24 de mar de 2013

EU POSSO GOSTAR...



Minha mulher tem características que só vi nela. Observo algumas que acho interessantes, ela não concorda, leva mais como se fosse crítica.
Primeiro: minha mulher é gulosa. Como a maioria das pessoas. Mas os cuidados alimentares que tem para comigo (bastante elásticos) são muito mais rigorosos para consigo mesma. Lembro-me de que, há muitos anos, eu estava saindo para comprar alguma coisa e ela pediu: "traz uma coca cola". Assustei-me, porque não era hábito: "coca colca"?!!! Resposta: "Sim. Eu também sou humana!". Raramente come doces; raramente come gorduras. Quando come, cai matando. Repito: muito raro! Mantém uma forma invejável.
Segundo: minha mulher é preguiçosa. Mas trabalha como uma condenada. Sempre chega ao local de trabalho antes das sete da manhã. Muitas vezes, entre seis e seis e meia. No entanto, sempre que pode, curte uma preguiça. Preguiça, mesmo.
Terceiro: minha mulher tem características consumistas. Com duas vertentes: é capaz de comprar em uma loja chique como em um varejão. Sempre encontra uma coisa interessante em varejão. Além disto, não admite pagar caro por um produto que possa encontrar por preço menor, e que lhe possa ser tão útil quanto outro caro, mesmo que não tenha o mesmo chiquê. Disse muitas vezes, diante de um vestido que achou caro: "por esse preço, compro três muito bons". Compra, sim.
Não é crítica negativa, claro. São observações, com experiência de vida (muita, penso).
Quando jovem, no quartel, o tenente Domingos relatava para jovens recrutas a saga de um general que tremeu em campo de batalha. Medo de verdade. Imediatamente empertigou-se e bradou:
- Treme, caracaça! Você tremeria muito mais se soubesse para onde vou levá-la agora. E encaminhou-se para o ponto mais violento da batalha.
Hoje, chamamos a isto superar limites. Penso que também é superar limites desejar coisas mas controlar-se segundo interesses diversos ou princípios de vida saudável.
Ontem, entramos em uma loja de calçados - sempre os calçados e as bolsas - e minha mulher examinou um sapato que estava na vitrine e de que gostara. A atendente perguntou se queria experimentar - sempre as tentativas de venda, senão não acontece. Minha mulher disse que só estava olhando - como as pessoas só olham! Andamos pelo shopping e acabamos voltando à loja de calçados. Minha mulher resolvera experimentar. Procurou pela mesma moça que iniciara o atendimento, e que estava empenhada em buscar mercadoria para mostar a outra pessoa. Ficamos esperando e minha mulher ficou um pouco inquieta. Disse-lhe, então, que ficasse olhando outros sapatos, até que a moça pudesse atendê-la. Respondeu de bate-pronto:
- Não! Eu posso gostar.

Foto: OLX.
http://suzano.olx.com.br/vendo-ponto-comercial-loja-de-calcados-feminino-iid-390506569
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