25 de mar de 2012

NAS HORAS VAGAS...

Há muito não saía a passear na roça. Fizemos isto hoje, minha sogra, minha cunhada com o namorado, minha mulher e eu. Passamos por um lugar onde havia um final de atoleiro, com algum barro, ainda, mas sem risco de o carro ficar por ali. Minha mulher lembrou-se de uma viagem nossa, à Serra da Canastra. Havia chovido muito e, em uma subida, estrada de terra, um baita atoleiro. Estavamos em um Gol muito bom, mas que achei insuficiente para a parada. Falei que não daria para subir. Minha mulher não aceita uma desistência, sem experimentar. Resultado: ficamos atolados. Por sorte, havia uma fazenda, a uns cem metros. Enfrentamos a chuva e o barro e fomos em busca de ajuda, que apareceu na figura de um boiadeiro, com uma junta de bois. Atrelamos os bois ao carro e conseguimos seguir.
O boiadeiro não quis cobrar. Demos-lhe uma grana, que não sabemos se valia, se era muito, se era pouco...
Pensando da passagem, lembrei-me de uma estória que Dona Ephigenia - minha mãe - me contara, há muito tempo. Uma cena parecida com a nossa, um mineirim com uma junta de bois e lá está o carro livre e solto. Precim camarada. O dono do carro perguntou ao mineirim se plantava, se criava animais, afinal, o que fazia. Mineirim falou que tirava o sustento dele daquela atividade: ajudar incautos a sair do atoleiro (atividade que muitos banqueiros, agiotas e quejandos fingem que fazem). Aí, o dono do carro perguntou se muitos carros atolavam ali. Mineirim disse que dava pro gasto, que não era todo dia mas que, no frigir dos ovos, sobrava algum no final do mês. Foi então que o dono do carro perguntou: você não faz nada nas horas vagas? Mineirim foi taxativo:
- Faço sim, uai! Eu jogo água no atoleiro!

Foto: notapajos.com
http://notapajos.globo.com/lernoticias.asp?id=45326
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