1 de set de 2014

O "VEM PRA URNA" TESTEMUNHAL SOA-ME COMO ENGANOSO. PREFIRO O VOTO BRANCO.


Em minha opinião, a propaganda "vem pra urna", do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem conteúdo enganoso. Penso que esse tipo de conteúdo, em qualquer propaganda, pode ser medido pela relação entre a "promessa/benefício" e a garantia de cumprimento da mesma, bem como pela precisão dos conceitos emitidos na mensagem. Não vejo garantia que TSE possa dar, efetivamente, dos benefícios que promete. Quanto à precisão dos conceitos emitidos, vejo um que considero inverdade e dois que considero verdades cruéis. Analisemos os textos da campanha "vem pra urna", da qual transcrevo uma mensagem recitada por Daniela Mercury e outra por Bell Marques, do "Chiclete com Banana".

Daniela:

"Está chegando a hora mais importante da vida dos brasileiros. As eleições. É a hora da nossa voz ser ouvida. Não deixe ela passar. É só dia 5 de outubro. Vamos fazer valer o nosso direito. É a nossa chance de votar. Foi pra rua?  Vem pra urna escolher o futuro do Brasil. Vem!".
Outra voz diz: "Seu voto vale o Brasil inteiro.". Tudo com assinatura do TSE - JUSTIÇA ELEITORAL.

Bell:

"Está chegando a hora mais importante da vida dos brasileiros. As eleições. É a hora de decidirmos o destino do nosso país. Não deixe ela passar. É só dia 5 de outubro. É a sua chance de votar. Exerça seu maior direito como cidadão. Vote! Vem pra urna escolher o futuro do Brasil. Vamos embora!"

Outra voz diz: "Seu voto vale o Brasil inteiro.". Tudo com assinatura do TSE - JUSTIÇA ELEITORAL.

Não concordo com o primeiro conceito. As eleições não são "a hora mais importante" da minha vida. As horas mais importantes da minha vida seriam aquelas em que pudesse desfrutar de paz e tranquilidade, sem sobressaltos de crise (conheci a inflação, viu?); aquelas em que recebesse serviços públicos de qualidade; aquelas em que pudesse passear tranquilamente pelas madrugadas (ou mesmo durante o dia), sem me preocupar com o risco de ser assaltado, ou de assistir a um tiroteio, bem perto de mim; aquelas em que pudesse estar a salvo dos riscos excepcionais no trânsito... E coisas que tais.
Também não admito que votar seja o maior direito do cidadão. Cumprindo obrigações de pagar impostos, penso que o maior direito do cidadão é receber, do governo, a contrapartida  de sua obrigação, sempre com honestidade e eficiência (ah! a Constituição...) ou seja, todas aquelas ações que governos sucessivos vivem prometendo, há décadas.
Vamos fazer valer o nosso direito? Como? Só o direito de votar? Ora!...
Nem vejo eleição como hora de decidir o destino de meu país. Não somos nós - eleitores - os que decidem o destino do "nosso" país. Fosse assim, e estaria, aos 75 anos, absolutamente arrependido de ter decidido por tudo o que está acontecendo: violência incontrolada; um trânsito cada vez mais caótico; além daquilo tudo que vejo pela TV, como corrupção, desvios de dinheiro público, desperdício, saúde pública com muitos problemas graves, educação idem... Tudo o que todo mundo vê no noticiários. Poderia dizer que, por ter votado em branco estou fora?
Também não decido o futuro do Brasil. Se não tivesse votado em branco, durante toda a minha vida - não é de hoje que os políticos se desmentem, reiteradamente - estaria inconsolável. Nunca desejei o estado de coisas que vejo, nem muita coisa que vi.
Nem posso concordar com que o momento das eleições seja a hora de ser ouvida a voz do povo. Toda hora é hora. Para exemplificar: após as manifestações de junho do ano passado, a Presidente da República enviou ao Congresso uma proposta para plebiscito. Dos cinco itens que listou, para consulta popular, nem um estava nos cartazes conduzidos pelos manifestantes. O cadikim comentou:

http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2013/07/estas-brincando-excelencia.html

Quanto ao conceito "é só no dia 5 de outubro", penso que é verdadeiro, mas cruel (se não tiver conteúdo subliminar, induzindo a ideia de turno único). Realmente, é só no dia 5 de outubro que os políticos quererão saber o que o povo deseja. Depois... Isto, há várias gerações de políticos.
Também não acredito que estaremos escolhendo o futuro do Brasil, votando em alguém, porque vai mudar nada, em termos conceituais. Mesmo sendo um votante em branco contumaz, admito que precisamos de gestores públicos que, no sistema democrático, são eleitos. Se são bons ou maus, é outra questão. Temos de ter. Só penso que um número considerável de votos brancos (prefiro os brancos), ou nulos, ou abstenções, poderá assustar os políticos e chamá-los a uma reflexão saudável. Se não tivessem horror a esses tipos de voto ou de abstenção, o TSE não precisaria gastar dinheiro público, convocando testemunhas, mediante paga, presumo, para vir a público dizer o que aquele Tribunal pensa.
Finalizo com o último conceito, este que considero verdadeiro, mas cruel, declamado por outra pessoa, ao final da fala dos artistas, na peça publicitária, com assinatura do TSE: "Seu voto vale o Brasil inteiro".
Vale o Brasil inteiro para quem? Porque, pelo que tenho visto em noticiários de investigações, e até em decisões judiciais, há gestores públicos eleitos achando que o Brasil é para eles.

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