28 de mar de 2016

ELIFAS ANDREATO 50 ANOS - EXPOSIÇÃO EM BRASÍLIA ATÉ 3 DE ABRIL



Tivera notícia de Elifas Andreato apenas por um episódio que acho muito interessante da vida de Adoniran Barbosa, ao qual me referi aqui no cadikim: http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2012/02/elifas-eu-sou-esse-palhaco-triste-aqui.html.

Há duas semanas, em Brasília, papeando com minha filha Raïssa, chamou-me para ver a exposição de Elifas, no Museu Nacional dos Correios. Saí de lá maravilhado com a obra do artista, de muita sensibilidade e muita força. Transcrevo o texto "Quando a história chama", de João Rocha Rodrigues, Curador da Mostra, que, como o Convite, integra o álbum que foi distribuído a visitantes:

"É praticamente impossível contar a história do País sem ilustrá-la com a obra de Elifas Andreato. O arco que forma a trajetória do artista acompanha de perto os contornos da história do Brasil nos últimos 50 anos.

Quando a luta contra a ditadura chamou, Elifas abriu mão da estabilidade e do alto salário na Editora Abril para dedicar-se à imprensa alternativa, pintou Vladimir Herzog assassinado, desenhou a caveira de quepe do Livro Negro da Ditadura Militar.

Quando os palcos chamaram, pôs-se ao lado dos grandes atores e diretores de seu tempo para criar cenários e cartazes que, além de representar a obra encenada, colocavam pedras no caminho dos dirigentes de coturno. É o caso do cartaz de Mortos sem Sepultura, de Sartre, no qual Elifas insistiu em desenhar um sujeito pendurado num pau de arara. 'Isso não tem nada a ver com a ocupação nazista na França', bradou o policial que apreendeu os cartazes. 'Pau de arara é coisa nossa.'

Quando a música chamou, emprestou seus traços para embalar obras que sempre considerou maiores que as suas. Abriu fronteiras inexploradas, a tal ponto de imprimir seu nome nas capas - e, por vezes, até invadir com as próprias mãos os discos, como em Martinho da Vida, de Martinho da Vila.

Quando os tempos políticos clarearam, lá estava ele em meio aos comícios das Diretas, desenhando cartazes de alerta contra o avanço da aids, envolvendo-se em temas como direitos das crianças, a luta das mulheres e preconceito racial.

Mais tarde, enveredou por empreitadas editoriais e exposições históricas, frutos de sua crença na reafirmação de nossa identidade a partir da rica produção cultural brasileira. Aposta que logo ganharia reforço em seu precioso Almanaque Brasil, que mês a mês trazia como epígrafe a frase de Câmara Cascudo - depois emprestada pelo governo Lula - de que o melhor do Brasil é o brasileiro.

Esta exposição, que celebra os 50 anos de carreira de Elifas, pretende acompanhar um pouco dessa trajetória, tão rica, diversa e cheia de histórias quanto um almanaque. E ainda em franco desenvolvimento."

Pretendo reproduzir algumas poucas das obras de Elifas, em dias diferentes, como amostra. Mas o que pode vir a ser o máximo é ir ao Museu Correios e ver, de corpo presente. Maravilha!
Ainda há tempo! A exposição, que achei encantadora, estará aberta até o dia 3 de abril, no Museu Correios, em Brasília, no Setor Comercial Sul, Quadra 04, Bloco A, 356. Tel.: (61)3213-5076.
O álbum distribuído é de máximo bom gosto. Cadikim mostra a capa e a contra-capa.

26 de mar de 2016

O POETA WANDER PORTO DÁ O AR DE SUA GRAÇA








QUEIMA LÍNGUA





Ah, dia desses,
Um dia qualquer,
Quem sabe amanhã,
Você vai acordar e saber
O que é a solidão de estar
Comendo um prato de paixão,
Pelando fogo,
Sem o sopro da minha boca,
Sem o talher da minha mão!


Arte: WP.

19 de mar de 2016

LEMA PARA ALGUMAS OBRAS PÚBLICAS: FARE E SFARE, È TUTTO UN LAVORARE!

Em nível pequeno de administração pública de obras, tenho acompanhado o inconformismo de meu genro Beto e de minha filha Ana, em Passa Quatro - MG: um buraco existente em uma rua é "consertado" pela Secretaria Municipal de Obras e, logo logo, apresenta defeito de novo, e é "consertado" novamente. Não é privilégio de Passa Quatro. Aqui em Patos de Minas, há uma obra que não sei se da Prefeitura ou da COPASA (porque envolve rede de água pluvial, parece-me). Nestes últimos doze meses, já vi máquina abrindo valas, fazendo "consertos", fechando, deixando sem cobertura asfáltica (será que já estão sabendo que terão de voltar e reabrir?), voltando, reabrindo, máquinas trabalhando, ruas interditadas ao tráfego de veículos, lama ou poeira conforme chova ou faça sol. Nesta última semana, até ontem, estiveram aqui homens e máquinas, muito barulho da pá carregadeira (com aquele irritante "pi pi pi...") e soquetes barulhentos. Isolamento do tráfego, muita poeira. Ainda não fizeram a cobertura asfáltica. Será que estão planejando voltar para reabrir?

Fez-me lembrar Dona Ephigenia, que volta e meia dizia: "Fare e sfare, è tutto un lavorare", traduzindo como "Fazer e desmanchar, tudo é trabalhar".
Pelo visto, a administração dessa bronca não tem do que reclamar...

17 de mar de 2016

TERIA SIDO MUITO FÁCIL EVITAR

grampo telefônicoNão gostaria de comentar os acontecimentos de ontem. Mas estou na linha do Renato Duque: Considerando coisas que tenho ouvido e visto, "Não pensei que fosse tão difícil ficar calado". Nem vou entrar no mérito. Só na forma de transmissão da mensagem.
Se a Presidente Dilma achasse de bom alvitre que o então futuro Ministro Lula (porque, ainda não havia tomado posse) tivesse o Termo de Posse no bolso, poderia ter evitado toda a celeuma, se tivesse entregado o documento a ele, logo depois da reunião. Estiveram juntos por muito tempo e meu raciocínio impede-me de admitir que, entre tantas mentes brilhantes que pululam (sem trocadilho) nos palácios, uma pelo menos não tivesse pensado em antecipar, de modo que o então futuro ministro fosse para casa com o tal Termo de Posse no Bolso. O assunto teria ficado intra muros e, provavelmente, morreria dentro do bolso de Lula. Mas não: teve de telefonar.
Ora direis: mas o telefone da Presidente não poderia ter sido grampeado. Respondo-lhes: era o de Lula que estava e o grampo grava telefonemas transmitidos e telefonemas recebidos. Elementar, meu caro Watson!
Ora direis, novamente: mas não pode gravar a Presidente. Conto-lhes uma estorinha: no governo FHC, colocaram um grampo no gabinete do Presidente. Foi um Deus-nos-acuda! Varreduras e críticas, revolta, etc. Naquela oportunidade, comentei que, sendo um dos princípios da administração pública o da publicidade, deveria ter, nos telefones da Administração Pública - do Presidente, inclusive, claro! - um grampo geral, com um número que, se fosse discado por qualquer cidadão (ainda não era digitado), permitisse-lhe ouvir tudo o que o Presidente falasse ao telefone. Porque, afinal, usava uma linha paga pelo povo, e que, portanto, só poderia ser usada - exclusivamente - no Serviço Público. Se quisesse conversar amenidades, que usasse telefone próprio, livre de grampo.
Pois bem. Eu não era - nem sou - PT e não estava querendo impor um desconforto ao Presidente, ou ao PSDB. Como, agora, não sou coxinha e não quero impor desconforto a quem quer que seja. Mas continuo achando que tudo o que se referir a serviço público deve ter publicidade acessível a qualquer cidadão. Sei que não é fácil admitir isto. É um dos motivos por que a DEMOCRACIA com maiúsculas é muito difícil. O telefonema da Presidente Dilma tinha conteúdo eminentemente administrativo. Do meu ponto-de-vista, deveria estar sujeito a crivo social (lembrando que não estava grampeado e sim do de Lula).
Ora direis: causaria tumulto! Pode ser. Mas isso seria argumento para que governantes pudessem fazer o que quisessem, esconder seus inconvenientes, para não causar tumulto?
Finalizando: Se o documento mandado a Lula estivesse completo, poderia caracterizar falsidade ideológica, eis que Lula ainda não era Ministro. E não sou obrigado a acreditar que o Termo de Posse apresentado para a mídia pelo Governo seja o mesmo que foi mandado entregar ao então futuro Ministro. Só a publicidade poderia resolver esta questão.

Imagem: Armador.
https://www.armador.com.br/wordpress/juiz-que-autorizou-interceptacoes-telefonicas-indevidamente-responde-por-improbidade-administrativa/

10 de mar de 2016

O FUTEBOL PODERIA ESTAR MELHOR, SE JUIZ MOSTRASSE AUTORIDADE. MAS TERIA DE SER DURANTE O JOGO INTEIRO E EM TODOS OS JOGOS.

Árbitros foram orientados a distribuir cartões amarelos para os reclamões (Foto: Ilustrativa)Ontem, pela TV, assisti ao jogo Palmeiras x Nacional do Uruguai. Vi, em mais de uma oportunidade, o juiz mostrando quem é quem, punindo intromissões de jogadores na atividade que é privativa dele.
Primeiro, foi quando Gabriel Jesus fez uma falta pesada em um adversário. Um zagueiro do Nacional - no frequente uso (abuso) de corpo avantajado - partiu para cima do Gabriel. Foi a conta de o juiz intrometer-se, já com o cartão amarelo levantado. Correto! Quem adverte jogador é o juiz - e tem de fazê-lo - e não o adversário. Depois, quando da expulsão de um uruguaio, que saía devagar - como costumam fazer todos os que querem retardar o jogo - um palmeirense foi "ajudá-lo" a sair rapidinho. Voltou o árbitro a aplicar o amarelo, agora no palmeirense metido a juiz.
Para mim, foi um aspecto muito positivo da arbitragem. Há tempos, em um jogo de futsal (ainda era futebol de salão), em organização militar, um sargento apitava uma partida com as duas equipes formadas por oficiais. Naquela palestrinha que costumava anteceder os jogos, o sargento árbitro foi claro e incisivo: "os senhores jogam, eu apito!". É como deveria ser sempre, sem importar categoria de clube e de atleta. Valando para todo mundo.
Infelizmente, o juiz lá de cima acabou por desagradar-me. Ocorreram ações de jogadores do Nacional que mereceriam cartão amarelo. Mas o atleta já estava amarelado. Se repetisse, seria seguido do vermelho. Puxa vida, sô! Expulsar até ter de encerrar a partida? O que é que a Conmebol vai dizer?
Eu "cá consigo" (como dizia um tabaréu passaquatrense) acho que a violência e a indisciplina no futebol só irão terminar quando começarem a ocorrer encerramentos de partidas por número insuficiente de jogadores. E, claro, com a certeza de que seria para valer, em todos os jogos, como regra fundamental.
A impunidade campeia também nos campos de futebol e estimula jogadores indisciplinados e violentos, bem como os que retardam partida, muitas vezes orientados por suas comissões técnicas.
Acho, sim, que o futebol poderia estar melhor. Mas é preciso rigor na exigência do cumprimento das regras.

Imagem: folhaZ
http://folhaz.com.br/opniao/jogo-limpo-com-rodrigo-czepak-112/img-357555-cartao-amarelo/

9 de mar de 2016

MILLÔR SEMPRE ESTÁ VIVO: "ESSE GOVERNO NÃO SABE..."


25/05/2016: EDIÇÃO AO FINAL.
Parece que Millôr está vivo! Acaba estando, uai! Pinço no livro "O Mundo Visto Daqui", desenho do craque, nos registros de 1980:





PELO ANDAR DA CARRUAGEM, E PELAS NOVAS AÇÕES, ESTE TAMBÉM NÃO SABE (OU NÃO CONSEGUE IR PARA ONDE QUERIA) E VAI DEVAGAR.
FONTE:




7 de mar de 2016

MILLÔR SEMPRE...

Costumo perseguir ideias de Millôr. Encontro em "O MUNDO VISTO DAQUI (PRAÇA GENERAL OSÓRIO)", 1980 - 1983 - livro que comprei na Feira de Livros de São Fidélis-RJ, na Semana Cultural 2015:




"Pra frente, Brasil!





(Apontamentos 1981).

Costumes locais

Amigo nosso, brasiliense, foi abordado na rua por um garotinho de uns 8 anos: 'Desculpa, moço', disse o garotinho, 'eu queria comprar uma roupa de futebol e uma bola. Tem uma loja por aqui?' 'Tem sim', informou o nosso amigo, 'mas na outra quadra tem uma que vende muito mais barato. Essa daqui é muito cheia de luxo.' 'Não faz mal, não', responde o menino, 'eu sou o tesoureiro do clube'.".

O texto remete-me a uma postagem aqui no cadikim, "Vocação Precoce", que poderá ser vista em (http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2013/02/vocacao-precoce.html).


6 de mar de 2016

O POETA WANDER PORTO DÁ O AR DE SUA GRAÇA



LEGADO, POR DIREITO



A noite pagã
É fêmea parda,
De boca aleijã
E acre saliva,
De sede terçã,
E leoparda gula:

Impessoal e vasta,
Devassa,
Devasta,
Com olhos de faca
E desejos de casta,
A minha alma nua
De carnes rudes
E perene cio;

E,
filhadaputamente,
Lega-me,
Espólio do instante,
Uma gleba de vazio.

Wander Porto
Arte: WP.