimo de 2.000. Diferença de 1.060. Mais da metade. Será que não tem jeito de ficar um pouquinho melhor "para todos"?
Nossa capacidade de acreditar é enorme"


Imagens:
Buscando emprestado: Pádua Campos.
http://paduacampos.com.br/2012/2012/06/15/ja-podem-sacar/dinheiro-2/
Levando para pagar: FRPromotora
http://frpromotora.com/pagina.php?pag=extra44

25 de jun de 2012

FUTEBOL MINEIRO: QUEM METEU O PAU DEVE ELOGIAR

Criticamos muito. Não era para menos, uai! No Brasileirão de 2011, um rebaixado e dois raspando. Foi demais pros meus sentimentos, tá sabendo?  
Agora, toca a elogiar, sem excessos. Mas que dá gosto ver dois mineiros na cabeça da lista e, na Série B, o América buscando voltar, isto dá. Cruzeiro e Atlético têm obtido bons resultados. América começou muito bem e ainda está em situação boa. É claro que o campeonato está apenas começando. As concorrências já estão se desenhando, com Vasco, Grêmio, Fluminense e Internacional despontando. Botafogo, que havia disparado, está em baixa. Flamengo e São Paulo, num lesco-lesco ainda sem solução. Zona de rebaixamento pregando susto, mas a gente sabe que deve ser coisa passageira. Na Série B, além do América, o Boa Esporte vai indo bem, mas com muita gente no encalço.
Desejamos um futebol mineiro com mais destaque. Sentimos necessidade de administrações eficazes, para que nossos clubes consigam colocar-se bem nas respectivas tabelas. É tempo de estádio novo, com a torcida presente. Bater palmas é muito melhor! Força Raposão! Força Galo! Força Coelho! E força, Boa Esporte! Vamos voltar a fazer sucesso, Ipatinga!

Foto: ESPN.com.br
http://espn.estadao.com.br/noticia/254844_VIDEO%20REFORMADO%20ESTADIO%20INDEPENDENCIA%20TEM%20CERCA%20DE%20SEIS%20MIL%20PONTOS%20CEGOS

22 de jun de 2012

PRA QUE PREOCUPAR?

Acordei, hoje, com a notícia de que "Globo veta Toffoli no mensalão" e a opinião de alguém no sentido de que o mensalão merece um julgamento severo e técnico, mas que a interferência da mídia no processo ultrapassa o limite de bom senso.  
Fui ler algo a respeito. Curiosidade minha, só, porque acho que o mensalão vai dar em nada. Como vai dar em nada tudo o que anda acontecendo por aí. Como deu em nada um montão de coisas que nos contaram em passado recente. Fui esbarrar no "Conversa Afiada" com Paulo Henrique Amorim.
Vai daí que encontrei lá o seguinte: "O GLOBO teve acesso a e-mails trocados pelos procuradores em um sistema de rede interna do Ministério Público. Nas mensagens, procuradores enumeram fatos jurídicos para sustentar o impedimento de Toffoli".
Como é que pode dar em alguma coisa? Será mesmo verdade que um jornal teve acesso a e-mails trocados pelos procuradores em um sistema de rede interna do Ministério Público? Como é que terá sido? Não é rede interna? Algum procurador desavisado avisou para o Globo? Transmitiu os e-mails para o jornal? Ou o Globo rackeou?
Já me encabula, há muito tempo, quando uma emissora de TV, de Rádio, ou jornal alardeia que conseguiu determinada informação em órgão público, com exclusividade. Como? Os órgãos públicos andam privilegiando emissoras disso ou daquilo, essa ou aquela? Pode? Sempre imaginei que, em se tratando de informação pública, algum jornalista pode ser mais rápido e conseguir o "furo". Mas exclusividade?
É demais pros meus sentimentos, tá sabendo?
Vamos tocando nosso barco, tomando nossa cachacinha sagrada, saboreando o churrasco de fim de semana, com bastante cerveja...
Preocupar pra que, gente?


Imagem: NãoCustaSaber.Com
http://naocustasaber.blogspot.com.br/

21 de jun de 2012

A VIOLÊNCIA NO FUTEBOL TEM VÁRIAS ORIGENS

Gandula fica caído e é atendido após ser empurrado por Adriano, volante do SantosDesrespeito gera desrespeito. Já nos acostumamos a considerar que a vitória deve ser buscada a qualquer custo. Mesmo sacrificando princípios éticos.
Ontem, logo no início do jogo entre Corinthians e Santos, para definir um dos finalistas da Libertadores, um gandula demorou, de propósito, a devolver a bola. O mando de campo era do Corinthians. Neymar reclamou. O juiz não se pronunciou. 
É claro que o gandula tinha sido orientado para fazer isto. É um dos lados feios do futebol. Retardar o jogo, quando o resultado interessa. Comentei com minha mulher que o fato ainda poderia assumir proporções mais graves. Achei que o juiz deveria fazer substituir o gandula, imediatamente. Penso, até, que o clube mandante deve ser penalizado, porque é o responsável pela disciplina da atividade de repor bolas em jogo.  Observei que, se o juiz não coibe qualquer tipo de anti-jogo, logo no princípio, as coisas podem ficar mal paradas. É uma forma infalível de irritar o adversário. E irritar o adversário - e, de carona, a torcida adversária - é forte catalizador de violência, entre jogadores e até na torcida.
Não deu outra. Após o gol de empate, que classificava o Corinthians, a bola foi à lateral. O gandula demorou a devolver. Um jogador do Santos engrenou uma quinta e partiu com tudo para cima do gandula, meteu-lhe as mãos no peito e lançou-o ao solo.
Os comentaristas disseram que o jogador não pode fazer justiça com as próprias mãos. Concordo. Mas se o juiz não faz, deixa correr solto, acaba alguém perdendo a paciência. Não aplaudo o jogador que atacou o gandula. Mas reprovo muito mais quem colocou o gandula para retardar jogo.
É uma pena! O futebol é muito menos futebol.

EDIÇÃO EM 29 DE AGOSTO DE 2013:

Incidente envolvendo a torcida do Corinthians, no Mané Garrincha. Violência entre torcedores, entre estes e a Polícia, tendo sido visto, na tv, um vereador de cidade do interior do Estado de São Paulo aplicando um pontapé em um PM. No mais, a notícia de que dois torcedores envolvidos nas ações de violência, com destaque, haviam sido presos na Bolívia, acusados de participar de atos de violência, quando morreu um jovem torcedor daquele país.
Segundo informado na tv, clubes financiam torcidas organizadas e facilitam atividades delas.
Parece que não há interesse verdadeiro em coibir a violência nos estádios.


Foto: Uol Esporte Futebol
http://esporte.uol.com.br/futebol/campeonatos/libertadores/ultimas-noticias/2012/06/21/gandula-agredido-admite-ser-corintiano-mas-nega-cera.htm

20 de jun de 2012

"PARIS VAUT BIEN UNE MESSE". SÃO PAULO VALE UMA VISITINHA, MANO!

França, 1593. Henrique I de Navarra, um Bourbon, príncipe de sangue protestante, queria ser rei da França. Para legitimar-se no trono, teria de converter-se ao catolicismo. Não titubeou e legou-nos um monumento de hipocrisia irônica:
"Paris vaut bien une messe!" (Paris vale bem uma missa). 
São Paulo, 2012, concertada uma aliança entre o PT e o PP de Paulo Maluf. Os noticiosos informam que o encontro teria de ser na residência de Maluf, que assim o exigira. Em jogo a Prefeitura de São Paulo.
São Paulo vale bem uma visitinha, mano!


Imagem: EcholaListes
http://www.echolalie.org/wiki/index.php?ListeDesChefsDetatsFrancais

16 de jun de 2012

´"FAIR PLAY" NO FUTEBOL: QUEM ACREDITA É TROUXA!

Jogo entre Grécia e Russia, pela Eurocopa. Mais de 40 do segundo tempo, Grécia vencendo por um a zero. Em uma bola dividida, em que o jogador russo não tocou no grego, este cai e começa a contorcer-se. O time russo segue jogando, vai ao ataque. Em uma disputa, um grego leva vantagem e coloca a bola pela lateral. Os gregos partem para cima dos russos, discutindo e reclamando da falta de espírito esportivo (foi o narrador quem disse, porque não entendo nem grego, nem russo).   Ganharam um bom tempo com o quiproquo e com a saída do "lesionado". Que, assim que a maca foi posta no chão, levantou-se lépido e fagueiro. Como que se lembrando de que não era conveniente tanta disposição, começou a mancar, manqueira que logo foi substituída por um titubeio e olha lá ele de novo, dentro de campo. 
Se os russos tivessem tido espírito esportivo, tinham assinado atestado de trouxas.
Fica muito difícil acreditar no ser humano. É só estabelecer um "ritual" de respeito por outrem, e alguém já acha de simular, para aproveitar-se.
Muito feio!

Foto: Gazeta Esportiva.net (legenda: "A zagueira Érika tentou simular contusão e levou cartão amarelo contra os EUA").
http://www.gazetaesportiva.net/noticia/2011/07/futebol-feminino/estudo-diz-que-mulheres-simulam-menos-faltas-que-os-homens.html

15 de jun de 2012

UMA ÓTIMA NOTÍCIA (OU, DEPENDENDO, PÉSSIMA NOTÍCIA)

Hoje, meu telefone tocou. Até aí, nada de mais. Costuma tocar, a maior parte das vezes por engano, com um dígito errado no prefixo. Sempre presto serviço ao meu amigo, titular da linha que as pessoas querem, e encaminho o dígito certo. Toca, também, oferecendo cartão de não-sei-que-lá, ofertas mil... 
Quando tocou, hoje, atendi. De bate pronto,uma vozinha feminina, como convém:
- Temos uma ótima notícia para você! Se for o fulano de tal, digite 1.
Sou o fulano de tal. Mas desliguei, imediatamente. Tenho pavor de ótimas notícias, quando vêm por esse tipo de canal. Lembro-me da estória da mocinha que foi ao ginecologista, apresentando resultado de exames que lhe haviam sido solicitados pelo médico. Eufórico, o ginecologista disse à mocinha:
- Minha senhora, tenho uma grande notícia para dar-lhe.
Ao que a mocinha redarguiu:
- Senhora, não, doutor! Senhorita!
O médico:
- Senhorita, tenho uma péssima notícia para dar-lhe.

Imagem: Gravidez na Adolescência.
http://professorasdunga.blogspot.com.br/2010/08/gravidez.html

14 de jun de 2012

EU SÓ QUERIA ENTENDER... COMO NO POEMINHA.

O tema é recorrente. Na CPMI do Carlinhos Tsunami, assisti a uma declaração do governador de Goiás, Marconi Perillo, informando que, pela venda de uma casa, recebera três cheques em pagamento, do valor de 500 mil reais cada (mais ou menos isto). Disse ele que o descuido em que incorreu foi apenas não verificar quem era o emitente dos cheques, o qual, segundo foi dito na CPMI, era sobrinho do Carlinhos.
Pessoa mais confiada, esse senhor! Receber um milhão e meio, em cheques, e não verificar quem os emitiu!
Pelo andar da carruagem, ninguém é culpado na CPMI do Cachoeira.
O que me reporta a um poeminha descontraído, que meu irmão declamava, às vezes, com muita ênfase:






Pelas ruas da cidade,
com toda seriedade,
um louco ia dizendo:
- Não entendo... não entendo...
E, se alguém lhe perguntasse:               
- Mas o que não entendeis?
Respondia, face a face,
com presteza e sizudez:

- Donzelas são sempre puras,
casadas procedem bem.
Viúvas são criaturas
honestas como ninguém.
No entanto, de criancinhas
os orfanatos vão se enchendo.
De quem são essas crianças?
Não entendo... não entendo...


Imagem: Reflexões em Poesia.
http://reflexoesempoesia.blogspot.com.br/2012/05/bendita-duvida-uma-questao-de.html

O BIGODUDO DE TAMANCOS: A VACA FOI.










Comentei, ontem, a referência a uma âncora de TV, que repetiu, várias vezes, a palavra inidoniedade (http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2012/06/o-bigodudo-de-tamancos-vaca-esta-indo.html). Disse que, se a tal âncora tivesse conversado com a mamãe, teria falado inidoneidade. Há dias, vi uma outra escorregadela nos tamancos do português, que me impressionou muito. Uma médica, também presidente de uma associação brasileira de especialistas, falando sobre o envelhecimento, disse da necessidade de cuidados, por todas as pessoas, para que a velhice não chegue tão pesada. Assinalou que não existe uma "porção" mágica para proteger as pessoas da fatalidade do envelhecimento.
Estou certo de que, se a doutora tivesse lido Asterix, o Gaulês (qualquer das estórias) teria dito poção mágica.



Imagem: Jura em Prosa e Verso.
http://www.juraemprosaeverso.com.br/FotografiasEDesenhos/Desenhos.htm

13 de jun de 2012

O BIGODUDO DE TAMANCOS: A VACA ESTÁ INDO PRO BREJO?

Para meu amigo Armando, o Bigodudo de Tamancos era o Português - idioma. Sempre que alguém escorregava no vernáculo, Armando observava: "mais cuidado com o Bigodudo de Tamancos".Ontem, assistindo a um programa de TV, uma âncora das mais prestigiadas na mídia, com muito tempo de praia na área do jornalismo, informou que a CGU - Controladoria Geral da União - havia declarado a Delta inidônea para prestar serviços ao Estado, em qualquer dos níveis. Disse a âncora que isto significava que a Delta ficava na situação de inidoniedade. Repetiu a expressão mais de duas vezes, chegando até a assinalar, quase escandir: i - ni - do - ni - e -da - de.
Assustou-me. Será que mamãe esteve sempre errada, quando dizia inidoneidade? Mamãe, apesar de ter cursado apenas até o quarto ano primário (entre 1914 e 1918), conhecia o Português de Tamancos com muita intimidade. Mas tudo é possível. Quando digitei inidoniedade, o Google puxou-me as duas orelhas, com aquela autoridade: "você quis dizer: inidoneidade".
Apesar do puxão de orelhas, mostrou-me várias referências a inidoniedade, em revista jurídica de expressão, com citações de decisões de Tribunais - o Regional Federal, o Regional do Trabalho, o de Justiça do Paraná... tudo fazendo referência a inidoniedade. Pirei! Será que aprendi tudo errado? Ponderei que já vi uma ata de audiência, no Tribunal de Justiça do Distrito Federal, assinalando que o reclamante alegara que "deu pânico no computador", o que me fez objetar que deu pânico no meu cliente, que não conseguiu sacar em caixa eletrônico, que sofrera pane. Chamei a atenção para o fato e a juíza disse que não tinha a menor importância. Ficou pânico. Pode ter sido influência do Gordurinha (compositor que, pela idade da juíza, não deveria ter sido conhecido por ela), que disse que, em viagem aérea, dera "pânico no motor" (de propósito). Vi, também, uma petição de advogado dizendo que o juiz "monocromático" não andara bem em decisão que estava impugnando. Se tivesse google, teria objetado, em resposta a consulta: "você quis dizer: monocrático". Monocrático, para quem não é do ramo, é um juiz único, única autoridade no processo, diferente dos tribunais, em que o julgamento é feito por três juízes, pelo menos. Matutei que "juiz monocromático" pode ser um negão de toga. Posso sofrer invectivas, dizendo que se trata de racismo. Não é. Não consigo dizer para minha cabeça: "não pense besteira". Tem hora que, depois de pensar, é preciso falar. 
Minhas viagens não me trouxeram satisfação. Insisti, porque encontrei o yahoo perguntando o que é inidoniedade, e algumas pessoas respondendo, como se tratasse de inidoneidade. Continuei pesquisando, até encontrar, em MyMemory: "Computer Translation - Portuguese - inidoniedade - English - inidoniedade".
Ah! "Igualzim!". Até tribunais superiores andam registrando um termo que, no vernáculo, é inidoneidade, como inidoniedade, como em inglês. Devem estudar muito o inglês. Esquecendo do Bigodudo de Tamancos.
Para arrematar, fui ao Aurélio. Encontrei inidoneidade: qualidade do que não é idôneo; sem idoneidade. A referência é a mesma, no Houaiss.
Se não me engano, os caras da linguística entendem que, dando para entender, vale tudo. Posso concordar, quando seja proposital, para expressar algo diferente. Por ignorância ou adoção de expressão estrangeira, não. Os adeptos da globalização, dizem que se trata do dito fenômeno. Também só irei concordar quando conseguir comprar programas de computadores com informações em português, ou vender suco de laranja com informações em português. Fora disto, é imperialismo.
Se a âncora do jornal televisivo tivesse conhecido mamãe, teria falado inidoneidade.
Penso, mesmo, é que a vaca está indo pro brejo.

Imagem: Jura em Prosa e Verso.
http://www.juraemprosaeverso.com.br/FotografiasEDesenhos/Desenhos.htm

12 de jun de 2012

OUVINDO O CORAÇÃO
















A notícia é sinistra: idosa com 87 anos mata assaltante em Caxias do Sul - RS. Estava dormindo quando foi acordada pelo assaltante (pelo que entendi, foi pelo movimento dele dentro de sua casa). Tomou de um revóver e abordou-o. Segundo as informações, o assaltante tentou atacar a idosa, que disparou contra o peito dele. A polícia e o SAMU foram chamados e o assaltante acabou não resistindo. Até aí, tudo bem. Todos os dias amanhecemos com notícias de violência. Mas o que adorei foi a declaração da velhinha, quando entrevistada.   
Disse que, quando encarou o assaltante, teve uma certeza: "agora, é ele ou eu". Arrematou:
- Meu coração pediu que fosse ele.



11 de jun de 2012

MESSI JOGADOR SURPRESA?

Realmente, não sei. Pode ser coincidência. Observei o Neymar, no jogo contra os Estados Unidos. Achei que estava se omitindo, que não aparecia para o jogo. Acabou dando um passe que deu em gol e outro que deu em bola na trave. Pensei que o sumiço poderia ter sido proposital. "Esqueçam de mim, uma hora dessas eu apareço". Foi o que imaginei.
Penso que, na seleção, Neymar está devendo, comparando com o  que mostra no Santos. Acho que também não foi ótimo contra o México, mas como correu! Raçudo, não tem medo de divididas, corre muito, até chegando a ajudar a defesa.          
No jogo contra a Argentina, também ficou devendo o cardápio do Santos. Correu bastante, deslocou-se, mas não tentava jogadas como as que tenta no clube. Não estou querendo dizer que é bom no Santos e medíocre (abaixo do brilho normal) na seleção. Penso que vai conseguir equilibrar isto.
Nesse jogo, que foi muito bom, achei que o Messi também desapareceu de campo, no início. O primeiro tempo já ia pelo meio, quando o comentarista falou para o Galvão, que não havia falado o nome dele, ainda. De repente, ele aparece no meio da zaga, recebendo em profundidade. Gol. Fez mais dois.
Não terá sido uma estratégia? Fazer com que se esqueçam dele e tornar-se jogador duplamente surpresa: ressurgir de aparecente ausência e comparecer quando a defesa esqueceu-se dele.
Pode ser viagem minha. Sou apenas um dos 190 milhões de técnicos atuando no Brasil.

Foto: Click Futebol
http://www.clickfutebol.com/Wallpapers-Futebol/

10 de jun de 2012

A ONDA DO POVO: RONALDINHO GAÚCHO APROVADO PELA TORCIDA DO GALO

MaracanãO humor e a opinião do povo viajam ao sabor do vento. Na política, no futebol, e, muitas vezes, no amor. Vi, hoje, notícia de pesquisa feita sobre a receptividade da torcida do Galo, sobre a contratação de Ronaldinho Gaúcho. Deu 68% de rejeição. Mas o Galo é líder do brasileirão, com 1x0 sobre o    Palmeiras. Veio notícia de pesquisa mais recente (não sei se antes ou depois desse jogo): os mesmos 68%, só que de aprovação.
Não é à toa que os agentes públicos e políticos sempre cuidaram de "esvaziar" qualquer matéria que lhes seja desfavorável. Um agradinho qualquer modifica as opiniões contrárias.

Foto: Roge[R]io0 Emmanû&lll
http://roggycarvalhoo.blogspot.com.br/2010/11/10-maiores-estadios-de-futebol-do.html

8 de jun de 2012

RELAÇÕES DE CONSUMO. MUITO A ACERTAR, AINDA.

Assisti, hoje, a matéria telejornalística que tratou de relações de consumo em posto de pedágio. Uma senhora verificou, só quando chegou ao posto, que não tinha vinte reais para pagar a taxa. Como eu estava pra-lá-pra-cá, no início da manhã, fiquei sabendo, a mais, que alguém, no posto, decidira imprimir um boleto para ela, de modo que pudesse pagar depois. Só que levou mais de 40 minutos para imprimir o boleto.
Vi várias opiniões, de um especialista em direito do consumidor, inclusive, que achou que a administração do pedágio tinha de dar uma solução rápida para aquela senhora. Uma delas rezava que o consumidor é o maior patrimônio dos fornecedores. Concordo, embora tenha visto, através dos tempos, que os fornecedores não pensam a mesma coisa.
O Código (art. 4º) fala de uma Política Nacional das Relações de Consumo, dos objetivos e dos princípios dessa política (nunca vi ninguém discutindo isto).
Acho muito relevantes os itens de III a VIII. Destaco, entretanto:


III - harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo e compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento econômico e tecnológico,... sempre com base na boa-fé e equilíbrio das relações entre consumidores e fornecedores;
IV - educação e informação de fornecedores e consumidores, quanto a seus direitos e deveres, com vistas à melhoria do mercado de consumo;
V - incentivo à criação pelos fornecedores de meios eficientes de controle de qualidade e segurança de produtos e serviços, assim como de mecanismos alternativos de solução de conflitos de consumo;
VII - racionalização e melhoria dos serviços públicos;
................................................................................................................................................................

Pois bem, um dos entrevistados discutiu sobre preço da taxa-pedágio, dizendo que é cara e, por isto, o consumidor deve ter melhor atendimento.
Acho que não há relação. Pode-se discutir o preço, sem colocá-lo como parâmetro com  atendimento. O bom atendimento independe de comparação com um preço que tenha sido estabelecido honestamente.
Também acho caras as taxas de pedágio. Mas isto é outra discussão.
Vamos raciocinar (como me disse o general): para que seja feita uma impressão de boleto, rapidamente, será preciso de um agente exclusivo para isto, para que não congestione os que estão pagando em dinheiro. Será direito do consumidor a impressão de um boleto (para pagamento posterior, incerto), mesmo sabendo que vai passar por vários pedágios? A situação da senhora é excepcional e deve ser excepcional a solução. Se virar rotina, se muita gente sair para a estrada, sem dinheiro (de preferência trocado), a reclamação dos consumidores será mudada para o congestionamento.
Preso por ter cão; preso por não ter cão.
Os fornecedores deveriam, sim, criar meios eficientes de solução de conflitos de consumo. Mas se o consumidor criar o conflito ("não tenho dinheiro para pagar"), o peso da solução terá de ser atribuído ao consumidor e não ao fornecedor. O consumidor também deve agir de boa-fé, em ambiente de equilíbrio, e dispor de educação e informação claras, sobre seus direitos e seus deveres.
É preciso, então, desenvolver alguma campanha para bem informar, sem privilegiar um ou outro participante das relações de consumo. E, principalmente, cobrar do fornecedor a criação de mecanismos alternativos de solução de conflitos de consumo.
Para aguçar, transmito uma idéia que minha mulher me passou: por que não criar, nos postos de pedágio, estrutura para pagamento com cartão? Provavelmente em fila especial, porque é quase certo que iria atrasar as viagens daqueles que pagam com dinheiro.
No caso dos pedágios, a relação não envolve apenas o consumidor com o fornecedor do serviço. Envolve a relação desse consumidor com os demais consumidores, que não deverão ser prejudicados por suas omissões pessoais.

Foto de praça de pedágio na Via Anhanguera: Folha.com
Imagem do Código:toda oferta



7 de jun de 2012

O POETA WANDER PORTO SILVEIRA DÁ O AR DE SUA GRAÇA



SÓ E DONO




agora,
vá até a sala de repouso
e liga a TV no canal de Terror. 


um gelo te subirá pela espinha,
um medo louco
trancará tua garganta
e teus ouvidos                                   
para os sons da angústia,
para o clamor dos socorros.


enquanto calafrios
devoram tuas valentias
a bunda se aperta
em pânico.


ainda assim permaneces
cravado no espanto:


-serão sempre
a tua espinha,
a tua garganta,
os teus ouvidos,
teus limites
e teus terrores,


portanto:
-te sentirás só e dono.

Imagem: Terror & Ficção - Pablo Aluísio

CORPUS CHRISTI EM PASSA QUATRO, MINAS GERAIS.

Artistas de Passa Quatro enfeitam a cidade, nas comemorações de Corpus Christi, com belos tapetes feitos com serragem pintada. Meu cunhado Nicolau Motta era um dos artífices. Vi-o, muitas vezes, junto com outros artistas, consagrados na cidade, ou aprendizes, na faina de preparar os caminhos por onde passava a procissão. Nenhum com fama fora da cidade, mas cada um oferecendo sua capacidade e sua devoção. O resultado sempre foi muito bonito.
Duas de minhas filhas moram em Passa Quatro, uma mui simpática cidade do Sul de Minas. Povo acolhedor e simpático. Beleza natural é um dos cartões da cidade. Cercada pela Serra da Mantiqueira, tem paisagens muito bonitas e cachoeiras maravilhosas. Para quem gosta de frio, o inverno não é tão rigoroso como em algumas cidades do sul do Brasil, mas combina bem com um caldo bem quente. A cachacinha é de qualidade mineira (pode ter sido fabricada em qualquer lugar do Brasil, mas a roda de gente torna tudo bem mineiro).


O conjunto de fotos pertence ao ano de 2.010.
Um cliquezim nas fotos vai muito bem. Mineiramente!

6 de jun de 2012

O POETA VANE PIMENTEL - PAZZOS DE MINAS


PENAS



Nós somos

dois pombinhos,  

cuide bem dos

meus piolhos.






Foto: Aquela Deborah que discorda de você.
http://aqueladeborah.wordpress.com/category/cotidiano/

COERÊNCIA: COMO O SÓCRATES, DO PLANETA DOS MACACOS, SÓ QUERIA ENTENDER!

Leio Veja, sim! Sem constrangimento e sem vergonha. Muitas pessoas falam-me muito mal da revista. Continuo lendo. Não a acho nem melhor nem pior do que as outras que já folheei. Nitidamente político-partidária ou fazendo uma falsa oposição a todos os governos. Mete o pau em coisas dos ministros defenestrados e no PT. Mas elogia a Dilma e algumas ações dela, volta e meia. Como sou mais desconfiado do que burro de olaria, não consigo entender os objetivos.
No último número (edição 2.272, 6 de junho), estranhei. Na última página, o título "Nós e os outros". É matéria assinada. Daí, não sei se a revista encampa ou não o ponto-de-vista do articulista. Entendo que tem de encampar, principalmente porque lá está "Nós e os outros" e porque a matéria fala de outros órgãos de comunicação. Concluo que "Nós e os outros" são o autor e a revista. Pode ser que esteja errado. Paradoxalmente, pode ser que não. A matéria fala de como o povo brasileiro é iludido pela propaganda oficial (paga com o nosso dinheiro), mostrando coisas que não são verdadeiras. Já vi coisa muito pior, uma vez só (pareceu-me que a propaganda foi retirada do ar, imediatamente): na cena, uma maquete de uma casa que poderia ser de classe média, cerquinha, quintal, e quatro garotos. Um diz mais ou menos o seguinte: você fica aqui (e mostra na maquete), você aqui e nós dois entramos lá e obrigamos ele a abrir uma poupança na Caixa para nós. Era um plano de assalto! Usando crianças! Propaganda da Caixa Econômica Federal. Pagamos por aquilo e - pelo menos do que a gente saiba - ficou só na retirada da propaganda, não se tendo falado em a agência devolver o dinheiro. Penso que nem poderia, porque alguma autoridade da Caixa deverá ter aprovado a ação publicitária. Sei que acontece, sim. Mas vamos ao que entendo ser incoerência.
Excerto da matéria: "Os órgãos de comunicação, sem dúvida, se beneficiam da publicidade oficial; nenhum deles é uma santa casa de misericórdia, e todos têm de pagar suas despesas. Mas a imprensa de verdade vive do apoio do seu público e dos anúncios privados que ele atrai, e não de verbas publicitárias do governo. Seu único mandamento, nessa história toda, é manter a própria independência".
É claro que fui esquadrinhar a revista.
Nas páginas 82/83 (não numeradas), espaço duplo, uma propaganda do Governo do Rio de Janeiro, exaltando a conquista da qualificação de grau de investimento, concedida pela Standard & Poor's. Está lá: "O RIO DE JANEIRO MUDOU. A VIDA DE MUITA GENTE ESTÁ MUDANDO JUNTO". No exato momento em que Governador do Estado do Rio de Janeiro está tendo indicações de ligações com a Delta (amplamente noticiadas pela imprensa).
Nas páginas 102/103 (não numeradas), também espaço duplo, uma propaganda do Governo Federal: "O BRASIL RECEBE O FUTURO DE BRAÇOS ABERTOS". Coincidência ou não, uma negra com lindo sorriso e, no fundo, uma baita cachoeira. No texto: "O Brasil reafirma, com orgulho, o compromisso com a sustentabilidade do seu desenvolvimento e defesa do meio ambiente". Pois bem: tenho dito que não vejo como compatibilizar defesa do meio ambiente com exploração do pre-sal. De quebra, desconfio que todo esse movimento para que o povão compre automóveis, com inevitável incremento de pluição, assegure aumento do número dos consumidores de petróleo.
Nas páginas 112/113 (não numeradas), ainda espaço duplo, propaganda da Petrobrás: "LOGO, PETROBRAS apresenta imagem PLANETA sustentável". Pode estar reaproveitando mas é eminentemente poluidora, porque aproveita, junto, gás natural e petróleo.
Nas páginas 136/137 (não numeradas), espaço duplo, propaganda da Caixa Econômica Federal. Na mesmo bordão de "planeta sustentável" e afirmando: "A Rio+20 debaterá sobre 'o futuro que queremos' e a necessária transição para novos padrões de produção e consumo". E toma financiamento de carro - elemento de poluição - a juros menos altos.
Quatro propagandas do Governo - três envolvendo o Federal e uma o do Estado do Rio de Janeiro.
É coerente? Reportemo-nos ao bordão do macaco Sócrates: "Não precisa explicar. Eu só queria entender".

5 de jun de 2012

TRANSPARÊNCIA: EU, HEIN? NEM NO PAU DE ARARA!

Achei, realmente, muito engraçado. Ontem, fiquei zapeando entre o "Bem Amigos" e o "Roda Viva". Cheguei no meio de cada conversa e, depois, peguei pedacinhos de cada uma.
No "Bem Amigos", o Galvão perguntou ao Presidente da CBF se os jogos já estavam vendidos havia muito tempo. Não tinha qualquer referência para entender mas, no seguir da prosa, entendi que jogos da seleção brasileira são vendidos, com muita antecedência, para empresários, ou coisa que o valha. Aí, o Galvão perguntou:
- Esses contratos são por quanto tempo?         
- É... Annn... Ora... É (de novo)... Hum... (rapidamente): Por muito tempo.
Passeando pelo "Roda Viva", encontrei um diretor (pareceu-me a maior autoridade) do IBOPE sendo entrevistado. Foi aí que uma das debatedoras explicou e perguntou, mais ou menos o seguinte:
- Parece que a Globo é a maior cliente do IBOPE. Outras emisoras costumam reclamar de tratamento diferenciado, pelo IBOPE, às pesquisas do interesse da Globo. Qual é a participação da Globo nos negócios do IBOPE?
- É... Annn... Ora... É (de novo)... Hum... É muito.
Não falam, nem no pau de arara!
É como dizia um libanês que conheci:
- "Bensa nós besta?".

Foto: Acerto de Contas.
http://acertodecontas.blog.br/politica/deputado-volta-a-atacar-o-professor-jorge-zaverucha/

4 de jun de 2012

RONALDINHO GAÚCHO NEGOCIA COM O ATLÉTICO MINEIRO. PRECISA DE PROFETA?

Não! Não quero dar uma de profeta. Nem precisa. Sem aprofundar informações, tenho a intuição de que há 80%, pelo menos, de probabilidade de não dar certo. O Diretor de Futebol do Flamengo falou pelos cotovelos, muito mal de Ronaldinho, quando do desenlace. Achei que não deveria ter passado de comentário sobre futebol, que é - acho - do que entende bem. Pode ser visto em  http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2012/06/flamengo-x-ronaldinho-administracao-em.html.
Foi bom que tenha falado, porque futuros pretendentes a um novo casamento poderão conhecer bem o noivo. Pode ser até que fosse exatamente isto o que Zinho quisesse.  
Então, o Atlético Mineiro não poderá dizer, mais tarde, que a cigana enganou-o. É como diziam - e ainda dizem muitos pais e muitas mães aos filhos: eu avisei!
Pretendo dirigir foco a um ponto algo diferente. Já palpitei, por aí, que, embora seja esporte coletivo, o futebol costuma ser tratado e dirigido como esporte individual (http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2012/02/o-gol-da-vitoria.html).
Um time de futebol tem de estar entrosado em aspectos técnicos, físicos, táticos e psicossociais. É necessário, mas não suficiente. Penso ser indispensável que exista um padrão de igualdade ou, pelo menos, de semelhança entre o cracaço e o carregador de piano, se ambos estiverem na equipe. Sabe-se que não é assim. Não vejo comportamentos de dirigentes de clubes de futebol, que pudessem ser comparados a princípios que já vira enunciados e que retransmito:
“Nenhum de nós é tão inteligente quanto todos nós juntos.” Warren Bennis Autor Estadunidense.
“Nenhum de nós é tão bom, quanto todos nós juntos” - Ray Kroc - Fundador McDonald´s.
Já conhecia este segundo conceito. Encontrando o primeiro, fico sem saber se alguém copiou outrem, ou se ocorreu coincidência criativa.
Penso que vai ser muito difícil aqueles jogadores jovens do Atlético Mineiro entrosarem-se, rapidamente, com o jeito gaúcho de ser. Certamente, haverá um abismo em termos de remuneração. Se não houver um abismo correspondente, a nível de desempenho, sei não...


Foto: Gazeta Setelagoana.
http://www.gazetasetelagoana.com.br/?p=12180

AINDA O VELHO CHICO ANYSIO - BRASIL O PAÍS DO AMANHÃ

Na crônica a que me referi, quando recoloquei na roda uma postagem sobre o Chico Anysio
(http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2012/03/chico-anysio-genio-do-humor.html), Chico, falando do propalado jeito brasileiro de ser, comenta que, certa vez, o Flamengo foi jogar na Suécia. A delegação ficou hospedada em um hotel que não era muito longe do estádio. Quando se dirigiu para lá, com antecedência adequada, um dirigente do Fla observou que tranfegavam calmamente, enquanto, pela esquerda, veículos iam em velocidade mais rápida. Virou-se para o intérprete e perguntou a causa daquilo. Resposta: "aqui é convencionado que quem está com pressa trafega pela esquerda". O dirigente do Fla, de bate-pronto: "Então, vamos passar para a esquerda!". Ao que o intérprete sueco respondeu: "Mas nós não estamos com pressa".
Chico observou que se, no Rio de Janeiro, tivesse sido convencionado que quem está com pressa vai pela esquerda, só iria pela direita carrocinha de Kibon, no inverno.
Sinal vermelho tem sido pouco respeitadoAssim é o nosso trânsito. Há os que, mesmo vendo o semáforo amarelo ou vermelho fresquinho, a 50 metros ou um pouco mais à frente, avançam rápidos, chegam a ultrapassar quem já vai reduzindo a velocidade (porque terá de parar no semáforo) e, como não poderia deixar de ser, param, muitas vezes na fileira da frente. Aí, o sinal abre e esse tipo de condutor, agora distraído, demora de 15 a 20 segundos para avançar, jogando fora quase metade do tempo do verde. O celular é um dos catalizadores desta conduta.
Foi presenciando este tipo de comportamento que me lembrei da passagem que Chico Anysio me contou, na revista Realidade, já extinta.

Foto: Correio Lageano.

http://www.clmais.com.br/informacao/63075/sinal-vermelho-tem-sido-pouco-respeitado

3 de jun de 2012

"OS VELHOS DE BRASÍLIA NÃO PODEM SER ETERNOS"



Os recentes acontecimentos envolvendo detentores de cargos públicos, com fincas principalmente em Brasília, Goiás e Rio de Janeiro, os quais estão sendo investigados por uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), remeteram-me a uma canção composta - segundo informações da época - por dois paraenses, cujos nomes não me lembrava. Pesquisei e encontrei Nilson Chaves e Celson Viáfora. Acho linda a canção. Poderia querer não tê-la conhecido, para não sentir a frustração que se poderá ter abatido sobre os dois (penso que têm motivo). Ainda me ligo, embora sem a esperança que a letra da canção quer transmitir, mas ainda com admiração por existir esperança em alguém, que invejo, e pelo intenso conteúdo emocional. Informações detalhadas estão em

http://www.mpbnet.com.br/musicos/nilson.chaves/index.html

Para ouvir com os autores:
https://www.youtube.com/watch?v=nwBimVhJZaE


NÃO VOU SAIR

Celso Viáfora e Nilson Chaves

A geração da gente
não teve muita chance
de se afirmar, de arrasar, de ser feliz.
Sem nada pela frente,
pintou aquele lance
de se mudar, de se mandar deste país.
Os velhos de Brasília são eternos...
O poder esmaga a Fé

E aí, você partiu pro Canadá
e eu fiquei no "já vou já"
pois, quando tava me arrumando
pra ir,
bati com os olhos no luar
a lua foi bater no mar
e eu fui que fui ficando.

Distante tantas milhas,
são tristes os invernos.
Não vou sair, tá mal aqui, mas vai mudar.
Os velhos de Brasília
não podem ser eternos.
Pior que foi, pior que tá, não vai ficar.

Não vou sair.
Melhor você voltar pra cá.
Não vou deixar este lugar
pois, quando eu tava me arrumando
pra ir,
bati com os olhos no luar,
a lua foi bater no mar
e eu fui que fui ficando...