4 de fev de 2018

NESTE MUNDO CHEIO DE POPULISMO... PRECISAVA DIVULGAR QUE FICOU SEM A APOSENTADORIA?

A ordem é marketin a qualquer custo. Do ridículo, inclusive.
Pois não é que o presidente da República ficou sem seus proventos porque não fez a tal "prova de vida" - uma coisa simples que se faz apenas uma vez por ano?
Primeiro, não consigo crer que um presidente da República não tenha um servidor qualquer a organizar sua agenda. Nem sei se precisaria mesmo ir ao banco, porque atualmente é possível mostrar a própria imagem em tempo real. Não sei se a burocracia já foi vencida.
Normalmente, as pessoas não alardeiam as suas falhas. É muito mais frequente ficarem caladinhas. Ah! Mas o presidente tinha de alardear. Afinal, dava dois recados: o primeiro é de que a previdência está organizada (o que não é muito fácil de crer, em face de notícias de desvios de dinheiro, maus negócios atuariais...); o segundo é no sentido de que o presidente da República é um cidadão como qualquer outro. Se não cumprir o dever da "prova de vida", fica sem o tutu.
Esse segundo recado fez-me lembrar uma anedota daquelas do tempo da ditadura: dizia que o presidente da República foi ao caixa do banco para receber seu PASEP. Ao vê-lo, o gerente descabelou-se! Chegou-se a ele e disse: presidente, o senhor não pode ficar na fila! O presidente, com delicadeza, disse que se estava comportando como qualquer cidadão, que era como deveria ser. Iria enfrentar a fila. O gerente: presidente, se um inspetor do banco passar por aqui, estarei frito! Presidente: não se preocupe, falarei com ele da sua solicitude.
O presidente ficou na fila e o gerente, de sua mesa, observando. Viu que deu um probleminha e foi ao caixa. O presidente havia esquecido o documento de identidade. Disse que voltaria mais tarde ao banco, com o documento. O gerente insistiu: nós todos o conhecemos, presidente! Tem até o retrato do senhor aqui no banco. O presidente estava inflexível: iria retornar com o documento. O gerente insistiu: presidente, acontece de pessoas muito conhecidas (as tais famosas) chegarem aqui sem documento de identidade. Pedimos que faça alguma coisa através da qual mais de três pessoas pudessem reconhecê-las. Exemplificou: chegou um cabeludo aqui, querendo sacar, e disse que era o Roberto Carlos, sem documento. Pediram-lhe, então, para fazer alguma coisa que pudesse identificá-lo. Não se fez de rogado: com aquele gesto de pegar no microfone, disse: "são tantas emoções". Pronto: pagaram. Esteve aqui um cidadão preto, muito forte, também querendo sacar, e, no que viu que esquecera de trazer documento, disse que era Edson Arantes do Nascimento - o Pelé. O gerente mandou buscar uma bola, entregou-a ao cliente e pediu que fizesse alguma coisa com ela. Foi o bastante para o cara fazer embaixadas, controle de bola com a cabeça, acabando por, com um chute leve, lançar o caroço em uma cesta de lixo. Reconhecido, fez o seu saque. Foi nesse ponto que o gerente falou: presidente, faça para nós alguma coisa através da qual possamos identificá-lo como presidente da República. O presidente ficou pensando, pensando, pensando,... uns quinze minutos. O gerente virou para o caixa e ordenou: é ele mesmo! Pode pagar!
















Imagem: Folha Rondoniense.
http://www.folharondoniense.com.br/noticias/clientes-que-ficarem-mais-de-30-minutos-em-fila-de-banco-de-rondonia-podem-ser-indenizados/
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