13 de jun de 2016

NÃO FOI SÓ POR CAUSA DE UM MÍSERO GOL DE MÃO

Mesmo com alguns comentaristas falando mal da seleção brasileira, para a maioria a fatalidade foi o gol de mão. Para mim, nada disto. Por enquanto, ficando só no panorama do jogo, a seleção até que não jogou mal no primeiro tempo. O goleiro peruano fez mais de duas defesas importantes. Mas os brasileiros tornaram-se presas da ansiedade, ou de sei lá o que, incluindo o goleiro adversário. O fato é que não conseguiram vazar seu reduto. No segundo tempo, a seleção jogou menos do que no primeiro. Dava para ganhar da seleção peruana? Penso que poderia ter dado. Mas não deu e pronto. A partir da metade do segundo tempo, vi em Dunga a expressão da impotência. O time também não conseguia melhorar suas ações. Deu no que deu, sendo desnecessário falar sobre pênalti não marcado para cada lado.
Na entrevista, Dunga fixou argumento no tal gol de mão (que, para mim, foi de mão, mesmo). Um comentarista disse que Dunga não falou do gol da seleção equatoriana, que o juiz não deu, porque o auxiliar acusou saída de bola, que não passara da linha de fundo. Foi uma falha do nosso goleiro (que achei ter falhado, também, no lance do gol peruano; ficou agarrado na trave, quando - segundo penso - deveria ter-se deslocado mais para a frente, fechando o ângulo de passe para o jogador peruano que estava livre, leve e solto no meio da área, com Daniel Alves chegando atrasado, a distância que não dava para intervir, e Gil desviando o caminho para o lado de onde viria o passe; o goleiro (vendo pelo menos de soslaio o que ocorria dentro da área, a seu lado) tinha de dificultar aquele passe, pelo menos, porque, no cenário, o gol era praticamente certo, se a bola chegasse ao goleador; como foi e o erro não foi só do goleiro, falha conjunta da defesa). É possível ver, no lance do gol (https://www.youtube.com/watch?v=zoecRIB3GEQ), que Daniel Alves chegava na área, devagar, e não procurou aproximar-se mais, quando Gil estava se deslocando do centro para tentar participar do lance na linha de fundo.
Ah! Mas foi irregular!
Tudo bem. Foi irregular.
Como foi irregular o não-gol da seleção equatoriana.
Analisemos as situações de seleção brasileira e seleção peruana, conforme acertos e erros de juizes.
Para demonstrar, mudemos o cenário, considerando que tivesse sido confirmado o gol da seleção equatoriana (a negativa foi erro da arbitragem) e não cogitando do jogo seleção brasileira x seleção peruana: a nossa teria chegado ao terceiro jogo com três pontos e a peruana com quatro. Ou seja, a situação, no início do terceiro jogo seria o inverso daquela que ocorreu (empate bastando para nós): com quatro pontos, o empate favoreceria a seleção peruana e, se o gol de mão não tivesse sido validado, teria ela ficado classificada.
Finalmente: nos jogos reais, a seleção brasileira não conseguiu fazer pelo menos 50% dos pontos (4/9, 44,44%) e a peruana contou 7/9, arredondando = 77,78%. Considerando o cenário hipotético, com empate, a seleção peruana teria ficado com 5 pontos (55,56%) e a brasileira com os mesmos 4 pontos (44,44%). Com erros dos juízes ou sem erros, o aproveitamento da seleção peruana teria sido melhor, com mais de 50% em qualquer hipótese, e o da brasileira teria sido inferior, com 44%, também em qualquer hipótese.
É muito pouco para uma Copa América, em grupo no qual o segundo lugar classificou-se com apenas 55,56% de aproveitamento.
Não adianta discutir o desempenho de seleção brasileira em torno de um mísero gol de mão.

Imagem: O GLOBO - ESPORTES.
http://oglobo.globo.com/esportes/brasil-leva-gol-de-mao-perde-para-peru-esta-fora-da-copa-america-19492387