4 de abr de 2012

A HISTÓRIA SE REPETE: NINGUÉM SABE DE NADA! OU FINGE.

Ouvi, hoje, a notícia de que o senador Demóstenes Torres desfiliou-se do DEM, segundo a notícia para não enfrentar um processo de expulsão. Uma pena! O senador tem o DEM no nome: DEMóstenes.
Não me assusto quando políticos dizem saber de nada, ou fingem. É sabido e ressabido que o poder sempre andou de mãos dadas com a contravenção. Por volta de 1966, morando em uma cidade do interior mineiro, assisti a uma "ação governamental" para aniquilar o dono do jogo do bicho no lugar. Foi designado um Delegado de Polícia cuja missão principal era perseguir o jogo de bicho, sem quartel. Conseguiram quebrar a banca e o bicheiro. Mas em outra cidade, a sessenta quilômetros de distância, ainda dentro de Minas Gerais, o jogo do bicho corria solto. Contradições inexplicáveis.
A cultura brasileira é prenhe (evoé, Stanislaw Ponte Preta) de referências a contraventores cercados de muita importância social.
Não me assusto porque, como tenho dito, a música popular brasileira é um repositório de reportagens de mutretas. E ouço a nossa música há mais de cinqüenta anos.
Adoniran Barbosa, em "Morro do Piolho", conta que Charutinho (personagem que Adoniran incorporava no programa No tempo das Malocas de Oswaldo Molles) foi eleito para ser governador do Morro do Piolho, onde era fundador. O vice foi o Panela de Pressão.
A eleição dos dois despertou suspeita. E aí vai o resto da estória:

A Pafucinha foi queixa de admirô:
"Como é que esse malandro teve a consagração ?".
A Terezoca foi chamar o Trabucão, que com sua argucidade descobriu a tapeação.
Eu, como sempre, acabei entrando bem. Êta nego sem vergonha, o Panela de Pressão, esse negão,
quando vê a coisa preta vai dizendo:
"Tô inocente"!
não conhece mais ninguém.
(breque, falado)
"Bãosis, a conversa está muito das animadas, mas eu vou dar uma de Pirandela. É como diz o deitado: 'Quando pobre come galinha, ou ele tá doente ou a galinha'."

Adoniran sabia das coisas perenes. Ainda hoje, ninguém sabe de nada.