25 de abr de 2014

O TERRORISMO DAS ESTATÍSTICAS

Temos tido nossa vida pautada pelas estatísticas: n% dos acidentes ocorrem assim; y% dos casos de tal doença ocorre com as pessoas que fazem sei-lá-o-que; z% dos homens tem comportamento assim ou assado; intenções de voto... montão de coisas.
Sempre desconfiei, principalmente por não explicarem para nós como são feitas as pesquisas. Quando saiu aquele percentual de homens que acham que tal tipo de mulher "merece ser estuprada", tive vontade de emitir opinião. Desisti por causa da grita revoltada de minhas amigas, de minha filha mais nova, todas revoltadas com os homens. Depois deu naquilo: o percentual não era aquele anunciado mas um outro muito menor. Não me importa o índice. Um só homem pensar que possa ocorrer de uma mulher "merecer ser estuprada" é o bastante para, no mínimo, discordar do solitário "monstro" e abrir campanha contra o indivíduo, ainda que o mesmo não tenha a mínima capacidade formadora de opinião.
Em alguns casos, já pensava que o próprio governo induz determinados resultados de pesquisa, com o objetivo de gerar polêmica e até revolta, a fim de desviar as atenções da sociedade dos fatos negativos que o nosso dia-a-dia nos mostra, pela manhã, à tarde e à noite. Deve ser cisma do blogueiro, ora. Ninguém é tão mau e maldoso que queira enganar tanto o povo.
Agora, a revista Veja (23/04/2014), páginas 52/55 vem falar-me de "O GOLPE DA PESQUISA". A ideia que passa é de manipulação de pesquisas, para atender a interesses do governo.  Se for mentira, é lá da Veja.
O assunto serviu-me para dizer o que pretendia, a respeito do tipo de mulher que "merece ser estuprada". O que li, quando do barulhão, foi que a mulher que se veste (ou se despe) de determinada maneira "merece ser estuprada". Se a resposta à pesquisa era essa, penso que só pode ser porque a pergunta fora feita mais ou menos assim: "a mulher que se veste (ou se despe) assim ou assado merece ser estuprada?". Pelo que conheço de pesquisas, as alternativas de resposta não podem ser muitas. Por exemplo? "Participe da nossa enquete? Qual foi o gol mais bonito da rodada? 1, do Fulano; 2, do Beltrano; 3, do Ciclano. Se o pesquisado achou outro gol mais bonito, não tem como manifestar isto. Então, se a pergunta sobre "merece ser estuprada" foi feita como dito acima, as alternativas de resposta só poderiam ser: 1, sim; 2, não; 3, não quero opinar. Se ocorreu assim, a pesquisa foi dirigida. Se tiver sido feita em determinados ambientes sociais, não é de assustar que um percentual (muito menor do que aquele anunciado) pudesse ter caído na armadilha.
Aposto que a pergunta que gerou a resposta revoltante não terá sido "o que merece a mulher que se veste (ou se despe) assim ou assado?". Tivesse sido assim e penso que haveria um número muito grande de alternativas de respostas, circunstância que não interessa aos órgãos de pesquisa.
Penso que é preciso ter cuidado com o terrorismo das pesquisas.

Imagem: ALMAQUE DO FUTEBOL BRASILIENSE.
http://historiafutebolbrasiliense.blogspot.com.br/2013/09/estatisticas-do-campeonato-brasiliense_15.html