14 de abr de 2017

TEMER E A MULHER DE CÉSAR

Michel Temer foi citado por Márcio Faria - um dos delatores da Odebrecht na lava-jato, como tendo recebido em seu escritório político, em São Paulo (mencionou o endereço), em reunião em que foram discutidas relações da empresa com obras da Petrobras (mencionou a presença e a localização de Michel Temer na cabeceira da mesa e de cada participante - além de Márcio Faria e Rogério, Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, e "os outros mais atrás"). Os tais "detalhes sórdidos" o leitor poderá já ter conhecido, através da imprensa ou se não, poderá vir a conhecer se procurar na rede.
O Presidente da República, em pronunciamento em rede social, divulgou: "É fato que participei de uma reunião, em 2010, com um representante de uma das maiores empresas do país" (vi pela TV e revejo em UOL notícias POLÍTICA, https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/04/13/jamais-colocaria-a-minha-biografia-em-risco-diz-temer-em-video-para-rebater-delator.htm). Antes dessa fala, manifestou sua repulsa pela mentira.
Ora direis: mas para que diabos o Vice-Presidente da República recebe em seu escritório político um representante de uma das maiores empresas do país? para tratar de que? de obras? não era o ambiente adequado; nem o PMDB teria legitimidade para tratar de obras, atividade que tem espaço próprio em Ministério. Respondo-lhes: mas que diabo essa futricação na vida dos políticos e dos poderosos?
Mas que fica esquisita essa ação de políticos e empresários, reunidos para resolver sabe lá Deus o que, isso fica.
Teria ficado mais adequado a Temer dizer - como todos estão dizendo - que não sabe de nada, que nem conhece esse tal Márcio Faria, que todas as verbas de campanha são legais, e coisa e loisa... Provavelmente, Michel Temer não poderia ter dito que a reunião não existiu em seu escritório político e que, se houve, não participou. Corria sério risco de a coisa vir a ser provada.
E aonde entra a mulher de César?
O texto irá ficar um pouco longo mas rogo pela paciência e pela curiosidade do leitor. Vamos lá.

Na Wikipédia:

"César se casou com Pompeia em 67 a.C,... . Em 63 a.C., Pompeia realizou um festival em homenagem a Bona Dea ('boa deusa'), no qual homem nenhum poderia participar, em sua casa. Porém, um jovem patrício chamado Públio Clódio Pulcro conseguiu entrar disfarçado de mulher, aparentemente com o objetivo de seduzi-la. Ele foi pego e processado por sacrilégio. César não apresentou nenhuma evidência contra Clódio no julgamento e ele acabou inocentado. Mesmo assim, César se divorciou de Pompeia, afirmando que 'minha esposa não deve nem estar sob suspeita'. Esta frase deu origem a um provérbio, cujo texto é geralmente o seguinte: 'À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta'." (https://pt.wikipedia.org/wiki/Pompeia_(esposa_de_J%C3%BAlio_C%C3%A9sar)).

Em Jusbrasil - O Poder Judiciário e a mulher de César (https://nelcisgomes.jusbrasil.com.br/artigos/169616664/o-poder-judiciario-e-a-mulher-de-cesar):

"Em 63 a.C. Cesar foi eleito Pontifex Maximus, cargo vitalício que, sem impedir os demais que lhe alicerçariam o poder político, dava-lhe o controle sobre a vida religiosa de Roma. Cornélia Cinila, sua primeira esposa, morreu de parto em 69 a.C. e Cesar casou-se, no ano seguinte, com Pompeia Sila, ..... . Em 62 a.C., era preciso celebrar os ritos da Bona Dea (Boa Deusa), realizados na casa do Pontifex com a ausência obrigatória de todos os homens. Pela posição do marido, cabia a Pompeia supervisionar essa celebração. Aproveitando-se da ausência masculina, Públio Clódio Pulcro, jovem imberbe que se imagina enamorado de Pompeia, conseguiu entrar na casa disfarçado de mulher, possivelmente com a intenção de seduzi-la. Nada indica que Pompeia fosse conhecedora ou culpada desse sacrilégio, conforme o próprio César admitiu publicamente. Entretanto, ele divorciou-se dela, alegando que 'a mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta'. Como se vê, não se tratou de culpabilidade mas de reputaçao".

Um outro texto (Estórias da História - http://estoriasdahistoria12.blogspot.com.br/2016/01/a-mulher-de-cesar-nao-basta-ser-honesta.html) é semelhante, diferente apenas quanto à fala de César: "A mulher de César deve estar acima de qualquer suspeita".
Mas por que é que estou escrevendo essas baboseiras? Algo a ver com o Michel Temer?

Imagem: Wikipédia.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pompeia_(esposa_de_J%C3%BAlio_C%C3%A9sar)

13 de abr de 2017

A INUTILIDADE E DESNECESSIDADE DE ANISTIA AO CAIXA DOIS

É claro que não concordo com que muitos parlamentares possam estar querendo legislar em causa própria, anistiando um trem que nem mereceu condenação ainda, proposta absolutamente imotivada.
No entanto, não consigo entender por que desejam essa pré-anistia (que se for ampla, geral e irrestrita poderá causar muita embolação para a receita federal, se todo mundo quiser abrir os livros). Não consigo entender, porque não há motivo, nem necessidade, nem utilidade para a tal anistia.
Pois se respondem, a cada informação de envolvimento, que não receberam qualquer dinheiro ilícito, que não fizeram campanhas ilegais, que prestaram contas de suas respectivas campanhas, todas aprovadas pelos Tribunais de Contas, que não tiveram contatos com os financiadores ilegais (não digo corruptores, porque, que nem o ovo e a galinha, ninguém sabe quem nasceu primeiro: o corruptor ou o corrupto), se tudo o que fizeram foi dentro da lei, PRA QUE É QUE PRECISAM DE ANISTIA? TODOS IRÃO SER ABSOLVIDOS, CERTAMENTE, UAI! A não ser que apareça um assumido por aí, que diga que fez tudo de errado e que, realmente, precisa ser anistiado.

Imagem: BREVIÁRIO.
http://rezairezairezai.blogspot.com.br/2015/08/oficio-dos-anjos-e-arcanjos-hinos-e.html

25 de mar de 2017

AH! NÃO! SEM ESSE PÁPO, SÔ AÉCIO!

Operação-Lava-Jato-5Não costumo discutir políticos, porque acho besteira: continuarão os mesmos. Nem tenho partido, porque acho todos eles os instrumentos de um esquema em que os interesses do povo nem passam perto da primeira preocupação. Mas agora "não dá pra segurar", como disse o Gonzaguinha.
Encontro, na edição nº 2521 da Veja, de 15 de março último, duas pérolas do Aécio, que transcrevo, aspas no original:

Começo pela segunda pérola na ordem de paginação:

Na pág. 45:


"Não podemos deixar que tudo se misture. Um cara que ganhou dinheiro na Petrobras não pode ser considerado a mesma coisa que aquele que ganhou 100 pratas para se eleger".

Segunda pérola, na pág. 40:


"Haverá espaço para uma saída política? Ou vamos considerar que todo mundo é bandido e abrir espaço para um aventureiro 'salvador da pátria'?".

Primeiro, sô Aécio: não vi, em qualquer notícia da Lava Jato, ou de qualquer outra mutreta das que pululam por aí, referência a "100 pratas". É de milhão a bilhão. Não adianta fingir que se trata de desvios de merreca. E, afinal, pelo que temos visto, eleger-se tem sido uma das formas de enriquecer. Pode ser que queira referir-se ao milagre da multiplicação dos dinheiros.
Segundo, sô Aécio: dizia Dona Mariazinha, "é tão bom quem entra na horta como quem fica na porta". Não consigo acreditar que deputados e senadores da mais alta estirpe frequentem as casas legislativas, ministérios, etc., mantenham relacionamentos ora rudes, ora quase meigos com seus colegas de câmara e senado, transitem por todos os setores públicos, desde a corte até a província, e nem desconfiem de que tem gente com grana demais, com poder demais, com audácia demais... Realmente, não tenho leitura para entender isto. Não posso concordar, portanto, que se venha rotular de "aventureiro" e, pejorativamente, "salvador da pátria" um cara que nem é candidato a candidato ainda e que, no contexto da declaração, nem é conhecido. Nem acredito na citação, porque todos os que estão citados em depoimentos comprometedores - todos eles - nada fizeram de errado, são todos inocentes, e apenas trabalham em prol do desenvolvimento do país e dos interesses da coletividade, verdadeiros "salvadores da pátria".
Mas preste atenção, sô Aécio: havia, em uma porta de loja em uma cidadezinha, provavelmente mineira, um cartaz com os seguintes dizeres:


"Exigimos 50% de sinal dos fregueses que não conhecemos e 100% de alguns que conhecemos".

Francamente, sô Aécio! Estou mais para o dono dessa loja do que para sua tentativa de desqualificação prévia de alguém que possa vir a aparecer como candidato. Tenho menos medo do desconhecido.

Imagem: Cambira Notícias.
http://cambiranoticias.com.br/web/2017/02/10/fachin-autoriza-inquerito-para-investigar-renan-juca-e-sarney-na-lava-jato/

12 de mar de 2017

CÁ PRA NÓS,...


Cê não acha...


... que, pelo menos para economizar nas confecções de faixas para protestos, poderíamos adotar um modelo único?:

"FORA TODO MUNDO!"

23 de fev de 2017

NAS LETRAS DE NOSSAS CANÇÕES - DE FRENTE PRO CRIME


"Um homem subiu na mesa do bar
e fez discurso pra vereador."






João Bosco em "De frente pro crime".





Para ouvir com o Autor, Roberta Sá e Trio Madeira:
youtube
https://www.youtube.com/watch?v=clHbMIBm4eQ

18 de fev de 2017

O VELHINHO PORRETA E O NEUROLOGISTA

A imagem pode conter: 4 pessoas, pessoas em pé
Serafim Esteves da Fonseca, à esquerda, recebendo
a Comenda Olegário Maciel
Serafim é meu concunhado. Noventa e três anos, costuma dar seus passeios pela tranquilidade de Passa Quatro, cidadezinha que está no Sul de Minas, uma lindeza na Serra da Mantiqueira.
Alguma preocupação natural dos filhos, deu-se que uma das filhas achou de levá-lo a uma consulta com um neurologista. Serafim gostou nada da ideia, evitou, escorregou, mas acabou cedendo. Lá se foi com a filha para o consultório.
De cara o neurologista jogou-lhe um papel - é! jogou mesmo! - e disse-lhe para desenhar um relógio marcando uma hora qualquer. Serafim olhou para a filha com cara de poucos amigos, provavelmente inquirindo, com o olhar: "está vendo o que você foi me arrumar?". Educado - mas exigente - que é, tomou do papel, desenhou um relógio e, do mesmo jeito que fizera o médico, jogou-lhe o papel com o desenho. O médico olhou, devolveu-lhe o papel e disse para escrever uma frase.Serafim voltou a lançar para filha o mesmo olhar inquisidor aí de cima. Tomou do papel, escreveu uma frase e devolveu o papel ao médico. O neurologista examinou e virou-se para o Serafim:
- Mas eu não estou entendendo nada.
O Serafim - ar vitorioso - curto e grosso:
- É latim.
No que minha filha - sobrinha do Serafim - contou-me do caso, acabei não me interessando pelo final da consulta, tão engraçada achara a solução dada por ele. Mas o fato prosseguiu. Já fora do consultório, a sós com a filha, Serafim sentenciou:
- Sacaneei ele, né?

Imagem: Facebook - Patrimônio Histórico de Passa Quatro.

https://www.facebook.com/patrimoniohistoricopassaquatro/photos/a.160296917464032.1073741854.157136834446707/655155964644789/?type=3&comment_id=655205767973142&comment_tracking=%7B%22tn%22%3A%22R%22%7D

NAS LETRAS DE NOSSAS CANÇÕES - CABRITADA MAL SUCEDIDA




"E quando o comes e bebes começou,
no melhor da cabritada
a polícia e o dono do bicho chegou."




Geraldo Pereira
Geraldo Pereira




Geraldo Pereira e Jorge Gebara em











"Cabritada Mal Sucedida"




Para ouvir com o Geraldo Pereira: Vagalume
https://www.vagalume.com.br/geraldo-pereira/cabritada-mal-sucedida.html

Para ouvir com Luiz Melodia: youtube
https://www.youtube.com/watch?v=ggQLmBY4sRI

24 de jan de 2017

ORGULHO


"Quando o orgulho chega ao extremo, tem-se um indício de queda próxima, porquanto Deus nunca deixa de castigar os soberbos. Se por vezes consente que eles subam, é para lhes dar tempo à reflexão e a que se emendem, sob os golpes que de quando em quando lhes desfere no orgulho para os advertir." [Adolfo, Bispo de Argel (Marmande, 1862)].

Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Allan Kardec


18 de jan de 2017

COCÔ DE CAVALO

Ontem, deparei com cocô de cavalo na rua, no centro da cidade. Falei para minha mulher que há muito não via cocô de cavalo na rua. É! As cidades cresceram, os automóveis tomaram as ruas e a gente não vê mais aquelas carroças puxadas por cavalos. Lembrei a ela que, quando menino, catava esterno na rua, para a horta doméstica da D. Ephigenia. Era cocô de cavalo que, em Belo Horizonte, a gente encontrava em alguns lugares específicos. Ali pela Avenida dos Andradas, perto do Parque Municipal e mais para frente um pouco, perto da Praça da Estação, onde ficavam vários carroceiros esperando carretos. Ela me disse que também, quando menina, catava esterco, em ruas de Patos de Minas.  Mas os tempos mudaram, as carroças e os cavalos sumiram da paisagem. E estamos nós, em pleno centro de Patos de Minas, vendo cocô de cavalo na rua. É. Coisas que encontramos apenas em algumas cidades turísticas, onde charreteiros oferecem seus veículos a passeios. Quase bucólico.
Observo que, cada vez menos, temos encontrado até cocô de cachorro, já que os bichinhos estão sendo educados para se livrarem dos incômodos em lugares específicos, sem sujar as vias públicas. Há dias, vi no feicebuque, um "porta cocô", uma caixinha com uma alça que é colocada sobre a cauda do totó, caixinha que recolhe o dejeto, onde e quando desejar o animal, sem sujar as ruas.
O progresso é muito bacana. Mas que às vezes é interessante ver coisas que nos foram "roubadas" por ele, lá isso é. As carroças, os cavalos e seus condutores, claro!

Foto: PASSEIO LIVRE.
http://www.passeiolivre.org/2012/09/os-cocos-dos-cavalos-da-gnr.html

13 de jan de 2017

AINDA É POSSÍVEL, POR ENQUANTO...



Ainda é possível ver a lua olhando por minha janela. Não será mais no mês que vem...
"É o pogréssio que vem".




12 de jan de 2017

DE CRISE EM CRISE, VAMOS PERDENDO RUMOS

População carcerária em prisões no BrasilNão vou me deter comentando a crise. Já está passando da conta a incapacidade de controle da nossa Administração Pública.
Assusta-me a crença das autoridades em que isto vai ser resolvido rapidamente, como se fosse uma coisa passageira.
Em maio do ano passado, o Presidente Temer, ainda Presidente Interino, pronunciou-se em debate sobre Plano Nacional de Segurança Pública. De sua fala, colhi o seguinte excerto (https://www.youtube.com/watch?v=gPnq15WsQ8c):


"A violência é sempre algo que deve ser banida. E, para ser banida, num sistema federativo, importará certa e seguramente numa atuação conjunta da União Federal com os Estados Brasileiros e, até depois da Constituição de 88, até mesmo no caso dos Municípios, que têm a Guarda Municipal...".

Recentemente, no trato da barbárie acontecida nas prisões, o Presidente disse, em TV, que, sendo as prisões terceirizadas, o Governo não tem responsabilidade direta.
Prefiro estar eu enganado, se tiver ouvido mal. Mas o Presidente é melífluo como os suaves gestos de suas mãos, quando discursa.
Não há como arredar a responsabilidade objetiva do Estado (por extensão, do Governo), que é quem terceiriza, sem poder safar-se do dever que lhe é cometido pela Constituição.
Não gostei do que disse, o Presidente, nesse último pronunciamento. Se tiver de escolher, prefiro a declaração daquele Secretário da Juventude, que deitou bobagem sobre o assunto, dizendo que deveria haver uma rebelião por semana.
Prefiro esta à do Presidente, porque esta foi sincera. Deplorável, mas sincera. Sei quem e que ideia devo combater. Mas a do Presidente, entendo que não é verdadeira, logo insincera, e não sei se posso confiar nas demais.
Naquela transcrita acima, por exemplo. Será que, ao achar que "a violência é algo que deve ser banida", o Presidente referia-se a todo tipo de violência? Àquela do comércio de drogas, das execuções sumárias, do terrorismo nas prisões, ou, também, àquelas dos enormes desvios de dinheiro, de que a imprensa dá conhecimento à Nação, sem negativas, e até com delações, restituições, bloqueios, etc? Daquelas de colocar tanta distância entre os ocupantes de altos cargos e a ralé, com demonstrações de superdireitos?
Há uma diferença entre a criminalidade de colarinho branco e aquela dos traficantes?
Há, sim. Estes usam a violência explícita e cada vez maior, para atingir os objetivos de seus interesses. Aqueles - os titulares de altos cargos - usam o mandato que lhes foi confiado para fazer maldades escondidas, também cada vez maiores, nos atos e nos resultados que manipulam, para vantagem de seus interesses pessoais.
É muito desigual.

Foto 1: EXAME.com
http://exame.abril.com.br/brasil/cidh-alerta-para-violencia-em-presidios-do-ceara/

Foto 2: veja.com
http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/abusos-politicos/contexto1.html