7 de mar de 2013

COMUNICAÇÃO É BARRA!





Deu-se que um inglês veio passar carnaval no Rio de Janeiro (antigamente, muitos cronistas iniciavam seus causos por esse "deu-se que..."; acho bacaninha). Chegou ao Rio, curtiu o carnaval, achou tudo lindo mas não entendeu uma palavra do que falavam com ele. Decidiu que voltaria, mas só quando soubesse falar e entender o português. Estudou e estudou. Leu literatura em português - brasileira e de além-mar. Estudou letras de sambas, desde Noel Rosa até Michel Teló, Luan e companhia. Achou que estava craque, reservou hotel e comprou passagens. Tudo escrito no português mais castiço.
Sobrevoando a cidade, reviu, com encantamento, a Baía da Guanabara. Lembrou-se de Tom Jobim e emocionou-se.
Desceu no Galeão. Tomou um táxi e recomendou ao motorista, sempre usando aquele português dos privilegiados:
- Por favor, leve-me ao Copacabana Palace.
No trajeto, solicitou:
- Por favor, pare naquela cafeteria ali, para que eu possa tomar um café.
Desceu e adentrou a cafeteria (considerando o português que o inglês falava, não me sentiria bem se dissesse, simplesmente, que entrou).
Quando - ainda muito bem falante - solicitou um café, a atendente perguntou se poderia esperar só um pouquinho, porque havia dado defeito na máquina de café e dois especialistas estavam acabando de reparar, já em experiência.
Aquiesceu. Ficou por ali, perto dos consertadores da máquina, prestando atenção. Foi quando um deles disse ao outro:
- Pó pô pó?
Ao que o outro respondeu:
- Pó pô.
Imediatamente, o pó foi colocado.
O inglês voltou ao táxi e recomendou ao taxista:
- Leve-me de volta ao aeroporto, please.

Foto: CPT - Centro de Produções Técnicas.
http://www.cpt.com.br/artigos/como-montar-uma-cafeteria