31 de jul de 2012

O QUE PODEMOS TIRAR DE UMA OLIMPÍADA? II

Primeiro que tudo, constatamos que uma olimpíada oferece-nos oportunidade para comparar as diferentes condutas nos diversos esportes. Também permite-nos atentar para a natureza de cada um.
Nos esportes em que não há contatos pessoais, a disciplina da competição fica muito fácil. Infrações costumam aparecer apenas com relação a "queimar a partida" ou deixar de observar regra técnica.
Nos esportes em que há contatos pessoais, a coisa é bastante diferente. Nos comentários sobre futebol, é comum vermos referência ao número das faltas praticadas.
Tentando entender a generalidade dos esportes, penso que o conceito de falta pessoal deve estar ligada a erro quando da intervenção em uma jogada. Calcula-se mal uma distância, e atinge-se o adversário que se antecipou, em vez de atingir a bola. Há um remédio técnico para isto: preparação física e treinamento tático (posicionamento em campo). Penso que é o caso de se admitir como "normal" apenas a infração que possa ser catalogada como "culposa", sem a intenção de atingir o adversário, ou de cometer outra infração. Em contrapartida, temos a infração "dolosa", proposital. Não se trata de querer machucar o adversário, mas de segurá-lo, de derrubá-lo, de obstruir seu avanço, etc.
Daí, penso que, como punição para as infrações "dolosas", deve ser aplicado sempre o cartão amarelo.
Ah! Mas aí nenhum jogo vai terminar, porque os times acabarão com número insuficiente para continuar a partida! Verdade é que, no princípio, poderá ser assim. Mas as coisas irão acomodar-se, com a aplicação contínua e geral das regras.
Em um jogo de basquete, nas Olimpíadas 2012 (penso que foi no do Brasil), um jogador tomou a bola em seu campo de defesa e, quando contornava o adversário, para contra atacar, o mesmo segurou-o, impedindo que o fizesse.
Falta, conduta anti-desportiva: dois lances livres e saída de bola para o time que sofrera a falta. Bem mais grave do que as faltas que geram lateral e um tanto mais do que aquelas que geram apenas dois lances livres, sem inversão da posse da bola.
Por que estas considerações?
Penso que, quando um time vence um jogo qualquer, futebol, basquete, ou outro do tipo, praticando faltas seguidas, propositadamente, o jogo foi de outro esporte, não daquele que se dizia estava sendo jogado.
Vencendo com faltas propositais seguidas, o time, mesmo vencendo, não prova que é melhor do que o adversário.
Talvez eu só consiga pensar assim porque, na segunda metade dos anos 1950, quando se estudava francês no colégio, li um texto sobre Cid, o Campeador, um herói espanhol que desafiou a melhor espada do reino. O desafiado, pai de sua noiva, advertiu-o de que era muito jovem e que, certamente, não sendo capaz de superar o campeão, acabaria sucumbindo. Ao que o herói respondeu :
"Vencer sem perigo é triunfar sem glória!"
Um tanto romântico para nossos padrões, hein?

Foto: Documents étudiés - Terminale Spécialité.
http://www.cdechamps-lycee-delacroix.fr/spip.php?article307#

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