9 de mar de 2012

PENA DE MORTE. E O CARRASCO?


Durante a minha vida, ouvi muito falar que a pena de morte é a que resolve. Assustei-me muito quando, assistindo a uma reportagem sobre o assunto, a coisa foi encaminhada para entrevistas com presidiários. Vários mais velhos diziam que, se fosse adotada a pena de morte, deixariam de assaltar. "Pena de morte é barra!", diziam alguns. Entrevistaram um jovem e ele disse que não deixaria de assaltar, mesmo com a pena de morte. O repórter perguntou se não tinha medo da pena capital. Não, disse ele. Já existe pena de morte. Quando saio para assaltar, saio para matar ou para morrer. Impressionou-me muito. Morrer era um risco inerente à "profissão" dele. De lá para cá, tenho ouvido muita coisa, prós e contras. Sempre fui radicalmente contra. Só os erros judiciários verificados são o bastante para não admitirmos uma pena sem volta.
Há alguns dias, vi uma imagem em uma página de relacionamento, contendo coisas que o brasileiro deveria querer que acontecessem (a maioria delas referindo-se a políticos que entortam o caminho). Um quadro falava em adoção da pena de morte, no Brasil. Um cunhado comentou que concordava com todas as outras maldades, mas que discordava da pena de morte. Postei que também discordo. A maior dificuldade que encontro refere-se ao carrasco. Sendo certo que só a União pode legislar sobre direito penal, e que o Estado é o guardião do sistema respectivo, a função de carrasco há que ser exercida por um servidor público. Combinado que está que o acesso ao serviço público depende de concurso, passei a pensar sobre um edital para concurso ao cargo de carrasco. Que predicados cobrar de um candidato a carrasco? Escolaridade, precisa? Capacidade para matar? Absoluto alheiamento a qualquer forma de sentimento, remorso, constrangimento...? Teria de ter cara própria, semelhante àquelas que vemos nos quadrinhos, nos filmes, nas pinturas?
Penso que seria penoso para os governantes publicar um edital de concurso para carrasco.
Não pude deixar de deter-me sobre o assunto por mais algum tempo. Conjecturei que a função de carrasco merece cargo de nível mais elevado, com boa remuneração. Afinal, por hipótese, o carrasco livra a sociedade de malfeitores. Só pode ser cargo de relevância.
Daí, concluí que carrasco pode ser cargo de confiança, desses que permitem a admissão sem concurso. E, se for considerado, mesmo, de alta relevância social, e, por isto, merecedor de alta remuneração, acho que não faltarão candidatos. Nem pessoas que os indiquem.

Imagem: Faixa 360.
http://blog.faixa360.com/2011/04/especial-jesus-cristo-poucos-dias-apos.html
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