12 de jul de 2015

QUANDO A MÁGICA É BOA

A gente pode colher flores muito bonitas no meio do mato. A gente pode sentir como amigas pessoas que nem conhece. A rede permite que nos cheguem, através de amigos, a gente nem sabendo bem como.
Aconteceu de meu amigão Marcos Rassi postar algo no feice, com a observação "É isso, Gavião", seguido de "Seu Ribeiro". Na pressa da leitura, não me escapou a sensibilidade da coisa. Amigo do Gavião, não sabia do "Seu Ribeiro". Respondi ao Marcos Rassi que achava que o Gavião não se importaria se trouxesse o texto para cá. Achei que pertencia ao Gavião. No entanto, o texto é do Seu Ribeiro, que pelo visto, não cuida de exclusividade. Cuidou foi postar, in box, liberando-o, sem conhecer-me:
"Olá, Marco Antônio! Pode enviar o texto do Cego e o violeiro na rodoviária para o seu blog, sim! Não comentei lá pois não tenho permissão para fazê-lo! Se divulgar no blog, gentileza me passa o endereço do mesmo! Fraterno abraço".
Pois é, Seu Ribeiro, sensibilidade não carece de autorização, mesmo porque pode ser proibida a reprodução de uma obra de arte, mas ninguém pode impedir alguém de senti-la. Você mostrou sua generosidade, mesmo sem me conhecer. Vai aí, então, a sua estória, que me emocionou muito:

"Comprei a passagem na Rodoviária de BH e me sentei no salão de espera, pois o ônibus só sairia quarenta minutos depois! Enquanto aguardava os minutos finais para descer até a plataforma de embarque, reparei que todas as pessoas sentadas naquelas cadeiras próximas a mim estavam conectadas a internet, com seus olhos e dedos presos aos celulares, menos um senhor de idade que era cego e eu. Meio incomodado com aquele silêncio todo, que nunca existiria na rodoviária, tirei meu violão da capa e comecei a pontear uma de minhas músicas e, enquanto tocava, notei que quase todos os celulares estavam virados para mim. Alguns tiravam fotos e outros me filmavam. Terminei a cantiga e guardei calmamente meu violão enquanto os olhares e dedos se voltavam velozes para seus aparelhos - ninguém falou comigo. Minutos depois, levantei-me para ir para a plataforma de embarque quando, de repente uma criança me puxou e me deu uma nota de R$20,00 e disse: 'Meu vô pediu para te entregar'. Recebi o dinheiro e perguntei a ela como era o nome dele e ela disse Nicodemos. Tirei um CD que estava no bolso da capa do violão, dediquei ao Cego Nicodemos, pedi a ela para entregá-lo e desci correndo as escadas rumo ao embarque, pensando com meus botões: 'Como ele adivinhou que eu estava cantando pra ele?!' ".

Imagem (foto de Ismael Vilaça): Senhores de Engenhos.
http://senhoresdeengenhos.blogspot.com.br/p/seu-ribeiro.html