21 de mar de 2013

SELEÇÃO BRASILEIRA E ADJACÊNCIAS

Seleção de 1962
Daqui a pouco, estaremos vendo Brasil x Itália, na Suíssa. Antes, a gente pôde assistir a informações e discussões pelo SporTV. Ouvi (vendo, claro) Felipão falando que precisamos angariar a confiança do torcedor e que isto só se consegue com vitórias. Perder a confiança - penso - foi desde que terminou a Copa de 2010. Primeiro, porque, segundo entendi, havia necessidade de maltratar o Dunga - e como maltrataram! Os jogadores daquela seleção foram na onda e surgiu uma seleção nova. Que já não é tanto, o que me leva a pensar que muito tempo foi perdido, para fazer o povo acreditar que tudo tinha de ser renovado. Parece que não deu certo, se pensarmos que a seleção não enfrentou adversários de grande porte e não conseguiu resultados consagradores.
De Mauro Silva, tetra campeão em 1994, ouvi que será bom para Neymar ir para a Europa, após a copa de 2014. Argumentou que se deu bem, indo para lá dois anos antes da copa de 1994, porque ali conheceu outros times, técnicos, árbitros, etc. e que isto foi importantíssimo como experiência para a copa. Disse, também, que em treze anos na Europa teve apenas quatro técnicos. Pode ser que seu desenvolvimento tenha sido resultado disto, em grande parte, pelo menos.
O ítalo brasileiro Claudio Carsughi, comentarista habitual no Arena SporTV, pensa um pouco diferente. Acha que se Neymar for para o Barcelona, será Bola de Ouro. Mas pensa que sofrerá muitas pressões, porque todos estarão querendo que faça chover em todos os jogos. Diz que Neymar está bem no Brasil e que, se jogar mal uma ou duas (ou mais, até) partidas, manterá seu prestígio.
Já postei no cadikim que Neymar só será o melhor jogador do mundo quando for o melhor jogador do mundo. Está em http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2012/12/entao-magica-de-neymar-tera-de-ser.html - "Então, a mágica de Neymar terá de ser jogar na Europa?".
Lamentavelmente, não penso como Mauro Silva - embora respeite. É claro que conta experiência conhecer muitos jogadores bons e muitas equipes boas. Mas lembro - como lembrei no texto citado - que Pelé nunca jogou na Europa e não foi Bola de Ouro. Foi o atleta do século. Quanto a Garrincha, não conheceu bons jogadores europeus. Melhor: nem tomou conhecimento deles.
Penso que devemos nos colocar em devido lugar. O brasileiro não deve ser abutre de si mesmo (http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2013/02/nelson-rodrigus-titulos-e-excertos.html), por falta de auto estima, como o dramaturgo afirmava. Mas não podemos pensar, eternamente, que somos os maiores. Neymar não tem a entourage que Pelé teve. O Santos de 1962 tinha sete jogadores na seleção, quatro titulares (Gilmar, Mauro, Zito e Pelé) e três reservas (Mengalvio, Coutinho e Pepe). Pelé jogava entre craques, na Seleção e no Santos. Neymar não tem este privilégio. A queda de prestígio do futebol brasileiro não se deve a carência de craques. Deve-se, principalmente, a uma administração deficiente (a degola de Dunga - não sou "viúva" dele - acompanhada da proscrição dos jogadores de 2010, e agora, o reconhecimento de que os jovens precisam de alguem experiente a seu lado, e por isto reconduzem alguns proscritos, são imagens disto). Zagallo falou, há poucos dias, uma coisa que falo há muito tempo: quando Pelé chegou à seleção, encontrou Gilmar, Bellini, Mauro, Nilton Santos, Zito, e o próprio Zagallo. Neymar não encontrou esse peso e esses modelos em quem se espelhar. No Santos, Neymar surgiu sendo a referência. Na seleção, iniciou assim. Não conseguiu manter a mesma imagem. Neymar não joga no Santos de Pelé. Nem na seleção.
Penso que até poderemos ganhar a copa de 2014. Mas isto não será um retrato fidelíssimo do futebol brasileiro. A administração mudará nada, principalmente se ganharmos.

Foto: Futebol & Cia Ltda
http://www.futebolecialtda.com.br/2012/06/tunel-do-tempo-meio-seculo-de.html
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