17 de nov de 2016

"...É UM ATENTADO CONTRA A DEMOCRACIA!"

Momento em que o grupo tomou o entorno da mesa de onde os membros da Mesa Diretora comandam os trabalhos"Isto não é uma manifestação! É um atentado à Democracia!".
Acordei ouvindo esta expressão. Era a Deputada Federal Jô Moraes. Referia-se à forma pela qual integrantes de um movimento invadiram o plenário da Câmara dos Deputados, condenando veemente, e recomendando punição - quase exigindo.  Ação que foi reprimida, com prisões e estimativas de que alguns dos manifestantes poderão ser enquadrados na quase esquecida Lei de Segurança Nacional.
No mesmo instante em que ouvi a repulsa da parlamentar a uma manifestação abusiva, o noticiário passou a abordar a "Operação Calicut" (ou Calicute), deflagrada pela Polícia Federal, para cumprir ordens judiciais de prisões preventivas, de prisões temporárias e de conduções coercitivas, envolvendo, entre outros, Sérgio Cabral, o ex-Governador do Rio de Janeiro, ele agraciado com dois mandados de preventiva, um de Curitiba outro do Rio de Janeiro. A notícia é de superfaturamento e propinas em obras no Rio de Janeiro, inclusive na obra de reforma do Maracanã. Da ordem de mais de cento e vinte milhões. Com uma peça quase folclórica, de dação, como presente, de um anel com valor de cerca de oitocentos mil reais e posterior devolução pelo marido da presenteada, depois que o doador se viu envolvido em denúncias.
O que eu gostaria, mesmo, era de ver a mesma repulsa de parlamentares, com a mesma veemência, a tantos outros atentados à Democracia, ora em evidência nacional, em face de investigações que já extrapolam a 13ª Vara Federal de Curitiba, à qual se acopla, na Operação Calicut, a 7ª Vara Federal do Rio de janeiro.
Gostaria, mesmo, de ver é a mesma repulsa desses parlamentares à indecorosa proposta de anistia a quem tiver praticado "caixa 2". Anistia que insistem em colocar em um projeto, mesmo sem saber a quem exatamente se dirige esse perdão preventivo. É perdoar antes do pecado, antes que se saiba quem são os pecadores.
Imaginarão esses políticos uma sociedade composta exclusivamente por carneiros? Do mesmo jeito que muitos - mas muitos políticos, mesmo - exorbitam em suas ações, de modo criminoso, será prudente imaginar que alguma parcela da sociedade poderá fazer o mesmo, de forma diversa. Não será a primeira vez. Nem é o caso de aprovar, ou e estimular a violência. Apenas, comparativamente, é estimar que esses políticos estão praticando a mesma violência (violência branca porque usam a força dos cargos) contra as instituições. Em flagrante subversão da ordem pública (já que se fala em Lei de Segurança Nacional, como se só interessassem à segurança os atos de violência explícita), posto que usam a força de um poder que ao Povo pertence ("todo poder emana do povo ..." - Constituição Federal, art. 1º, Parágrafo único), ou seja, avocam um poder que apenas representam para se auto perdoarem. Querem porque querem a tal "anistia do caixa 2". Verdadeiro ato de lesa-majestade (Majestade é o Povo).
Se acredito que esses muitos políticos que se diz estarem mencionados em delações tenham algum grau de culpa? Claro que acredito! E, para crer, não me preciso reportar ao noticiário da imprensa, prisões, devoluções de valores, confissões premiadas, leniência... Basta-me, para crer, o denodo com que os políticos lançam-se a promover o perdão dos envolvidos em "caixa 2". Não houvesse culpados, nem estariam falando nisto.
Aproveito para fazer um paralelo entre esses políticos que praticaram atentados contra a Democracia, mediante ações de corrupção e coisas que tais, e os cidadãos que, em face de suas posições políticas, eram acusados de atentados contra a Democracia e procurados para serem presos, durante o período de ditadura, com ênfase na fase do movimento de 64: esses tinham de esconder-se atrás de um codinome, disfarces (até cirurgia plástica), mudar de residência com afastamento da família, mudar de atividade, mudar de país... Os primeiros - que detêm cargos ou são a eles ligados por laços políticos - escondem-se atrás de uma lei de anistia, que eles mesmos pretendem aprovar.
É o próprio resgate da frase lançada por Samuel Johnson (Inglaterra, Séc. XVIII), motivada pelo fato de que o partido "Os Patriotas", no qual apostara suas preferências políticas, estava sendo minado pela presença de oportunistas em suas fileiras, cada vez em maior número :


"O patriotismo é o último refúgio dos canalhas."

Pois não é que, em geral, os políticos alardeiam que tudo fazem pela Pátria. Isto é que é auto-ajuda!

Imagem: ÚLTIMO SEGUNDO.
http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2016-11-16/camara-deputados-plenario-manifestacao.html

Postar um comentário