27 de mar de 2012

O INFERNO DO FUTEBOL

No dia 17, falamos sobre o céu e o inferno do futebol. Lembramos de um dos personagens mais importantes do futebol brasileiro - Garrincha - vencido por nenhum adversário, mas por si mesmo.
Ontem, o programa Bem Amigos tratou do filme Heleno, lançado para celebridades no dia 12 de março, e que estará à disposição de pobres mortais, dentro em poucos dias. Por coincidência, Heleno de Freitas foi, também, jogador do Botafogo, Rio de Janeiro. E foi craque, segundo toda crônica.
Na minha idade, é claro que tive informações muito superficiais sobre Heleno de Freitas. Basicamente, de que era muito craque, e de que era destrambelhado. Ah! E que morreu em um hospício, em Barbacena, Minas Gerais.
Vocês irão ver o Rodrigo Santoro, em treinamento, matando bola no peito e chutando para o gol, de sem-pulo, com muita elegância. Como fazia o craque. O detalhe do clima frio será bom que vocês confiram.
Como não podia deixar de ser, os comentaristas abordaram carreiras de jogadores de futebol, com altos (salários) e baixos (comportamento e desempenho, depois da fama). Chegaram a citar dois, nominalmente. Quanto a um deles, o assunto já escapuliu da crônica esportiva: a revista Veja noticiou, nesta semana, que uma senhora famosa, proprietária de uma casa bacana, em uma capital, está tendo problema com o imóvel. Conta que "os antigos vizinhos de madame fizeram um abaixo-assinado para expulsar de lá o seu inquilino,...", um jogador de futebol que não deixa as pessoas dormirem, com as festas que promove "madrugada a dentro".
Os comentaristas falaram, em geral, que dirigentes de clubes "passam a mão na cabeça" de jovens craques, quando começam a "entortar" o comportamento. Sugerem contratos de produtividade: ganha se jogar.
Legal, não é? Além de administrar as finanças do clube, de administrar o futebol, irão ter de administrar os registros de jogos e ausências, das farras, bebedeiras, das faltas aos treinos e tratamentos de lesões...
Preferi o comentário de Vítor Belfort, pugilista em evidência, e que participava do programa. O patrimônio do atleta é seu corpo. Tem de cuidar dele, para ser eficiente. Acrescentou: no nosso meio, se estiver fora do peso, não luta. Se perder quatro seguidas, acabará descartado.
Não se falou, no entanto, de uma coisa que me "encafifa": não são só os dirigentes de clubes que "passam a mão na cabeça", não. Cronistas, comentaristas, narradores, muitos deles "enchem a bola" de jovens, mesmo quando não se comportam bem. Penso que é porque representam publicidade e acessos garantidos. Vejamos: Edmundo era bad boy, Romário era marrento, e assim por diante. Dois craques de categoria inegável, mas que tiveram momentos de carreira conturbados. Sempre prestigiados pela imprensa.
Comentou-se, no programa que, na Europa, não há jogadores "entortados". Alguém citou dois, mas logo o Galvão disse que estavam falando de jogadores de vinte anos atrás. Prefiro não ir à Europa (meus limites são Presidente Olegário, Guimarânia e Lagoa Formosa). Podemos ficar por aqui, no nosso voleibol multi-campeão. Por que será que não se vê jogador de volei "entortado"? Serão mais bem formados? Penso até que sim. Mas os dirigentes também devem ser mais exigentes (ou, pelo menos, deixam ao Bernardinho a tarefa de exigir).
Estamos chegando a uma Copa do Mundo, no Brasil. Penso que precisamos mudar algumas coisas no futebol. Geral.

Foto de Heleno: O JOGO DE ZANIN
http://ojogodezanin.wordpress.com/2012/03/19/1263/