31 de dez de 2013

NO EMBALO DA ESPERANÇA

AMANHÃ HÁ DE SER OUTRO DIA...  OU 
AMANHÃ SERÁ UM LINDO DIA...
A primeira afirmação, é de Chico Buarque, em “Apesar de Você”; a segunda é de Guilherme Arantes, em “Amanhã”.
Esperança
O INSETO ESPERANÇA
Mesmo sabendo que esse "amanhã" pareça referir-se ao futuro, não me empolgam, apesar de os compositores agradarem-me muito.
A gente passa o dia 31 de dezembro na esperança de que o dia 1º de janeiro mude tudo.
Então, vamos lá:
a partir de amanhã, não haverá mais drogas, violência, arrastões, homicídios, assaltos, roubos...
a partir de amanhã, não haverá mais corrupção e todos os agentes públicos, que alguma vez se tenham desviado, e aqueles que "não tiveram oportunidade ainda" mas almejam algum cargo eletivo, terão aprendido a lição inflingida àqueles que se acostumou denominar “mensaleiros”...
a partir de amanhã, aqueles que se acostumou chamar de "mensaleiros" irão refletir sobre tudo o que aconteceu e...
a partir de amanhã, os hospitais públicos oferecerão atendimento segundo as necessidades dos cidadãos...
a partir de amanhã, a polícia preventiva estará nas ruas, buscando oferecer tranquilidade aos cidadãos...
a partir de amanhã, o trânsito de pessoas e veículos estará organizado e, ainda que persistindo congestionamentos, os grandes acidentes serão só uma lembrança amarga...
a partir de amanhã, os estádios de futebol não serão mais do que apenas uma praça de lazer...
a partir de amanhã, a escola voltará a ser risonha e franca...
a partir de amanhã não haverá mais fome...
Não me iludo. Nossas dificuldades não serão resolvidas da noite para o dia, como vários candidatos a cargos públicos apregoam.
As grandes transformações são lentas. Não foi da noite para o dia que nosso ambiente social deteriorou-se. E não será da noite para o dia que conseguiremos aperfeiçoar nossos modos de ser.

Sem querer deitar ideias religiosas, prefiro muito mais um Deus que me programe idas e vindas sucessivas, até que fique bem comportadinho, do que um outro Deus – que não vejo amoldar-se ao perfil com que várias religiões o traçam, de bom e misericordioso – o qual me condene a ferver por toda a eternidade nas caldeiras do Pedro Botelho, que é como meu pai se referia ao Demônio.

Foto: TREKNATURE
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