31 de jan de 2013

EU NÃO SOU PESSIMISTA. ESTAMOS MUITO MAL NA POLÍTICA

O José Jenoino pode até ter a lei a seu lado: só poderá ser considerado culpado se a sentença dada no STF transitar em julgado. E sempre - do ponto de vista do livre convencimento do Juiz - restará uma possibilidade de vir a ser reformada a sentença. Mas, em compensação, se vier a ser absolvido, sempre restará uma dúvida sobre tudo aquilo que foi dito no Supremo. Será que o STF fez tramóia?
Agora, Renan Calheiros quer ser Presidente do Senado. Depois de ter renunciado ao mesmo status, envolvido em denúncias de irregularidades. Freqüento regularmente a TV Senado. Vejo os senadores falando ali. O que vi e ouvi não achei bonito. Não terá renunciado à toa o Renan Calheiros. 
Certamente, teremos de engolir um deputado federal condenado por vários crimes exercendo o cargo (este já passou dos gorgomilos; o outro, provavelmente acabará de empurrar-nos goela abaixo). Ambos acham isto muito natural.
Que beleza! (como diz, freqüentemente, o Milton Leite).

Foto: baixaki.
http://www.baixaki.com.br/papel-de-parede/9360-congresso-nacional-brasilia.htm

ACIDENTE NA ARENA DO GRÊMIO: SERÁ QUE O POVO APRENDE? E AS AUTORIDADES, SERÁ?

Aquela avalanche de torcedores do Grêmio, em comemoração aos gols de seu time, é uma imprudência. Escadaria (arquibancada), descida, aglomeração e movimentação rápida e descontrolada de torcedores, tudo isto pode ser muito bonito, muito entusiástico, mas é imprudência.
Grades de proteção da Arena Grêmio cederam com o peso dos torcedores durante a avalanche Foto:  / AFPOntem, a avalanche, quando do gol do Grêmio contra a LDU, grades de proteção cederam ao peso de torcedores sem freio. Segundo as notícias, o estrago foi pequeno, com ferimentos em oito torcedores. O coronel Guido Pedroso de Mello, da Brigada Militar, disse que se não tivessem convencido o Grêmio a colocar uma barreira de metal antiesmagamento, poderia ter acontecido uma tragédia.
Agora, vão proibir. Só depois da festa, para variar. O coronel disse que a licença é provisória, até fevereiro, mas a proibição ocorrerá antes do final dela. Disse, também, que, quando se manifestou contrário à avalanche, recebeu todo tipo de pressão de dirigentes, políticos e setores da sociedade (já disse, neste blog, que o segurança é um chato). Por que será que o povo, políticos e dirigentes acham de pressionar para que não sejam seguidas regras de segurança? 
Registro o fato para lembrar: quem gosta de viver perigosamente, que vá fazer rapel, paraquedas, moto-esporte... até kamikase. Causando risco apenas para si próprio. Não podemos ficar xingando só as autoridades. Se o povo não tiver juízo, sem que seja preciso proibir, viveremos cada vez mais perigosamente. Depois, é chorar.

Fonte de informações e foto: Portal Terra
http://esportes.terra.com.br/gremio/coronel-diz-que-avalanche-sera-proibida-poderiamos-estar-lamentando,bd98f74b0019c310VgnVCM3000009acceb0aRCRD.html

ERREI: HAVIA ESCRITO "BEIRA RIO", NO TÍTULO. O FATO OCORREU NA ARENA DO GRÊMIO.

ATIRADORES DE ELITE ANTIGAMENTE ERAM ATIRADORES DE ESCOL

Há muito não via a expressão "atirador de escol". O Houaiss ensina-me (o que já sabia, sem pensar em significado, mamãe ensinou) que "escol" é "o que é considerado melhor, o mais distinto". Os que hoje chamamos de "atiradores de elite" eram, antigamente, chamados de "atiradores de escol". 
Resultado de imagem para cadikimdicadacoisa militar voluntárioFoi bom trocarem a designação. Imaginem, hoje, um comandante chegando à frente de sua tropa e convocando voluntários para um treinamento para "atirador de escol". O batalhão inteiro dará um passo à frente, só pensando em jogar latinha fora e imaginando que até poderá dar medalha.

Imagem: Publique.com
http://www.publicifique.com/2012_01_01_archive.html

30 de jan de 2013

A ARTE POÉTICA DE CÍCERO CHRISTÓFARO - POEMA DE NATAL


Por isso fomos feitos
Para lembrar que o amanhã
Será mais um amanhã
E com ele virá o sol
E com o sol a luz
E com a luz a sabedoria
Não importa o amanhã
Não importa o dia 
Não importa o ano
Para isso somos feitos
Para entender que a chegada
O durante, o depois, o adeus
Deverá ser sempre uma festa
Um poema
Será um poema de amor
Há de se entender o amor
Há de se compreender a festa
O ontem, o hoje, o amanhã
Há de ser uma festa.
 
Sorrisos, choros,
Alegrias, tristezas
Uma grande festa
O homem é eterno
A festa, passageira.

Imagem: Maria Luiza.
http://anjomalu.blogspot.com.br/2012/12/feliz-natal-mamae-com-amor-maria-luiza.html

SEMPRE É PRECISO FAZER UMA LEI NOVA

Para que não seja cumprida, também! É espantoso! A lei nova é a panacéia! Já estão falando em uma lei federal nova para controlar a segurança em lugares de grandes aglomerações. Apesar de se estar verificando que sucede é que o Estado não consegue - ou não quer - controlar as coisas segundo as leis já existentes. Ouvi, hoje, pelo rádio, que, em Santa Maria - RS, há uma lei de 1991, proibindo o uso de fogos de artifício em lugares fechados, citando buates. Fui conferir e vi que, segundo está no portal Terra, essa lei exigia alarmes e proibia revestimentos que liberem gases tóxicos. Está lá uma declaração de um oficial superior do Corpo de Bombeiros da cidade:

" 'A municipal era mais rígida porque foi feita pelo Corpo de Bombeiros de Santa Maria. Nos hotéis, pousadas, aqui em Santa Maria, nós não aceitávamos carpete, porque é um grande propagador de calor e gases tóxicos. Aqui em Santa Maria era proibido; no resto do Brasil era permitido', disse o subcomandante dos Bombeiros em Santa Maria, major Gerson Peireira."

Informa a notícia que a tal lei foi suprimida por uma lei estadual, em 1997.
ProdutosTenho cá minhas idéias a respeito do controle das diversas atividades, pelo Estado (sentido amplo, União, Estados, Municípios). O controlador é um chato! Se controlar todos, incluirá os poderosos, amiguinhos e quejandos. Se excluir esses daí, será alvo de críticas, porque essa imprensa não tem o que fazer. Vai daí, que o presidente, o governador, o prefeito - todos eles - poderão perder votos. Ah! Mas isto é horrível! Perder eleitores por uns riscos de eventos cuja freqüência é irrelevante, estatisticamente? Melhor correr o risco! Os agentes econômicos que têm de cumprir normas de segurança querem gastar o mínimo possível (e ganhar o máximo possível, óbvio). Ocorre que, de vez em quando, acontece uma catástrofe. Temos exemplos históricos.
Acho que estamos pagando muito bem a pessoas para fazerem muito mal o seu serviço. E não é por falta de capacidade profissional, não. É por interesses mesmo.

EDIÇÃO EM 21/08/2013: A lei nova já está a caminho. Manda que promotores de espetáculos com mais de cem pessoas sejam obrigados a contratar seguro contra danos pessoais. Um dos argumentos, que ouvi, na Hora do Brasil: pelo menos uma vez por ano as casas de espetáculos serão vistoriadas, quando da renovação do seguro. Para mim, significa que o Estado pretende "terceirizar" a bronca. Ou seja, se der zebra, foi falta de fiscalização da seguradora. O Estado pretende não fiscalizar, pelo jeito. Mesmos motivos: fiscalizar pode resultar em perda de votos.

Imagem: Aucon Automação.
http://www.aucon.com.br/site/ProdutosDetalhes.aspx?Produto=13

29 de jan de 2013

BONITO: A LAGOA DAS PEDRAS CANTANTES

Quando se chega a Bonito, o primeiro passeio é a Praia da Figueira. É, na verdde, uma lagoa. Francamente, é só amostra de atração. De qualquer forma, um bom aperitivo. O tempo estava fechado e só algumas pessoas arriscaram-se na água. Crianças, principalmente. Estrutura razoável, com restaurante e bar. Quiosques perto da lagoa. Passeei pela área entre restaurante e lagoa, ouvindo música em todos os lugares. Intrigante era que não se via um grande
equipamento de som, e a música tocava baixo, mas era ouvida em todos os lugares. Procurei, até que parei perto de uma pedra. Saía som dela. A espessura da pedra era de cerca de quatro centímetros, o que pude observar porque havia dois recortes na pedra, em forma de janelas pequenas. O som passava por ali. As pedras eram feias de emendas de pedaços. Muito legal, porque havia som em todas as elas e não havia som alto, incomodando. Só beleza! Chamei a Ana - minha mulher - e mostrei-lhe as pedras cantantes.



Renomeei a lagoa: Lagoa das Pedras Cantantes.

MISTÉRIO NA GRUTA DA LAGOA AZUL EM BONITO

Achei mistério! Logo que a gente chega na entrada da caverna, avista a lagoa "azul", que de azul nada tem. A coloração é resultado de reflexos da luz solar. Sem muita explicação do fenômeno, mas é o que informam.
É claro que começamos a fotografar. Passei por uma rocha atrás da qual havia uma formação parecendo um chifre. Pensei em unicórnio. Ultrapassei, indo para mais perto da lagoa, e virei-me para fotografar o "chifre". Estava de costas para a lagoa. A olho nu só via as formações de estalactites e estalgmites. Nada mais. Quando foquei a câmera e olhei pela lente, vi reflexos azuis perto do "chifre". Reflexos que a câmera registrou. Se tenho prova? Claro que tenho. Entendi nada mas a cor refletida no ar está aí para todo mundo ver. Ainda vou mostrar mais, outros tipos de reflexo, que também não vi a olho nu.

28 de jan de 2013

... EM ALGUMA ESTRELA!

Não comentei o texto que copiei, hoje, sobre depoimento de Ismael Silva para o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2013/01/sambista-ismael-silva-quica-o-poeta-do.html). Mas achei-me pensando sobre ele, várias vezes. Vai o comentário, então:
Primeiro, acho muito difícil para mim não sentir raiva de algo ou de alguém. Não chego às raias do absurdo e minha raiva condena ninguém à morte ou à tortura. Mas não consigo chegar àquele patamar a que chegou o Ismael (perdoem a intimidade): "Ficar com raiva do meu semelhante não é possível". Sou belicoso por natureza. Melhorei muito, sei. Mas tenho idéias muito más, quando alguém pratica um absurdo qualquer contra seus semelhantes, mesmo que eu não esteja envolvido diretamente. Se já disse, repito: tenho um bicho muito feio dentro de mim e vivo segurando-o pelo rabo. Tenho conseguido, na maioria das vezes. Mas tenho de vigiar!
Sendo assim, não tive como não pensar: se o Ismael age como fala, a esta hora deve estar morando em alguma estrela muito brilhante!

Foto: A Medida do Universo, por Walter J. Maciel.
http://www.astro.iag.usp.br/~maciel/teaching/palestras/medida/medida.html

ENSINO DE MÚSICA NAS ESCOLAS É O CAMINHO: ESTÁ DEMORANDO MUITO!

Recebi hoje, pelo facebook, mensagem do Wilmarzim (Wilmar Carvalho, músico, cantor, compositor... e meu amigo, uai!), compartilhando foto de Retiro Musical, que reproduzo aqui (vou compartilhar, também, viu Wilmarzim?!). O assunto é velho, muito mastigado, dado como indispensável. Tanto que virou lei: ensino de música nas escolas. Ah! Lembro-me de que, quando criança, a professora da Canto Orfeônico, ao piano, ensinava canções diversas. Era a nossa iniciação musical. É claro que apenas alguns iriam ser músicos, amadores ou profissionais. Mas a atividade transmitia a todos informações sobre os vários gêneros de música, desenvolvia a afinação (ai, como afinação parece difícil para muita gente!).
Ora direis, é saudosismo! Não, não é! Não me toca o gosto musical muita coisa que anda sendo tocada. Mas não quero que deixem de tocar. Acho importante que as crianças - principalmente as crianças - recebam informações sobre todos os gêneros de música disponíveis. Que isto seja oferecido a elas, além daquilo que já está na mídia. Acho que os nossos conhecimentos musicais estão muito pobres. Pode-se dizer que novelas têm trilhas sonoras interessantes, variadas. Filmes também. Mas a atenção do espectador fica dividida e nem todos conseguem ligar-se às músicas, ligando-se mais nos enredos. De músicas mesmo, rádio e televisão, estamos muito pobres, com poucas exceções. Sem exagero: nossa cultura músical não é de primeiro mundo!
No mais, a implantação de ensino de música, nas escolas, abrirá mercado de trabalho para músicos - mercado que é bem pequeno - e poderá servir de estímulo para que se desenvolvam mais. Estudar música em universidade é só para quem está determinado a seguir vocação, mesmo com sacrifício e dificuldade grandes. Mas só isto poderá levar a um grau de desenvolvimento musical mais elevado.
Proponho a todos abraçar a causa. As crianças serão beneficiadas com a variedade de linguagens diferenciadas. Musicalidade é catalizador de inteligência.

Imagem pauta musical: Blog do Programa Coreto.
http://coretojs.blogspot.com.br/2009/11/serie-glossario-musical-letra.html
Imagem apoio: Retiro musical.
http://www.facebook.com/wilmar.carvalho.7/posts/541486425870720#!/retiromusical

SAMBISTA ISMAEL SILVA - QUIÇÁ O POETA DO AMOR







Ismael Silva, *1905, Niterói  +1978, Rio de Janeiro. Sambista. Nome de registro, Milton de Oliveira Ismael Silva, ficou só Ismael Silva. Li em "Desde que o o samba é samba", de Paulo Lins - escritor de Cidade de Deus - um depoimento de sambista, no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, que transcrevo:




"Não! Porque eu não conheço essa coisa de não gostar. Eu só conheço gostar. Não há ninguém de quem eu não goste, eu não tenho tempo de pensar nisso, de pensar em quem eu não gosto, de reparar em gente que tem algum motivo para me desagradar. E mesmo quando acontece isso, de alguém fazer qualquer coisa que me desagrade, eu levo para o outro lado, fico pensando que poderia ter sido uma leviandade qualquer, que não teria sido por mal. Eu encaro a coisa assim, não fico com raiva do outro. Ficar com raiva do meu semelhante não é possível."

Fonte: "Desde que o samba é samba" - Paulo Lins, Editora Planeta Ltda.
Foto: Sovaco de Cobra Música Brasileira.
http://sovacodecobra.uol.com.br/tag/ismael-silva/

27 de jan de 2013

COMO NEYMAR APANHA, MEU DEUS!






Não conseguimos ver grandes jogadas do Neymar, no jogo do Santos contra o Bragantino, hoje, pelo campeonato paulista. Grosso modo, a gente não via Neymar jogar bem. Por outro lado, o Bragantino jogava bem, iniciou na frente e fez 2x1, um golaço de Diego Macedo, enfileirando a defesa do Santos. No final, zagueiro do Santos fez falta (não deu para ver com precisão se foi dentro ou fora da área), o juiz deu nada. Em seguida, pênalte contra o Braga, que Neymar converteu, empatando o jogo. Diego Macedo, em entrevista, reclamou que o juiz não deu pênalte a favor do Bragantino mas deu a favor do Santos. Se foi dentro da área a falta do jogador do Santos, o Braga foi tungado. Se foi fora, foi tungado também, mas só em possibilidade menor de ampliar.
E Neymar? Disse que a gente não via Neymar jogar bem. Nem podia. Mais da metade das faltas feitas por jogadores do Bragantino atingiram Neymar. Desde o início do jogo, com revezamento. Neymar reclamou, também em entrevista, que o juiz demorou a dar amarelo. Acho que demorou mesmo. Quando será que os juízes evitarão que se pare um craque no tapa - qualquer que seja o craque?

Imagem: Jogos de Futebol Ao Vivo
http://jogosdefutebolaovivo.net/tag/bragantino-x-santos-campeonato-paulista/

SEGURANÇA: CHUVA AVISADA NÃO MATA ALEIJADO

Não há mais o que fazer, a não ser lamentar. Quase 250 pessoas mortas quando estavam divertindo-se. Infelizmente, muita gente acha que nada irá acontecer. Os organizadores, os agentes artísticos e os próprios assistentes não se preocupam com questões de segurança. A fiscalização é deficiente, em princípio, e desde sempre.
Segurança tem um custo, tem uma disciplina. No entanto, só se fala em regras de segurança depois que os acidentes acontecem. O "segurança" - seja uma autoridade pública, seja um agente imediato - o "segurança" é um chato. Só existe para impedir, nunca para autorizar. Isto é o que pensa a maioria. Também, para que pagar por uma coisa que nunca irá acontecer?
Em 1989 - informa-me a Wikipédia - um dos cartões postais do Rio de Janeiro - o Bateau Mouche - naufragou, quando transportava 142 passageiros. Morreram 55. Havia falhas e gambiarras na embarcação. Segundo o laudo pericial, superlotação também: mais do dobro da lotação permitida.
Agora, a buate Kiss, na cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul. Uso de fogo de artifício em lugar fechado (circunstância que já era bastante a impedir o uso) e com isolamento acústico inflamável). Dificuldades na hora da fuga das pessoas, sistema de segurança mal acionado (as informações são no sentido de que os seguranças impediram a saída das pessoas, e de que não sabiam do incêndio; alguém, próximo ao palco, teria de ter comunicado aos seguranças da porta única). Informam que também havia superlotação (penso que, quanto a isto, a responsabilidade não está apenas nos organizadores, mas também em quem menospreza a segurança para assegurar diversão; aglomerações nunca não inocentes).
Diante das informações, fui pesquisar. Em 2008, vinte anos depois do acidente com o Bateau Mouche, só duas pessoas tinham tido sentença final de indenização e apenas uma havia recebido.
Os proprietários da embarcação, condenados em regime aberto, fugiram para a Espanha.
Por esse ligeiro estudo, verifica-se:
Primeiro: é muito grande o número de pessoas envolvidas. Pais, irmãos, filhos, sobrinhos, tios, avós, amigos... vai somando isso aí, considerando cada vítima.
Segundo: O trauma que assola os sobreviventes pode não ser superado.
Terceiro: a possibilidade de as pessoas ficarem vinte anos ou até mais envolvidos mais do com as dores de perdas, mas com o próprio acidente, em ações judiciais, clamando inutilmente por justiça (vide http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2013/01/justica-ha-dois-mil-anos-te-mandei-meu.html). Sofrimento para não acabar mais. Acompanhar uma ação judicial durante muito tempo, esperando justiça, é a dor repetida a cada ato.
Que as instituições não fiscalizam adequadamente, é sabido. Ou por inércia ou por envolvimentos pessoais, políticos ou outros com proprietários de casas de espetáculos, ou mesmo por pressão popular. Um Coronel do Corpo de Bombeiros, que se deslocou para Santa Maria, falou, em entrevista para a Rede Glogo, que a validade da autorização para a Buate Kiss expirara em dezembro. Mas a casa funcionou e o acidente ocorreu.
Melhor mesmo é cada um prevenir-se: não freqüentar casa de espetáculo sem condições de segurança; não participar de superlotação (encheu, "sai que é rabo!"); outros cuidados, como consultar órgãos de segurança sobre as condições de estabelecimentos que interessem; em caso de uso de fogos de artifício, informar-se a capacidade ao agente.
É pessoal, é velho: Mas chuva avisada não mata aleijado!


Imagem: Lanza Show e Fogos.
http://www.fogoslanza.com/ 

Obs.: Não se trata de propaganda, nem de crítica. Trata-se de uma empresa que se anuncia como a empresa mais conceituada no Brasil, desde 1940, para shows pirotécnicos e piromusicais.

CHICO BUARQUE - JUCA





Penso que cada obra do Chico Buarque tem um padrão mínimo de qualidade. Só ali, ou dali para cima. Esse mínimo está em patamar muito alto. É um dos cracaços da música brasileira de todos os tempos. Vão aí só o princípio e o fim de uma letra que tem espaço garantido na fina flor da malandragem: Juca.




"Juca foi autuado em flagrante como meliante
pois sambava bem diante da janela de Maria.
........................................................................
O delegado é bamba na delegacia
mas nunca fez samba, nunca viu Maria."
Obs.: Havia inserido aqui uma imagem do Malandrinho da Lapa, que encontrei no Blog dos Malandros e Malandras (http://malandrosemalandras.blogspot.com.br/). Foi fácil copiá-la nas imagens da google. Entrei no blog para obter dados para o crédito respectivo e verifiquei que, no blog, não é possível copiar qualquer imagem, com observação de "Todos os direitos reservados". Removi a imagem daqui e peço desculpas. O blog interessou-me muito, porque gosto de conhecer coisas da Umbanda e ali há muita informação, é o tema do blog.
Buscando mais, encontrei Rô Fonseca, cronista, poeta e compositor. São dois blogs para eu viajar.

Imagem: Jogo de Mandinga - Cultura do Capoeira.
http://www.jogodemandinga.com/?p=548





26 de jan de 2013

ME DISSERAM...


“O estudo tem sido para mim o principal remédio contra as preocupações da vida: nunca tive um desgosto que não tenha passado ao cabo de uma hora de leitura.” – Charles de Montesquieu.

“A alegria está na luta, no esforço e no sofrimento que a luta envolve, e não na vitória em si.” – Mahtma Gandhi.

“O tango é a dança mais profunda do mundo.” – Waldo Franck.

 “Só depois que as mulheres começam a sentir-se em casa neste mundo é que se vê aparecer uma Rosa Luxemburgo, uma Madame Curie: elas vêm provar de forma deslumbrante que não é nenhuma inferioridade o que tem determinado ou determina a insignificância histórica da mulher, e sim que tem sido essa insignificância histórica a razão de sua inferiorização.” – Simone de Beauvoir.

“Não é preciso ser forte: é preciso ser flexível.” – Pensamento chinês.
 
Imagem: frases de liberdade

TADIM DOS SONHADORES!


Infelizmente, este país não comporta sonhadores. Acabo de conversar com meu irmão, Cícero Christófaro (A Arte Poética de Cícero Christófaro, várias postagens). Falava-me de paisagismo.
Das soluções governamentais para o rio Arrudas, em Belo Horizonte, e de coisas que considerou de pequeno alcance, em termos de paisagismo, e defeituosas, em termos de coerência. Disse-lhe que parasse de sonhar. Os caras querem mesmo é ganhar dinheiro. Em obras públicas, então, nem se fala. Tenho "cá consigo" que é preciso fazer obras porque, depois que o Braz já não é tesoureiro, e já não se pode mais meter a mão no cofre, um dos elementos de viabilidade da corrupção é a aquisição de bens e serviços, entre estes as obras (vou falar disto em outro escrito). Sendo assim, a sensibilidade de ingênuos como meu irmão interessa nada. Como diz Justo Veríssimo, do Chico Anysio, cada um quer "...é se arrumar".
Cícero veio com um papo de Maiakovski (Na primeira noite, eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim: não dizemos nada). Também acho muito bacana. Mas a humanidade grita por justiça e por igualdade há séculos. Continua gritando e continuará gritando até sabe lá Deus quando, per omnia saecula saeculorum, provavelmente.
Preferi passar para ele a literatura da malandragem. Estou relendo "Moreira da Silva O último dos malandros", de Alexandre Augusto. Moreira indicava seu candidato à presidência da República:

"Sou a favor do mineiro Tancredo. Acho que ele é o homem certo para mudar isso tudo que está acontecendo desde 1964. Mas o que é preciso é mudar esse pessoal que vem comendo de colher em cima do povo."


São passados trinta anos e tem gente acreditando que o Ministro Joaquim Barbosa mudou o Brasil.

Imagem: FelixConsultor.
http://consultorfelix.blogspot.com.br/

ESNOBANDO O GOLEIRO OUTRA VEZ...

Comentei, há dias, que goleiro pode pegar tudo que o herói será sempre o artilheiro. Está em
http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2013/01/esqueceram-do-goleiro-para-variar.html.
Achei que havia esgotado. Mas repetiu-se no jogo Bahia x Goiás, semi-final da Copinha. Durante o jogo, Paulo Henrique, o goleiro do Goiás defendeu um pênalte. O juiz mandou repetir, porque um jogador do Goiás invadiu a área. Paulo Henrique defendeu de novo. Duas cobranças bem feitas, duas grandes defesas. Empate no final, o jogo acabou indo para os pênaltes. Paulo Henrique defendeu os dois primeiros (defesas com dificuldade no mínimo média) e os cobradores do Goiás converteram. O terceiro cobrador do Bahia mandou um balaço no travessão. O cobrador do Goiás converteu e a série terminou com a vitória por 3 x 0 e classificação do Goiás para a final.
Paulinho foi o grande destaque da classificação do Goiás para a final da CopinhaPois não é que o narrador disse que o terceiro cobrador do Goiás classificou o time para a final? Quem tem de ser citado, enaltecido e tudo a que tiver direito é o Paulo Henrique. Que que é isso? Defende um pênalte durante o jogo, duas vezes (levando tudo para a decisão por pênaltes), depois defende dois seguidos e não foi ele quem classificou o Goiás? "É demais pros meus sentimentos, tá sabendo?".

Foto: UOL.
http://esporte.uol.com.br/futebol/campeonatos/copa-sao-paulo/ultimas-noticias/2013/01/23/com-luva-vendida-por-harley-goleiro-pegador-de-penalti-do-goias-quer-substituir-idolo.htm

25 de jan de 2013

ROMANCE EM BONITO


Estávamos na Fazenda San Francisco, em Miranda, Mato Grosso do Sul, para um passeio de chalana, no portal do pantanal. Não era uma chalaaaaanaaa, não. Uma chalaninha. Dava pra quebrar o galho. Em determinados lugares, você é o prato principal. Mosquito não perdoa. Pois não é que pousou um mosquito no braço de um senhor e uma senhorinha, pressurosa, deu um tapa no bicho. Não era de jogar fora (a senhorinha, claro) mas também não estava com a bola cheia. Depressinha, quase que se desculpou com o estapeado: "Eu dei um tapa do senhor!". O outro, rei da galanteria: "Ora, é um prazer levar tapas de mulher bonita!". O enlevo tomou conta da senhorinha, até o final do passeio.

Foto do blog.

OUVIDO DE PASSAGEM

O celular tornou mais fácil a satisfação de uma de minhas predileções: ouvir conversa alheia, na rua. Sem o conversador perceber, é claro. Com o celular, ficou facim. As pessoas conversam alto, sem qualquer inibição, dentro do ônibus, andando a pé, nos restaurantes, nas lanchonetes... Uma façura, como disse o garotinho à mãe, sobre a prova que fizera. Resultado? Zero!
Pois não é que eu vinha calmamente pela rua, quando vi uma mulher falando ao celular e dizendo para o(a) interlocutor(a):
- Eu quero pegar uma blusa na loja, no condicional. Posso pegar em seu nome?
É claro que não ouvi a resposta, que a tanto não vai minha capacidade auditiva.
Pensei, na hora: aí é que mora o perigo! Se pediu para comprar no nome da outra pessoa, acho que não leva muita fé no próprio. É ruim, hein?

Foto: Kleiton Gonçalves [Blog do Neófito]
http://kleitongoncalves.blogspot.com.br/2012/03/anatomia-literatura.html

24 de jan de 2013

TÍTULOS E EXCERTOS DE NELSON RODRIGUES

Nelson Rodrigues só não é unanimidade porque, segundo ele, toda unanimidade é burra. Mas o prestígio dele - que, "além de cronista, era um dramaturgo" - é inegável, em vários segmentos de leitores. No livro Brasil em Campo, organizado por sua filha Sônia Rodrigues, encontro vários títulos e vários excertos que penso valerem por si sós. Vamos inserir alguns no cadikim, paulatinamente.

"O grã-fino rasga dinheiro na vista e quer médico de graça."

Está no livro referido, página 121. Não é merchand, mas o livro merece ser lido. Vou tentar todo mundo, com pedacinhos.

Foto: Capa do livro.

VOLTANDO PELO AR...

Estive fora por uma semana. Belo Horizonte, aproveitando a companhia de duas de minhas três filhas, que foram encontrar-me lá. Uma delas, para conferir-me: na viagem que fiz a Bonito, sofri um belo dum desarranjo, com direito a três dias de hospitalização (tinha escrito internação mas prefiro hospitalização; poderiam pensar que surtei; vivo em estado limítrofe). Foi preciso encontrar a Nanete, para que ela visse que o véio está dando para o gasto.
A volta, uma delícia. Um turbo-hélice que voa muito mais baixo do que aqueles jatões. Já escrevi sobre isto mas ainda não tive peito para publicar, porque ficou longo. Ainda terei coragem e penso que quem se aventurar poderá gostar pelo menos de algum pedacinho.
Volto a falar do gosto que tenho por voar e, principalmente, voar baixo. Tenho o hábito das viagens paralelas. Não foi diferente nessa última. O tempo estava um pouco nublado. Nuvens disputando espaço com o azul. Logo de saída, passamos por uma nuvem que cismei de ver em forma de um anjo ou do próprio Cristo. Não aqueles Cristo rígido, parecendo dominador, que o Tom Jobim achou de poetizar com "...braços abertos sobre a Guanabara". O Cristo que vi estava com os braços abertos, também, mas um pouco fletidos, o tronco um pouco encurvado, um aspecto muito acolhedor, a desejar-me boa viagem, ou a dizer que está me esperando, o que é uma forma poética de desejar-me boa viagem.
Nuvens aparecem de diversas formas: nuvenzinhas pequenas e médias, em diversos planos, dão-nos a visão exata do que é realmente 3D. Umas mais ao alto, outras mais baixas, aquel'outras mais baixas ainda... Adiante, as nuvens não estavam em camadas horizontais, parecendo colchão, como em viagem anterior. Pareciam montanhas, como se fosse um terreno muito acidentado. E, como eram brancas e havia um pouco de sol, as montanhas estavam cobertas de neve, ora aparecendo cinza claro, ora branco brilhante, luz e sombra a desenhar. Aconteceu de aparecer um pouco de azul, em algumas partes. Pareciam lagos no meio das montanhas geladas. Em um desses lagos, desceu uma montanha, avassaladora, cobrindo todo o lago com seu gelo. O vento empurrava a montanha sobre o lago.  Mais adiante, um espaço maior em azul, com muitas nuvens entremeadas, parecendo um mar com blocos de neve. Fica muito bonito. As paisagens não são estáticas. Afinal, as nuvens movimentam-se rapidamente. Tão rapidamente como a política. Meu amigo Antônio Sacco disse-me, há tempos, que, principalmente entre mineiros, política é como nuvem: você olha e está de um jeito; um minuto depois, volta a olhar e está tudo diferente.

Céu Nublado - Papel de Parede

Prefiro as nuvens e o azul do céu.











Foto PB: ESPN.com.br
http://espn.estadao.com.br/noticia/157833_VIDEO%20MUNDO%20DO%20SURFE%20SE%20DESPEDE%20DE%20ANDY%20IRONS

Foto a cores: UD.
http://ultradownloads.com.br/papel-de-parede/Ceu-com-Nuvens/

15 de jan de 2013

ESQUECERAM DO GOLEIRO, PARA VARIAR...

Já dissemos, aqui, que goleiro não ganha jogo. Salvo Rogério Ceni e alguns outros goleiros goleadores. E que no lugar onde o goleiro joga não nasce grama. Mas há outras - raras - oportunidades de um goleiro ganhar o jogo.
Hoje, pela Copa São Paulo, jogaram Fluminense x Cruzeiro. Empate em 1 x 1, no tempo regulamentar. Decisão por pênaltes, então. Os cinco cobradores do Cruzeiro converteram as cobranças em gols. Dos cinco do Fluminense, só três converteram. Isto porque o goleiro do Cruzeiro, Charles, defendeu uma cobrança de Biro-Biro, a terceira do Flu. A bola não bateu nele, não. Teve de fazer um movimento com o braço esquerdo, porque seu corpo já havia passado da trajetória da bola. Defendeu por ação. Como o Flu marcou o terceiro gol, na quarta cobrança, o quinto do Cruzeiro liquidaria a fatura. Como liquidou, 4 x 3, sem que o Flu pudesse cobrar o quinto pênalte.
Quando Hugo Sanches converteu a quinta cobrança para o Cruzeiro, o narrador esgüelou: "Hugo Sanches garante a vaga do Cruzeiro!"
Que Hugo Sanches que nada! Foi Charles, o goleiro, quem garantiu a vaga. Se não tivesse defendido a terceira cobrança, a série poderia terminar empatada. E ninguém nem nada poderia garantir que o Cruzeiro teria saído vencedor.
O narrador perdeu a oportunidade de fazer justiça e de ser diferente. Preferiu esquecer a defesa de Charles, que foi importante, de verdade, para o resultado.

Foto: Cruzeiro Esporte Clube.
http://www.cruzeiro.com.br/index.php?section=conteudo&id=1899

ELEIÇÃO DE PRIORIDADES: REFORMA DE APARTAMENTOS DE DEPUTADOS X ATENDIMENTO SUS

Não há como fingir que não há relação. Para um "país de todos", teria de haver um mínimo de compatibilidade. Igualdade será querer demais, certamente. Não me incomodariam muito as mordomias, se o básico estivesse merecendo dez por cento da atenção que cerca as mordomias. Mordomias, sim, porque se há limite de salário, as remunerações indiretas levam tudo para o alto. Enquanto isto, as condições de atendimento SUS seguem em noticiários pejorativos.
Banheira equipa todos os apartamentos funcionais reformados em Brasília - Wilson Pedrosa/EstadãoVejo, contrariado, que estão sendo gastos 280 milhões de reais para reformar apartamentos ocupados por deputados federais - apartamentos funcionais. E tenho de enfrentar a cara de pau do deputado Júlio Delgado, responsável pela área (a citação está entre aspas, na página de Veja - http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/camara-gasta-r-280-milhoes-em-reforma-de-imoveis): "Sei que essa história da  banheira de hidromassagem vai pegar mal, mas já estava prevista nos editais de licitação muito antes de eu assumir a Secretaria, então eu não tenho nada a ver com isso".


É! Sempre que aparece uma bronca, ninguém tem nada com isso.
Valorizar o atendimento SUS não seria prioridade?






Foto ap funcional: ESTADÃO.COM.BR - POLÍTICA.
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,camara-gasta-r-280-milhoes-para-reformar-apartamentos-funcionais,983302,0.htm
Foto atendimento SUS: blog do Eliomar.
http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/no-ranking-do-sus-fortaleza-tem-5%C2%BA-pior-atendimento-e-o-ceara-fica-entre-os-10-piores/

14 de jan de 2013

JUSTIÇA! HÁ DOIS MIL ANOS TE MANDEI MEU GRITO, QUE EMBALDE DESDE ENTÃO CORRE O INFINITO... ONDE ESTÁS, SENHOR DEUS?... JUSTIÇA! JUSTIÇA! JUSTIÇA!... JUSTIÇA!...

O brado é de Castro Alves, poeta dos escravos, em Vozes D'África, 1868. Inicio com a primeira sextilha:

Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?
Em que mundo, em qu'estrela tu t'escondes
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito...
Onde estás, Senhor Deus?...

É um lindo e doloroso poema. Pode ser visto, na íntegra, em http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/v/vozes_d_africa.

Vamos ao principal:

"Mulher grávida é morta a facadas pelo marido em Conselheiro Lafaiete".
JUSTIÇA! JUSTIÇA! JUSTIÇA!... JUSTIÇA! JUSTIÇA!...

"Grávida é assassinada a tiros em Ceilândia, no Distrito Federal".
JUSTIÇA! JUSTIÇA! JUSTIÇA!... JUSTIÇA! JUSTIÇA!...

"Mulher grávida é morta por motorista bêbado no caminho para dar à luz."
JUSTIÇA! JUSTIÇA! JUSTIÇA!... JUSTIÇA! JUSTIÇA!...

Reclamos que a gente vê e ouve, desde há muito tempo, e que estão no rádio, na TV, na internet, nas Delegacias de Polícia, nos Fóruns Criminais...

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Onde estais, Senhores Governantes, Autoridades de todos os níveis e áreas, Deuses da Política e das Promessas de Campanha? Não ouvis esses brados? Essas súplicas? Ou sois incapazes de mudar o estado de violência que a televisão nos põe diante da face, desde o alvorecer até o fim do dia?


Há muito tempo vos mando meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito...
Onde estais, Senhores?...



13 de jan de 2013

CONCENTRAÇÃO NO FUTEBOL: JOÃO SALDANHA E NENÉM PRANCHA

João Saldanha, para os mais jovens, foi jornalista, escritor e técnico do Botafogo e da Seleção Brasileira, nas eliminatórias da Copa de 1970, vencida pela Seleção Brasileira, Zagallo como técnico.
Neném Prancha, para os um pouco menos jovens, ex-roupeiro do Botafogo, ex-técnico de futebol de praia (que nem pensava em ser beach soccer), e filósofo da bola, cheio das frases de efeito sobre futebol.
Estive relendo texto do livro "Os Subterrâneos do Futebol", de João Saldanha. Falava de concentração. Não via vantagem, achava que "...o ambiente de véspera de jogo cria um nervosismo natural que predispõe a encrencas por qualquer coisa à-toa. Fica um a olhar para a cara do outro, só pensando em fugir ou então armar um joguinho para passar o tempo."
Neném Prancha: Se concentração ganhasse jogo, o time da penitenciária não perdia uma...Poderia ter-se inspirado em Neném prancha, que, em um de seus lampejos, afirmou:

"Se concentração ganhasse jogo, o time 
da penitenciária não perdia uma...".

O que li, hoje, de João Saldanha faz o mesmo sentido que faz, para mim, a observação de que todos os dirigentes reclamam de juízes, os mais apaixonados falando até em "mala preta", às vezes, mas ninguém se empenha, objetivamente, em modificar a situação. Transcrevo um excerto do João:

"E o que determinou a concentração no futebol brasileiro foi, fundamentalmente, para se evitar o suborno. Até espias havia, para examinar os visitantes. Se chegasse algum suspeito, o sinal era dado e alguém de confiança ficava por perto. Isto agora, de modo geral e felizmente, não existe mais. Mas não posso jurar que foi totalmente abolido. Claro que havia razões fundadas para temer o suborno: no futebol antigo e, principalmente, no tão decantado futebol amador, esta era uma preocupação constante do clube grande e o raciocínio era simples: 'Se nós estamos sempre pensando em dar na horta deles... eles também devem estar pensando nisto.' § O começo do profissionalismo ainda foi atingido por este problema. Mas de uns quinze anos para cá, ou de 1950 em diante, digamos assim, os casos foram rareando, até sua quase total extinção."

Não me passa pela cabeça que todos os erros cometidos por juízes e auxiliares estejam relacionados a eventuais "malas pretas". Alguns desses erros são tão elementares que nos levam a duas alternativas principais: despreparo ou má fé. Para afastar o despreparo, a solução será, sempre, qualificar melhor os árbitros e exigir deles bons desempenhos, através de avaliações isentas (o que nem sempre é fácil, porque os que estão na administração do futebol torcem para algum clube). Se for o caso de "mala preta", vejo duas soluções, não alternativas: primeiro, não pensar em dar na horta do adversário; segundo, as mesmas avaliações isentas.
Ação paralela que acho necessária: propor aos comentaristas esportivos que comentem conforme o regulamento e não conforme essa ou aquela preferência pessoal.
Ontem, não sei se assistindo a jogo da Copinha, ou ao da Seleção Brasileira no sul americano sub 20 (acho que foi da Copinha, pois só havia times brasileiros envolvidos, e não conheço as preferências do comentarista), um jogador impediu o contra-ataque adversário, segurando o jogador que se deslocava com a bola. Não foi um "segurãozinho", de leve, pela camisa, não. Foi uma perseguição, segurando e re-segurando, várias tentativas, valendo camisa e braço, até conseguir seu intento. O árbitro marcou a falta, mas não deu cartão. O comentarista "comentou" que não fora uma falta violenta, justificando a omissão. O narrador deu uma de comentarista, corrigindo o colega: não foi violenta, mas impediu um contra-ataque e a regra manda punir com cartão amarelo.
Então, por que os dirigentes não fazem uma coletânea, em vídeo, de lances desse tipo e convocam dirigentes de federações e de departamentos de árbitros, para exigir que melhorem o nível das arbitragens?
Porque a ilegalidade, as irregularidades interessam a todos eles. Estão sempre pensando em dar na horta dos adversários, por todos os meios.

Fonte: Os Subterrâneos do Futebol - João Saldanha.
Foto de João Saldanha: Blog do Espinosa.
http://blogdoespinosa.zip.net/
Foto de Neném Prancha: Quem disse
http://www.quemdisse.com.br/frase.asp?frase=62448