30 de mai de 2012

CONVERSA DE MALANDRO PRA DELEGADO

O tema é recorrente. Nos últimos doze a quinze anos, a TV Senado e a TV Câmara têm transmitido muita conversa de malandro pra delegado. E se esse tipo de conversa não era transmitido via Embratel, há mais tempo, é porque ou as duas emissoras ainda não existiam, ou não estavam ao alcance da sociedade, não estando disponíveis, ainda, em canais abertos. É uma pena. A gente diverte-se bastante. Revoltar-se é fria.
Ontem, assisti a parte do depoimento do senador Demóstenes Torres, perante a CPMI do Carlinhos Tsunami. Seria de uma inocência quase pueril imaginar que o senador abrisse o livro, para a CPMI e para a sociedade. O direito de defesa deve ser sagrado. Chamou-me a atenção a afirmativa do senador de que era amigo do Carlinhos, mas que ignorava as atividades ilícitas dele.
Afinal, o senador é membro do Ministério Público de Goiás, desde 1983, tendo sido Procurador Geral do Órgão, antes de exercer o cargo de Secretário de Segurança Pública, entre 1999 e 2002, no governo de Marconi Perillo. A Wikipédia informou-me isto, sendo que o exercício dos cargos foi confirmado pelo Blog do Demóstenes (http://www.demostenestorres.com.br/paginas/biografia/biografia), que não menciona cronologia.
Gente! Eu, que nunca fui nada disto, que sou mineiro, nem conheço o Rio de Janeiro, sempre vi notícia de que Castor de Andrade era bicheiro, aparecendo, no social, como presidente do Bangu e de uma escola de samba (não me lembro qual); cansei de ver notícia de que Anísio da Beija-Flor também era bicheiro e, no social, presidente de escola de samba.
Viomundo - o que você não vê na mídia - publicou, em 19 de maio último, matéria com chamada "CartaCapital: A Itália já sabia de Cachoeira", dando notícia de que 4 de novembro de 2004 foi o dia em que o nome de Carlinhos Cachoeira ficou famoso na Itália, depois de uma primorosa reportagem investigativa publicada pela revista semanal L'Espresso, informando que organizações criminosas italianas buscaram expandir-se pelo mundo, em busca de lugares onde se lava dinheiro e de empresários de bingos e caça-níqueis. O signatário da matéria apresentava Carlinhos Cachoeira como o "chefão das apostas ilegais no Brasil" (http://www.viomundo.com.br/denuncias/cartacapital-a-italia-ja-sabia-de-cachoeira.html).
Se em 2004 o Tsunami já ocupava lugar de destaque, deverá ter começado muito antes, provavelmente antes mesmo que o senador Demóstenes tivesse exercido o cargo de Secretário de Segurança Pública.
Conclusão desta anta aqui: ou o senador conhecia as atividades ilícitas do Tsunami, ou não se sabe o que ficou fazendo no Ministério Público e no cargo de Secretário de Segurança Pública.
Respeito o direito de defesa de quem quer seja. Penso que ainda não é um instituto universal, no Brasil, apesar dos mais de 20 anos da Constituição da República. Mas respeitá-lo, para graúdos, ensina a respeitar geral. Ainda está muito longe, acho.
Diz-se que mais fácil se pega o mentiroso do que o coxo. Com internet ficou muito mais fácil ainda.
Penso que uma verdade, por mais dolorosa que seja, é, muita vez, preferível a uma constatação de incapacidade profissional. Ou coisa "mais pior" (Stanislaw Ponte Preta).

Imagem: Baixaki.
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