15 de fev de 2013

NOVELA É NOVELA. E É DO DONO DELA!

Desta vez é "a dona dela" - a Glória Perez. Continuo vendo os lados bons das novelas: exposição de um fenômeno muito desfavorável, que é o tráfico de pessoas; exposição dos aspectos que envolvem as separações de casais. De quebra, algumas atuações muito boas de atores. Em "Salve, Jorge!", não estou vendo muita coisa, agradam-me apenas o malandro Pescoço, a fofoqueira Diva e a periguete Maria Vanúbia. Não vejo brilho nos protagonistas. Ah, penso que Celso também está com desempenho legal. Quando um ator consegue irritar muita gente, é porque está bem na fita.
Já havia dito antes, sob o mesmo título (http://cadikimdicadacoisa.blogspot.com.br/2012/03/novela-e-novela-e-e-do-dono-dela.html), o que me agrada e o que não me agrada em novelas. Admiti, mesmo, que, se não estou satisfeito, que escreva uma. Na base do "...quem quiser que conte outra!". Ora direis: então, por que ainda assiste? Direi, ora: se não assistir, não terei como falar mal.
Vamos combinar: não somos bons em suspense. Aquele segredo todo sobre as atividades dos "bandidões" e o medo de retaliações não poderia ser encaminhado a um "disque denúncia"? Dizem que existe e que funciona. Não seria uma ótima oportunidade de dar destaque a um método investigativo de que não gosto muito (há evidente risco de denúncias falsas e o denunciado corre o risco de "falar guarani" nas mãos dos homens, para provar que não é), mas que tem produzido mais efeitos positivos? Nem vi falar de efeitos negativos. Já que não se pode falar abertamente, a cidade (Rio) está cheia de orelhões por aí, longe do Alemão. Não se verá estranheza, também, no fato de o Russo pagar fiança para a Jéssica, assim abertamente, sem colocar um laranja na parada? Ninguém paga fiança em delegacia sem que seu nome apareça. Qualquer polícia, em qualquer parte do mundo, terá de ficar de olho em quem paga fiança de outrem, não sendo advogado. Ninguém desconfia de alguém que pague fiança para liberar uma mocinha, em um lugar onde se explora prostituição explícitamente? Só pelo fato de ser conterrâneo? Mas a trama envolve conterrâneos fazendo tráfico de conterrâneos, uai! Depois, botar um coronel para pagar a fiança da Wanda? Coronel mais ingênuo, sô! Pintar num quadro de pagamento de fiança em delegacia! Por fim, para assustar-me mais: uma tenente do Exército Nacional - ainda que veterinária - encontra uma embalagem de medicamento perto da baia do cavalo do Théo. Pega-a sem o cuidado que deveria ter para preservar impressões digitais e, mais que isto, perpassa-a nos próprios dedos, amassando-a e misturando ali suas próprias impressões. Argumentem que uma tenente veterinária não tem conhecimento de procedimentos investigativos. Responderei que qualquer pessoa com escolaridade de nível superior já ouviu falar, mesmo em filmes, da necessidade de preservar impressões digitais, e de preservar as próprias não as misturando com pré-existentes.
Repetitivo, vou dizer o que já disse naquela outra postagem: "Mas o que estarei fazendo eu aqui? Se não estiver satisfeito, que escreva uma novela, uai! A novela é da Glória Perez, não é? Então, que eu deixe de ser intrometido e que ela faça o que quiser com a novela dela, ora!"

Foto: Trade Clube
http://tradeclube.com/?p=998
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