28 de jun de 2015

NÃO FOI PIRIRI. MAS...

Antes das Olimpíadas de Londres de 2012, o cadikim lançou uma apreensão:



Preocupação que nasceu da chamada de capa da revista "Veja", edição especial levada ao público em julho daquele ano. Estava lá, ao lado da foto do craque, que ostentava, em grande estilo, o barrete da guarda da Rainha da Inglaterra:


"Neymar é a esperança da medalha de ouro que nunca veio".

Verdade seja dita: a preocupação não era a saúde do jogador. Sempre se soube que ia muito bem, graças a Deus. Nem era a possibilidade de ele faltar à seleção brasileira, por qualquer risco a que o esporte está sujeito. A preocupação era a forma como o endeusamento de Neymar já podia influir no desenvolvimento completo (técnico, físico, psicológico,...) dos demais jogadores do time em que ele jogava e dos da seleção brasileira. Selecionei uma parte do texto:


"Isto será bom para os demais jogadores? E o técnico? Não conta? A comissão técnica? Os cartolas? Todos dispensáveis? Só o Neymar resolve? Ou só resolve o Neymar?"

Aconteceu o "piriri", não na forma em que se o conhece, e sim encarnado em uma suspensão que não cabe discutir aqui, mas que determinou a ausência obrigatória de Neymar em jogos da Copa América, depois do jogo contra a Colômbia, no qual fomos derrotados - o marco inicial da desclassificação.
Desclassificação por causa da ausência de Neymar? Penso que não! O time foi medíocre, mesmo com ele. E mesmo contando com jogadores bem sucedidos nos últimos três anos: para falar só em novatos, temos que Éverton Ribeiro fez uma grande campanha no time do Cruzeiro (bicampeonato seguido e melhor jogador do torneio, em sua posição); Douglas Costa está sendo vendido ao Bayern de Munique, por R$120.000.000,00 (ninguém dá tanto dinheiro por um jogador medíocre). Sem falar em Tardelli, campeão da Libertadores pelo Atlético Mineiro; e nos outros que jogaram, todos eles jogando fora do Brasil (exceção a Jefferson. Por infeliz coincidência, os dois brasileiros, que puseram pênaltes fora, estavam no banco (lembrar de críticas dirigidas a ordem para uma cobrança perdida por Zico, pela seleção, quando acabava de entrar e estava frio na partida).
O que vi, durante a Copa América, foi quase todas as jogadas tendo de passar pelo Neymar, e só ele tomado iniciativa de tentar lances individuais. Os companheiros ficaram no rame-rame, sem nem uma tentativa, por menor que fosse.
O que terá acontecido com esses craques, cobiçados por clubes estrangeiros?

mentirinhas_714



Aí, penso que a "Neymardependência" não enfraqueceu a seleção brasileira como consequência direta. Pela forma indireta, enfraqueceu jogadores, que podem estar sentindo-se diminuídos pela distância com que são tratados na mídia. Podem estar sentindo-se o tal "cocô do cavalo do bandido".

Imagem: Mentirinhas #725
http://mentirinhas.com.br/mentirinhas-725/