23 de mai de 2012

MUITAS SAUDADES DO LALAU!

Sérgio Porto - o
Stanislaw Ponte Preta

Sempre que me referir a Lalau, estarei ligado a Sérgio Porto -Stanislaw Ponte Preta, Lalau para os íntimos - e não a qualquer outro cocoroca (termo que ele usava com freqüência).   
Em 24 de janeiro deste ano, publiquei neste blog que apenas tinha Saudades do Lalau (http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2012/01/as-autoridades-comecam-tratar-da-cessao.html). Atualmente, tenho sentido Muitas Saudades do Lalau. Coisa muito importante que ele criou e produziu foi o FEBEAPA, com a amplitude até FEBEAPA 3 (O 3 com o título de "Na Terra do Crioulo Doido") e se quatro não publicou foi porque morreu antes (li uma entrevista com o secretário do Lalau, que daria para fazer o 4). FEBEAPA: Festival de Besteiras que Assola o País. As críticas que fazia às "otoridades", como chamava, estão, principalmente nos FESTIVAIS e em "O Garoto Linha Dura" (fui confirmar a data da primeira edição e verifiquei que é mesmo de 1964; minha memória diz que foi em julho, pleno início da ditadura, que ele chamava de "redentora"; veja-se que o cara tinha peito). Faz falta o Lalau porque, se festival já não há, não é por falta de besteira, mas por falta do talento e da coragem dele. Não obstante, vou aventurar-me, sempre com a vênia e o perdão do mestre.
Estou lendo a Lei nº 12.605, de 3 de abril de 2.012. Bacaninha, como diria o Lalau! Estabelece, no artigo 1º, que as instituições de ensino públicas e privadas expedirão diplomas e certificados com a flexão de gênero correspondente ao sexo da pessoa diplomada, ao designar a profissão e o grau obtido. No art. 2º, assegura às pessoas já diplomadas o direito de requerer das instituições de ensino referidas a reemissão gratuita dos diplomas, com a devida correção, segundo regulamento do respectivo sistema de ensino. Magistralmente, finaliza: "Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.".
Primeiro: por que devida correção? Nada foi feito de errado. Por que obrigar instituições particulares, com evidentes fins lucrativos, e obrigar instituições públicas - estas financiadas por nós - a "corrigir" gratuitamente, aquilo em que não erraram, e que fizeram conforme as leis da gramática (substantivos comuns de dois gêneros), não havendo, à época, lei federal regulamentando diferente? Parece-me abuso, até valendo a pena pesquisar a questão da constitucionalidade (revogar o "pratrasmente", na peculiar linguagem de Odorico Paraguaçu).
A Presidente (insisto: Presidente) achou de revogar por lei federal burocrática as regras da gramática, relativas a substantivos comuns de dois gêneros. Será que alguma mulher sentia-se ofendida, diminuída, desrespeitada, ou coisa semelhante, por ser classificada como "policial", por exemplo? Ou como médica "residente"? Ou como "gerente"? Afinal, ninguém se referia a uma mulher da esfera jurídica como advogado, mas sempre como advogada; arquiteta, médica, astrofísica e assim por diante. Diretora não era Diretor; Promotora de Justiça não era Promotor de Justiça...
Os gozadores de plantão (Ah! Lalau!) já começaram a conjecturar: o médico que atua na área ginecológica vai ser um ginecologisto? O que cuida dos olhos vai ser oculisto? O que faz anestesia vai ser anestesisto? O Chico Pinheiro já afirmou, via embratel, que não é jornalisto, mas jornalista mesmo.
A mulher que se preocupa em ser Presidenta e não Presidente, e o Congresso Nacional, não terão coisa mais importante a fazer por este país? Será que este país já esgotou o rol de sua dificuldades, todas já resolvidas?
Será o Brasil um país independente? Ou uma Nação independenta?
Como disse o Chico Anyisio, em "Baiano e os Novos Caetanos": "É demais pros meus sentimentos, tá sabendo?"

Foto: Livrada! Um blog feito por amor ao próximo! Óoooin!
http://livrada.wordpress.com/2010/09/01/stanislaw-ponte-preta-%E2%80%93-febeapa/