3 de fev de 2013

SAMBISTA PRECISA DE SOFRIMENTO. SÓ TALENTO NÃO BASTA!

Ouvi, hoje, no programa Sarau, do Chico Pinheiro. Família Monarco no palco, espetáculo de samba e de tradição na Portela. Ótimas composições, de vários membros da família. Chamou-me a atenção um samba de Mauro Diniz, filho de Monarco, em parceiria com Ratinho e Sereno. Fala de um amor desfeito.

Parabéns pra você por tentar me enganar
Me ferir por prazer num capricho vulgar
Me querer por querer
Pra depois se negar à decisão
Abusar sem pensar foi demais pro meu coração
O azar é seu
Se daqui pra frente esta saudade
Em sua vida for metade
Por favor não vem me procurar

Achei ótimo o "o azar é seu" e o fecho "Por favor não vem me procurar". Parece a estória da raposa e as uvas.
Vejo esse tipo de atitude como quase lugar comum em muitos sambistas. Lembra-me um que dizia: "Meu bem, o azar foi seu. Ganhei o carnaval e você perdeu e me perdeu". E lembra-me, também, o Adoniran Barbosa, com "Mulher, Patrão e Cachaça". Fala de um triângulo amoroso, envolvendo, primeiro, o violão e a cuíca. Cuíca que acabou casando com cavaquinho. O violão ficou fulo e quis partir para a violência. Valeu a intervenção de um amigo:


"Eu ia pegar o cavaco
e o pandeiro me falou:
não seja bobo, não se escracha,
mulher, patrão e cachaça
em qualquer canto se acha."


Imagem: Vagabundia
http://vagabundia.blogspot.com/2008/10/amores-y-desamores-varios.html
 
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