11 de fev de 2013

COMENTANDO COMENTÁRIOS: ENFÁTICOS DISPENSÁVEIS






Quem dá uma notícia pretende chamar o máximo de atenção para aquilo que apregoa. Ocorre, então, de usar expressão enfática, muitas das vezes sem que a ênfase incorpore valor à noitícia (agregue, como gostam); outras vezes até submetendo a notícia a choque de credibilidade. Expressão enfática muito corriqueira, utilizada reiteradamente, é o tal de "inquérito rigoroso". Compromete a credibilidade, afetando negativamente a presunção de que todo inquérito tem de ser rigoroso, necessáriamente, podendo ser dispensado qualquer qualificativo.
Agora mesmo, acabo de ver no programa Estúdio I, Globo NEWS, a chamada para a notícia da decisão do Papa, de apresentar sua renúncia: "Papa anuncia em pleno carnaval que vai renunciar no fim do mês".
Meu Deus! De início, cheguei a ficar contrariado. Com que desfaçatez o Papa faz tal anúncio em pleno carnaval? Não poderia ter deixado para a Quaresma? Ou para a Semana Santa? Por que logo no carnaval? 
Pensei assim porque, no primeiro momento, achei que havia alguém com receio de que uma notícia de tal impacto pudesse prejudicar o nosso carnaval. Então, que deixasse para depois, uai!
Refleti. Será que os bonecos de Olinda seriam recolhidos a seus "aposentos" habituais, por causa da renúncia do Papa? Será que o Bacalhau do Batata não irá às ruas, na quarta-feira? Será que a Vai-Vai será desclassificada, pelo mesmo motivo? Ou será que a Mangueira não irá desfilar (ou perderá pontos, se desfilar; não tenho informação sobre se já desfilou)? Será que os turistas católicos apóstólicos romanos ficarão constrangidos e retornarão para seus países, pelo fato de os foliões brasileiros não ligarem a mínima para a notícia e continuarem tomando suas cervejas, cachaças, vinhos e champanhas? Concluí que o anúncio da renúncia do Papa terá nenhum impacto sobre as atividades carnavalescas, nem sobre o consumo de camisinhas, nem sobre o humor dos turistas. "Pódexá!", dirão os mineiros legítimos. Melhor incorporar o conceito de Winston Churchill: "Passei mais da metade de minha vida a me preocupar com coisas que jamais iriam acontecer".

Foto: Rodrigo Constantino
http://rodrigoconstantino.blogspot.com.br/2012/01/as-licoes-de-churchill.html
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