27 de jan de 2013

SEGURANÇA: CHUVA AVISADA NÃO MATA ALEIJADO

Não há mais o que fazer, a não ser lamentar. Quase 250 pessoas mortas quando estavam divertindo-se. Infelizmente, muita gente acha que nada irá acontecer. Os organizadores, os agentes artísticos e os próprios assistentes não se preocupam com questões de segurança. A fiscalização é deficiente, em princípio, e desde sempre.
Segurança tem um custo, tem uma disciplina. No entanto, só se fala em regras de segurança depois que os acidentes acontecem. O "segurança" - seja uma autoridade pública, seja um agente imediato - o "segurança" é um chato. Só existe para impedir, nunca para autorizar. Isto é o que pensa a maioria. Também, para que pagar por uma coisa que nunca irá acontecer?
Em 1989 - informa-me a Wikipédia - um dos cartões postais do Rio de Janeiro - o Bateau Mouche - naufragou, quando transportava 142 passageiros. Morreram 55. Havia falhas e gambiarras na embarcação. Segundo o laudo pericial, superlotação também: mais do dobro da lotação permitida.
Agora, a buate Kiss, na cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul. Uso de fogo de artifício em lugar fechado (circunstância que já era bastante a impedir o uso) e com isolamento acústico inflamável). Dificuldades na hora da fuga das pessoas, sistema de segurança mal acionado (as informações são no sentido de que os seguranças impediram a saída das pessoas, e de que não sabiam do incêndio; alguém, próximo ao palco, teria de ter comunicado aos seguranças da porta única). Informam que também havia superlotação (penso que, quanto a isto, a responsabilidade não está apenas nos organizadores, mas também em quem menospreza a segurança para assegurar diversão; aglomerações nunca não inocentes).
Diante das informações, fui pesquisar. Em 2008, vinte anos depois do acidente com o Bateau Mouche, só duas pessoas tinham tido sentença final de indenização e apenas uma havia recebido.
Os proprietários da embarcação, condenados em regime aberto, fugiram para a Espanha.
Por esse ligeiro estudo, verifica-se:
Primeiro: é muito grande o número de pessoas envolvidas. Pais, irmãos, filhos, sobrinhos, tios, avós, amigos... vai somando isso aí, considerando cada vítima.
Segundo: O trauma que assola os sobreviventes pode não ser superado.
Terceiro: a possibilidade de as pessoas ficarem vinte anos ou até mais envolvidos mais do com as dores de perdas, mas com o próprio acidente, em ações judiciais, clamando inutilmente por justiça (vide http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2013/01/justica-ha-dois-mil-anos-te-mandei-meu.html). Sofrimento para não acabar mais. Acompanhar uma ação judicial durante muito tempo, esperando justiça, é a dor repetida a cada ato.
Que as instituições não fiscalizam adequadamente, é sabido. Ou por inércia ou por envolvimentos pessoais, políticos ou outros com proprietários de casas de espetáculos, ou mesmo por pressão popular. Um Coronel do Corpo de Bombeiros, que se deslocou para Santa Maria, falou, em entrevista para a Rede Glogo, que a validade da autorização para a Buate Kiss expirara em dezembro. Mas a casa funcionou e o acidente ocorreu.
Melhor mesmo é cada um prevenir-se: não freqüentar casa de espetáculo sem condições de segurança; não participar de superlotação (encheu, "sai que é rabo!"); outros cuidados, como consultar órgãos de segurança sobre as condições de estabelecimentos que interessem; em caso de uso de fogos de artifício, informar-se a capacidade ao agente.
É pessoal, é velho: Mas chuva avisada não mata aleijado!


Imagem: Lanza Show e Fogos.
http://www.fogoslanza.com/ 

Obs.: Não se trata de propaganda, nem de crítica. Trata-se de uma empresa que se anuncia como a empresa mais conceituada no Brasil, desde 1940, para shows pirotécnicos e piromusicais.
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