6 de mai de 2015

CARTA ABERTA AO MEU AMIGO POETA WANDER PORTO. EDITADA COM A RESPOSTA DO AMIGO.


Prezado Senhor Poeta Wander Porto,

Toda esta prosopopeia, todas estas formalidades, servem, exclusivamente, a apresentar-me como um ser normal. Alguns amigos, e até minha venerada esposa, dizem que sou louco. Essa venerada esposa, então, vai ao extremo de dizer que atraio loucos que me abordam na rua por nada, e até aqueles meus amigos mais próximos, dentre os quais inclui o Senhor (só não uso o Vossa Senhoria porque aí vão pensar que sou mesmo, e de pedra).
Mas sabe por que esta lereia toda, meu amigo? (entro em processo de cura). Lembrei-me de você, no dia primeiro de maio. Nada a ver com "trabalho" ou "não trabalho", porque disto livrei-me há um bom tempo. Simplesmente porque, naquele dia, iniciava uma viagem com previsão de três dias, junto com minha filha Raïssa. Pois não é que a jovem entendera de pedir-me para ensiná-la a dirigir em estrada? Já achei algo fora do normal a filha caçula achar que um velho com setenta e cinco+ anos possa ser capaz de ensinar alguma coisa a alguém. Na firme convicção de que um relacionamento assim tão carinhoso faz bem à saúde, topei a parada.
Saímos de Brasília com destino a Uberlândia. Durante muitos km, pista dupla, facilitando a tarefa da mocinha. Quando adentrou a pista simples, gritou, alto e bom som♫ (faça de contas que são dois pontos, um em cima do outro).
- Uuuuuuuuuuuuuu! Por que não toca o rock'n roll?
Foi essa exata exclamação que me trouxe à mente sua admirada pessoa, meu amigo.
Mas não ficou só por aí, não, cara (sarei de vez, hein?). Alguns km adiante, começando a achar que já sabia dirigir em estrada, logo após ultrapassar um caminhão (não dos bitelos, ainda), bradou, entusiasmada♫
- Cadê o rock'n roll?
Foi quando, ainda inspirado na sua séria e poética figura, pensei♫
- Podem dizer, à vontade, que sou louco. O problema é de quem não é!
Posted Image
Panoramix - o Druida da aldeia
de Asterix - o Gaulês.
Isto veio a ser corroborado, no dia seguinte, em Coromandel, quando, frente à tv, encontrei um velho de barbas brancas e longas (à altura do umbigo ou pouco abaixo, como a da figura aí ao lado), empunhando um instrumento que me pareceu um banjo, com um braço pouquinho mais comprido (minha atenção estava concentrada nas barbas). Uma pessoa em cena perguntou♫
- Por que você usa essa barba desse jeito?
A resposta veio de bate-pronto♫
- Por que você não usa?
Na certeza de ter-me explicado convenientemente ao Senhor (recaída), subscrevo-me, 

            Atenciosamente,

                                       Comini




Imagem - Shaman King Br
http://s1.zetaboards.com/shamans/topic/4318225/1/

RESPOSTA DO AMIGO:

Meu Amado Poeta e Dileto Amigo, eu poderia começar uma resposta por essa resenha de "O MUNDO É DOS LOUCOS" do grande Phillipe de Broca: Uma pequena cidade francesa é ameaçada pela explosão de bombas implantadas por alemães, durante a Primeira Guerra Mundial. Para salvar os seus habitantes, o soldado Charles Plumpick (Alan Bates) é convocado para desarmar as bombas da cidade antes que elas explodam e destruam todo o entorno. Ao chegar no local, todos os habitantes já haviam fugido e os únicos que se encontravam na cidade eram os pacientes de um hospício, que fugiram e andavam pelas ruas vestidos com fantasias. Plumpick começa a conviver com eles e se apaixona por uma bela moça chamada Coquelicot (Geneviève Bujold). Mas seria indelicado. Tenho que começar agradecendo de coração a lembrança desse seu amigo aqui, embora distante sempre presente, justamente quando sua fantástica cabeça exercia as engrenagens da criação! Sim, criação, porque estar ao lado da juventude é um permanente estado de criação. Portanto, Obrigado! Agora, voltando ao nosso tema central: O louco, o louco que todos somos um pouco! Perfeitamente clara a V. explanação em torno do assunto, perfeitamente aceitável V. lembrança a respeito do meu permanente estado mental, perfeitamente compreensível que sejamos amigos, perfeitamente natural que vez ou outra joguemos nossas pedrinhas nos aviões de carreira na ingênua tentativa de chamar-lhes a atenção, sim, sim, admirável também é o seu texto calcado lindamente inspirado nas delícias do prosaico, nos flagrantes do cotidiano! Só tenho uma coisita a dizer, cônscio do meu mais perplexo e aloprado devaneio, emulando o emulado Druída Panoramix de Coromandel: Dois Pontos: LOUCO? POR QUE NÃO SÊ-LO? Abraçãos!