7 de nov de 2015

A TERCEIRA BRONCA COM LULA

Logo no início do primeiro governo Lula, conversava com um amigo, Presidente de um Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores. Disse-lhe, então, que tinha duas broncas com Lula e com o partido. Primeiro, não concordava com a intervenção de Lula, buscando "convencer" o povo de Ribeirão Preto de que Palocci era mais importante em Brasília do que na Prefeitura daquela cidade paulista. Minha discordância emanava de dois pontos: se o povo votara em Palocci para Prefeito, fora para cumprir um mandato, e não para que impingisse a seus eleitores um Vice-prefeito, substituto natural. Não se sabia - e não se sabe - se o povo teria elegido Palocci, se conhecesse a intenção de cumprimento parcial do mandato e abandono do cargo para alçar voo a Brasília. De um certo modo, aquele ato de Lula, com o beneplácito de Palocci, óbvio, tornou prefeito um vice que para isto havia sido eleito. Ponderei, também, que não podia admitir que o PT, Lula e a base aliada não dispusessem de outro nome para o Ministério. Provou-se, exatamente, que tinham, quando circunstâncias desfavoráveis levaram Palocci Ministério afora. Foi substituído e o Governo seguiu sem percalços.
A segunda bronca que revelei a meu amigo petista: não podia concordar com as atitudes de Lula e do Partido dos Trabalhadores, de descapetizar muitas das pessoas que andaram endemoninhando durante vinte anos.
Foi quando meu amigo argumentou:
- Tem a questão da governabilidade.
Rebati, de sem-pulo:
- Governabilidade a qualquer custo gera desgoverno.
Temos atravessado tempos de desgoverno, desde antes do primeiro mandato Dilma, já que o atropelo do "mensalão" já existia e estava em julgamento. Não raro, emergia a cobiça de aliados por cargos, sempre negociando apoio. Tenho como e por que pensar que a tal "governabilidade a qualquer custo" estava por trás desses episódios de desgoverno, sendo certo que petistas importantes e membros da base aliada estavam envolvidos no "mensalão". Ocupantes de cargos, desde então, seguem enrolados, agora com outros problemas.
Não sei o que meu amigo acha das ações dos governos do PT, com a base aliada, merecedores de críticas desfavoráveis. Não me irão satisfazer os argumentos de que outros governos, outros políticos procederam da mesma forma. Não duvido. Só que Lula e seu partido prometiam, exatamente, acabar com as mazelas de seus antecessores, aqueles que andaram endemoninhando. Descapetizados que foram, podem ter influenciado os ânimos dos promitentes bons governantes, fazendo-os cair em tentação, podendo até ter contribuído com algum empurrãozinho e até transmissão de tecnologia. Só que os pecados dos predecessores não autorizam a remissão dos pecados petistas e aliados.
Ah! E a terceira bronca?
Deu-se que assisti a declarações do então Presidente Lula, tentando explicar mudanças de conceitos políticos, conforme estivesse na oposição ou no governo. Ouvi-o dizer:
-"Eu prefiro ser considerado uma metamorfose ambulante!"
Isto poderá ter agradado àquela parcela do nosso povo, muito sensível a frases de efeito - matéria em que Lula é especialista. Principalmente parodiando um artista muito querido.
A mim, teria agradado se tivesse dito que ponderara, estudara, reavaliara condições e resultados, ouvira especialistas,... coisas assim.
Do que disse, constrangeu-me muito constatar que estava sendo governado por um Raul Seixas cover. Artista por artista, sou muito mais o Raulzito!


Imagem: Youtube.
https://www.youtube.com/watch?v=gmuqHrhR0m8