22 de nov. de 2020

MILLÔR EM PEDACINHOS - ECONOMIA. SISTEMAS

 

"Num sistema de autoproteção que procura se reforçar e ampliar, os impostos sociais - sobretudo o de renda - são fictícios para os ricos e reais e esmagadores para os pobres. Pode-se falsificar e glosar de mil maneiras diferentes a escrituração de uma empresa. Até hoje ainda não apareceu o gênio capaz de falsificar um salário.

APARTE NA ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA DO BANCO DO BRASIL. 1971".


Millôr Fernandes, n'O Livro Vermelho dos Pensamentos de Millôr, págs. 80/81).




21 de nov. de 2020

NAS LETRAS DE NOSSAS CANÇÕES - VERSÃO BRASILEIRA DE ROCK 1960


"A distância nos separa

mas nos anos 70

felizes seremos os dois."



José I. Marcone e Galvarino V. Alderete - 

Versão de Fernando César (1960), em "Marcianita".


Sérgio Murilo


Para ouvir com Sérgio Murilo: YouTube.

https://www.youtube.com/watch?v=KrxEtqb-bHg&ab_channel=Cinegrar


Foto: cifrantiga.

https://cifrantiga2.blogspot.com/2018/01/sergio-murilo-biografia.html


PS.: Tempos das versões de rocks importados. Não encontramos foto de Fernando César.

Curiosos irão encontrar Marcone e Alderete na rede.






20 de nov. de 2020

11 de nov. de 2020

A LUTA NÃO É DO BEM CONTRA O MAL

 Por definição, o bem não briga. É o bem, só e só.

Não existe uma "luta do bem contra o mal", como tenho lido e ouvido durante toda a minha vida. Isso é coisa de Super Homem, Homem Morcego, Homem Aranha, Tarzan ... Fantasias.

A luta que se desenrola no mundo de verdade é do mal contra o mal.

Ontem, isto ficou bastante mais claro para mim.

Começou pela observação das repetidas, prolongadas e insistentes críticas ao presidente da república, porque não cumprimentou o "vencedor" das eleições nos Estados Unidos.

Pois bom, como dizia Chico Anysio, através de Pantaleão. Não vejo por que cumprimentar Biden como eleito. O órgão competente para declarar o eleito ainda não trouxe a lume sua decisão. Nem os tribunais decidiram sobre os pleitos de Trump. Penso que obra em falta de respeito pelas instituições qualquer pessoa, por mais importante que seja, pretendendo dar por findo um assunto, de interesse pessoal, que está sob o controle legal de outrem.

Penso que Biden, ao declarar que a eleição acabou, está no mesmo patamar de perturbação de Trump declarando que a eleição não acabou. A declaração de Biden de que a transição começou não poderia gerar outra resposta senão a de que a transição para o segundo mandato de Trump será tranquila.

Há maneiras respeitosas e civilizadas para cada um manifestar sua posição, sem querer ser definitivo, porque não são.

Já o presidente é especialista em contradizer-se e em desagradar. Tendo dito que "a gente tem suas preferências", poderá ter desagradado Biden; ao dizer que "Trump não é o homem mais importante do mundo" certamente terá desagradado Trump que se mostra como quem se acha o mais importante do universo.

A declaração de resultado é um elemento protocolar das eleições.

Vejo algo de mau tanto em Trump quanto em Biden.

Vejo algo de mau no presidente, quando tenta escapar da contradição mergulhando nela.

Vejo algo de mau na imprensa que, tal qual o presidente, acha que as coisas têm de caminhar conforme ela pensa: critica o presidente quando não observa o protocolo e critica-o quando quer observá-lo (mesmo que tal postura possa conter o elemento politiqueiro; mas é a protocolar).

Nessa briga de foice, o mal está em cada um

dos lados.
No caso, um triângulo odioso.









Imagem: WikiPédia.

9 de nov. de 2020

ATLÉTICO X FLAMENGO: A GOLEADA COMO A CONCEBO E A EXCEÇÃO COMO A ENTENDO

Concebo a goleada como a diferença entre um time muito bom e um time muito ruim. Entendo que cabe exceção, quando dois timesmuito bons enfrentam-se: tudo deu certo para um deles e tudo deu errado para o outro.

Vamos ao Atlético x Flamengo de ontem.

Com menos de dois minutos de jogo, Éverton Ribeiro chutou rasteiro da entrada da área. Não havia um só atleticano à sua frente. Éverson saltou e não alcançou a bola, que passou fora, rente à trave. Não deu para ver se o goleiro defenderia, se tivesse ido na direção do gol. Foi uma oportunidade clara de gol.

Cerca de dois minutos depois, Savarino avança e cruza rasteiro para Sasha dividir com o zagueiro, na cara do goleiro, e a bola acabar na rede. Mais três minutos e Savarino ameaça passar mas prefere um drible para a esquerda, descortinando um corredor vazio à sua frente, tendo, na outra ponta, o Keno. Passe perfeito que o zagueiro do Flamengo não conseguiu cortar. Mais uma bola na cara do goleiro e Keno arrematou com perfeição, convertendo. Dois a zero, aos sete minutos de jogo. Flamengo fica no zero.

No começo do segundo tempo, Pedro arremata de cabeça, Éverson faz bela defesa, bola viva na área, Bruno Henrique chuta e manda no travessão. Flamengo fica no zero. Aos quize minutos, Sasha marca de novo, de peixinho, outra vez na cara do goleiro, arrematando excelente jogada e assistência de Guilherme Arana. O Flamengo volta a ameaçar com Pedro cabeceando para defesa sensacional de Éverson. Finalmente, o quarto gol, da autoria de Zaracho, após nova assistência de Savarino.

Poderemos dizer que se as coisas tivessem dado tão certo para o Flamengo como deram para o Atlético, o jogo poderia ter acabado em 4 x 3 para o Galo. O Atlético criou outras oportunidades mas não converteu. E para reafirmar que as coisas deram certo para ele, ressalte-se o número de falhas do zagueiro Gustavo Henrique (que já não andara bem contra o São Paulo, em goleada por 4x1). Enquanto isso, a defesa do Galo jogou muito bem ontem, com destaque para Igor Rabello.

O objetivo não é deslustrar a vitória maiúscula do Galo. Esse mesmo Galo que perdeu para o Palmeiras por 3 x 0, três gols cara a cara com Éverson, dois deles com os zagueiros, já ultrapassados, correndo atrás dos atacantes. Naquele jogo, deu tudo errado.

O objetivo é de alerta: penso que, em geral, o Atlético marca poucos gols, relativamente às situações que cria. Ontem deu tudo certo. Mas é preciso que dê certo na maioria das vezes.

É como me ensinou Stanislaw Ponte Preta: "malandro prevenido dorme de botina".


Imagem: Eus-R.

https://eusr.wordpress.com/2011/08/08/projeto-de-lei-quer-proibir-uso-de-camisas-de-times-em-locais-com-mais-de-300-pessoas/galo-forte/


ETERNIDADE

 



8 de nov. de 2020

OS IMPASSES DA TERCEIRIZAÇÃO (ENERGIA ELÉTRICA AMAPÁ)

 A imprensa tem martelado, há alguns dias, o colapso da energia elétrica no Amapá.

Conforme informações transmitidas pela tv e por páginas diversas na internet, o presidente da república "...sugeriu neste sábado, 7, que uma empresa particular pode ter sido responsável pelo apagão que atinge o Estado. ... disse que "não queria culpar ninguém"... mas,..., questionou o trabalho de manutenção realizado pela companhia." (ISTO É - https://istoe.com.br/correcao-bolsonaro-sugere-falha-em-empresa-particular-de-energia-do-amapa/). Está na matéria publicada:

" 'Acho que falou a manutenção da empresa particular que fornece a energia', afirmou em "live" transmitida em suas redes sociais.".

Poderia aceitar a "desculpa" do presidente. Mas não me contenho e vou examinar a Constituição, que todo presidente jura cumprir, condição para assumir o cargo.

Está lá (art. 21, XII) que compete à União explorar, ..., mediante autorização, concessão ou permissão os serviços e instalações de energia elétrica. E que compete privativamente ao Presidente da República exercer, com auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal (art. 84, II).

Fiquei fuçando mais: Incumbe ao Poder Púbico,..., diretamente ou sob regime de consessão ou permissão,..., a prestação de serviços públicos. Vou findar com a prescrição constitucional no sentido de que a lei disporá sobre a obrigação de manter o serviço adequado.

Sei que é desconfortável para o cidadão informar-se sobre tais detalhes, para poder exercer dignamente a decantada cidadania. Fica mais fácil concordar ou nem se importar mais com as "desculpa".

Aí é que mora o perigo da tal terceirização, que tanto pode ser uma boa ferramenta para administração, como um complicador, conforme for tratada.

A terceirização não pode ser tratada como "toma que o filho é teu", nem como "tira esse leão daí" (http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com/2013/06/isso-ai-eu-tambem-faco.html). A terceirização não implica excluir a responsabilidade da União, nem do Presidente da República, nem dos Ministros quanto à obrigação de manter o serviço adequado.

Se faltou manutenção da empresa particular que fornece a energia, desde um tempo não revelado até o momento do colapso, certamente terá faltado fiscalização da atividade pela administração superior (leia-se Presidente e Ministro de Minas e Energia), bem como dotação de estrutura substitutiva em prazo muito curto, para suprir a falha da tal "empresa particular", cobrando-lhe a conta depois e aplicando-lhe as sanções legais. A prevenção obriga a isto, pelo menos para tentar evitar os dias de apagão em um Estado. Muitos bens e serviços perderam-se por causa do colapso elétrico.

Não se pode admitir que o Poder Público responsável apenas indique uma causa, sem investigar na sua própria estrutura. Trata-se de um serviço público, da competência exclusiva e responsabilidade da União, e que, por força da própria Constituição, é direito de qualquer cidadão, seja em São Paulo (provavelmente o maior consumidor de energia elétrica no país) ou no Amapá.


Imagem: EL PAÍS.

https://brasil.elpais.com/brasil/2020-11-06/amapa-enfrenta-quarto-dia-seguindo-de-apagao-e-ministro-fala-em-dez-dias-para-normalizacao.html

PALAVRAS

 



Texto sujeito a alterações porque as palavras, além disso tudo aí em cima, são intervencionistas.




6 de nov. de 2020

ELEIÇÕES NOS ESTADOS UNIDOS: ÚNICA PREOCUPAÇÃO NO BRASIL


Estamos assistindo pela tv às apurações dos votos. Não se fala em outra coisa, adicionando

expectativas, previsões, projeções... Notícias nem do futebol, salvo nos canais especializados, e alguma coisa da pandemia, mais lembrada a de lá, porque o Trump não dá bola.

Poderia ser bem melhor se a gente pudesse pensar, tranquilamente: tanto faz!


Imagem: tri CURIOSO (para quem é curioso, não precisa ser tri,conta a história da escolha do ícone).

https://www.tricurioso.com/2017/12/21/conheca-historia-do-iconico-tio-sam/


4 de nov. de 2020

MILLÔR EM PEDACINHOS - RELAÇÕES DE PODERES (A PROPÓSITO DO "ESTUPRO CULPOSO")


"Todo Estado é administrado por um grupo de criminosos que, ao tomar o Poder, estabelece uma legislação, pondo todos os outros cidadãos mais ou menos fora da lei.

LEGISLAÇÃO. PRINCÍPIOS. 1966".


FONTE: "O livro vermelho dos pensamentos de Millôr", páginas 120 e 128.