11 de mar de 2012

NÃO É PRECISO SER VIOLENTO PARA SER REVOLUCIONÁRIO


Nara Leão teria completado 70 anos, no dia 19 de janeiro deste ano. Hoje, foi a referência do programa Sarau (Chico Pinheiro). Stanislw Ponte Preta (Sérgio Porto) chamou-a Musa da Bossa Nova. Carlos Lyra, participando do programa, disse não concordar com o título. Acha que Nara foi a Música da Bossa Nova, porque cantava e tocava violão. Acrescentou que ela passeou, com sucesso, por vários gêneros. Isabel, sua filha, também esteve presente. Lembraram que, depois de um tempo da doçura da Bossa Nova, Nara, quando foi fazer cinema, passou a participar da arte de protesto contra a ditadura. Por isto, quando casada com Cacá Diegues, "foi morar" em Paris. Chico Pinheiro leu um poema de Carlos Drumond de Andrade, dirigido aos generais, como que pedindo que parassem de incomodar a moça, sugerindo que uma moça tão delicada não poderia estar abalando a revolução.
Impressionei-me com a idéia, lançada à época, de que a Bossa Nova era alienada, que não se envolvia com os problemas sociais.
Não concordo. Nara, com sua doçura, envolveu-se com as idéias de mudança, de discordância da ditadura. Mas a primeira idéia que me veio á mente, no momento, foi de "Desafinado", em que João Gilberto diz: Você com sua música esqueceu o principal / Que no peito dos desafinados / No fundo do peito bate calado / Que no peito dos desafinados / Também bate um coração.
Isto é uma ode à tolerância dos diferentes. Isto já era, naquele tempo, tremendamente revolucionário!
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