26 de fev de 2012

O BÊBADO DO BAR INDEPENDÊNCIA

Era um bar simples, em Uberlândia. Não sei se ainda está lá. Costumávamos reunir alguns amigos, aos domingos, antes do almoço, para uma cervejinha, que podia estender-se até a hora do jogo. Papos furados, íamos levando a véspera de segunda, tentando aproveitar os últimos momentos. Aí, apareceu o bêbado. Surgiu de algum lugar indefinido, tudo de bebum: roupa amarfanhada, cabelos despenteados, passos indecisos e uma sede enorme. No que chegou à porta, ameaçando entrar, o dono do bar, lá de dentro do balcão, já apontou-lhe o indicador e fez sinal de "não" e, em seguida, o gesto de enxotar galinhas. "Aqui, não!", dizia a mímica. O bêbado, humilde, fez um gesto, "dizendo" que queria tomar apenas uma dose e, com o polegar e o indicador, informou o tamanho dela. Não era muito, ora! O dono do bar repetiu o gesto de enxotar galinhas. O bêbado, mais humilde, repetiu o gesto anterior, agora diminuindo o tamanho da dose. Não adiantou. O insensível dono do bar repetiu o gesto de "não" e tornou a enxotar galinhas. O bêbado, então, empertigou-se. Tirou do bolso um lápis e um papel. Deu três passos para trás. Olhou para a placa, no alto, onde estava escrito o nome do bar. Escreveu alguma coisa e voltou-se, muito autoridade, para o dono do bar e, com voz pastosa (também de bebum) sentenciou: "Você está na minha lista negra!".

Imagem: English Study Institute
http://esinstitute.blogspot.com.br/2010/11/to-get-wasted.html
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